Reformado e já sem as limitações do Banco de Portugal, Mário Centeno está a preparar um livro de memórias. Tanto o título como a editora permanecem em segredo, mas o recorte temporal está fechado: os quase cinco anos em que integrou o Governo de António Costa como ministro das Finanças.
Contactado pelo Expresso, Centeno não adiantou detalhes sobre o projecto. “É uma ideia que está a amadurecer”, avisando que ainda levará tempo e que não deverá chegar às livrarias a tempo de servir de leitura de praia nas férias de verão. Antes da época balnear, “será difícil”.
O livro vai centrar-se nos anos de Centeno nas Finanças. A ligação a Carlos Costa, a Caixa e o excedente deverão estar entre os temas incontornáveis.
Livro de memórias de Mário Centeno: os anos no Ministério das Finanças
Mário Centeno liderou as Finanças de novembro de 2015 a junho de 2020, altura em que foi substituído por João Leão. Depois, transitou para o Banco de Portugal, num processo polémico que acabaria por lhe custar a recondução no cargo.
Entre recordações de momentos positivos e negativos, bastidores, intrigas e contratempos, matéria para contar não lhe faltará.
Dossiês financeiros: Banif, Novo Banco e Caixa Geral de Depósitos
O início do mandato ficou marcado por dificuldades, desde logo no sector financeiro. Um dos primeiros choques políticos e financeiros ocorreu com a venda do Banif ao Santander e com a venda do Novo Banco à Lone Star, acompanhada de uma garantia do Estado que teve um custo de 3,4 mil milhões de euros.
Outro episódio de elevada tensão foi a reestruturação e capitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), em 2017. A polémica intensificou-se em torno da escolha de António Domingues para liderar o banco público.
Excedente, Eurogrupo e a relação com Carlos Costa
Ao longo do percurso, foram recorrentes os confrontos com o então governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, que num livro do jornalista Luís Rosa o acusa de ter exercido pressão psicológica com o objectivo de provocar a sua renúncia.
Centeno ficou ainda associado ao primeiro superavit orçamental da democracia - 0,2% do PIB -, antes de a pandemia voltar a empurrar as contas públicas para o vermelho. Pelo meio, desempenhou também funções como presidente do Eurogrupo.
Expectativa em torno do que será contado
As histórias possíveis são muitas e a curiosidade cresce: saber se Mário Centeno saiu do Governo pacificado, com mais aliados do que adversários, ou se, tal como Álvaro Santos Pereira - que lhe sucedeu no Banco de Portugal e com quem negociou a saída para a reforma antecipada -, também se surpreendeu com o nível de “intriga política” e com a escassa lealdade que pode existir num Governo.
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