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Novo spray nasal reverte o envelhecimento cerebral e melhora a memória, trazendo esperança a pessoas com demência.

Idosa usa spray nasal enquanto está sentada à mesa com um livro aberto e óculos ao lado.

O envelhecimento não acontece em silêncio no cérebro. Com o passar do tempo, ele começa a abrandar - não apenas na velocidade a que pensamos, mas também na forma como o cérebro consegue manter-se saudável.

Uma das principais razões é a acumulação gradual de inflamação no interior do cérebro, sobretudo em regiões associadas à memória.

Há anos que os cientistas tentam encontrar formas de travar este processo. Agora, um novo estudo sugere que algo surpreendentemente simples poderá ajudar: um spray nasal.

Inflamação no cérebro com o envelhecimento

À medida que as pessoas vivem mais tempo, os problemas de memória e condições como a demência tornam-se cada vez mais comuns. Grande parte deste processo tem início no hipocampo, a zona do cérebro que nos ajuda a aprender e a recordar.

Com a idade, esta região fica sob pressão. As células passam a produzir mais moléculas nocivas, os sistemas de energia perdem eficácia e as células imunitárias do cérebro tornam-se excessivamente activas.

Em vez de protegerem o cérebro, acabam por gerar uma inflamação constante, de baixa intensidade.

O declínio da memória começa

“Brain age-related diseases like dementia are a major health concern worldwide,” said Dr. Ashok Shetty from the Texas A&M University Naresh Vashisht College of Medicine.

“What we’re showing is brain aging can be reversed, to help people stay mentally sharp, socially engaged and free from age-related decline.”

Esta inflamação persistente vai, lentamente, prejudicando a memória e a capacidade de raciocínio.

Terapia simples com spray nasal

Em vez de recorrer a abordagens complexas como cirurgias ou transplantes de células, os investigadores focaram-se em partículas minúsculas libertadas por células estaminais.

Estas partículas funcionam como mensageiros: transportam instruções úteis capazes de alterar o comportamento de outras células.

Os cientistas administraram essas partículas pelo nariz em ratinhos de meia-idade. Desta forma, conseguiram que chegassem directamente ao cérebro sem qualquer procedimento invasivo.

“The mode of delivery is one of the most exciting aspects of our approach,” said Dr. Maheedhar Kodali. “Intranasal delivery allows us to reach, and treat, the brain directly without invasive procedures.”

Este método simples poderá tornar futuros tratamentos mais fáceis de aplicar e mais seguros.

Reduzir a inflamação no cérebro

Depois de entrarem no cérebro, os efeitos do tratamento foram claros. Diminuiu a actividade das células imunitárias hiperactivas e reduziu a inflamação.

As partículas transportam pequenas moléculas chamadas microRNAs, que funcionam como interruptores. Podem abrandar determinados processos prejudiciais e apoiar uma actividade mais saudável nas células cerebrais.

“MicroRNAs act like master regulators,” said Dr. Madhu Leelavathi Narayana. “They help modulate and regulate many gene and signaling pathways in the brain.”

Como consequência, o ambiente cerebral tornou-se mais estável, com menos agressões contínuas.

Restaurar a energia das células cerebrais

O tratamento também ajudou as células do cérebro a recuperar energia. Com o envelhecimento, as mitocôndrias - as estruturas celulares responsáveis por produzir energia - tendem a enfraquecer.

Após o tratamento, o cérebro apresentou menos danos associados ao stress e uma função energética mais robusta.

“We are giving neurons their spark back by reducing oxidative stress and reactivating the brain’s mitochondria,” Narayana said.

Isto é relevante porque níveis de energia saudáveis são essenciais para a memória e para o funcionamento global do cérebro.

Melhores resultados na memória

O resultado mais importante foi observado no comportamento. Os ratinhos tratados tiveram melhor desempenho em testes de memória.

Foram mais eficazes a reconhecer objectos e a detectar alterações no ambiente. Já os ratinhos não tratados apresentaram os sinais habituais de declínio de memória.

“We are seeing the brain’s own repair systems switch on, healing inflammation and restoring itself,” Shetty said.

Os resultados também se mantiveram consistentes em machos e fêmeas. “It’s universal,” Shetty said. “Treatment outcomes were consistent and similar across both sexes.”

Isto indica que o tratamento poderá ter aplicação ampla e não apenas em grupos específicos.

Utilização futura em humanos

Esta investigação abre caminho para uma nova forma de encarar a saúde do cérebro. Um spray nasal simples poderá, um dia, ajudar a abrandar - ou até a reverter - alguns efeitos do envelhecimento cerebral.

“As we develop and scale this therapy, a simple, two-dose nasal spray could one day replace invasive, risky procedures or maybe even months of medication,” Shetty said.

A necessidade é urgente. Prevê-se que os casos de demência aumentem de forma acentuada nas próximas décadas.

“The trend signals a pressing need for policies and innovative interventions that can minimize both the risk and severity of neurodegenerative disorders like dementia,” Shetty said.

Mais investigação ainda é necessária

Ainda há muito trabalho pela frente. Estes resultados vêm de estudos em animais e os cientistas precisam de confirmar se a mesma estratégia funciona com segurança em humanos.

“Our approach redefines what it means to grow old,” Shetty said. “We’re aiming for successful brain aging: keeping people engaged, alert and connected. Not just living longer, but living smarter and healthier.”

A ideia é simples, mas com grande potencial. Em vez de aceitar o declínio cerebral como inevitável, a ciência poderá estar a encontrar formas de contrariá-lo e de manter a mente mais afiada por mais tempo.

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