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Bola de fogo em Ohio: meteoro registado pela NASA explode com energia de 250 toneladas de TNT

Duas pessoas observam com um telescópio um meteoro a riscar o céu ao entardecer numa zona residencial.

No estado norte-americano de Ohio, moradores assistiram a um fenómeno raro no céu: uma bola de fogo extremamente brilhante atravessou a atmosfera, explodiu com uma força equivalente a centenas de toneladas de explosivo e provocou um estrondo tão intenso que fez tremer casas. Especialistas descrevem o episódio como um meteoro invulgarmente grande, que chegou a ser detetado a partir do espaço.

Espetáculo no céu matinal sobre o norte de Ohio

Na manhã de 17 de março de 2026, pouco antes das 09:00 (hora local), pessoas no norte de Ohio viram, de repente, uma faixa ofuscante a cruzar o céu a alta velocidade. O brilho foi tão forte que se destacou claramente mesmo com luz do dia. Segundos depois, ouviu-se um som surdo, quase como uma explosão.

Segundo a NASA, tratou-se de um chamado bólido - isto é, um meteoro especialmente luminoso. O objeto terá tido pelo menos 7 toneladas e terá entrado na atmosfera terrestre a mais de 70.000 km/h. Houve relatos vindos de cerca de uma dúzia de estados norte-americanos, o que dá uma ideia da dimensão do fenómeno.

Um meteoro com várias toneladas atravessa o nordeste dos EUA, brilha mais do que muitos relâmpagos e provoca um estrondo atmosférico percetível - sem danos relevantes no solo.

Porque é que este meteoro foi tão fora do comum

Em condições normais, os meteoros desintegram-se muito acima, na atmosfera, e passam sem qualquer impacto sonoro percetível. A maioria das “estrelas cadentes” tem apenas alguns milímetros a centímetros e arde a mais de 80 km de altitude. Além disso, por norma só se veem à noite, porque durante o dia a luz do Sol ofusca quase tudo.

Desta vez, porém, a situação foi diferente:

  • o objeto era extremamente massivo, com cerca de 7 toneladas;
  • penetrou de forma pouco habitual a maiores profundidades na atmosfera;
  • brilhou com tal intensidade que se distinguiu claramente no céu da manhã;
  • gerou um estrondo supersónico audível e até sentido fisicamente.

Várias câmaras registaram a bola de fogo - incluindo videovigilância de um parque de autocarros e imagens captadas por profissionais do National Weather Service. Nas gravações, observa-se uma esfera de luz intensa a deixar uma esteira brilhante, esbranquiçada, antes de desaparecer num clarão muito forte.

A física por trás do estrondo supersónico

O barulho ouvido por muitos residentes resulta de uma onda de choque. O meteoro atravessou o ar a mais de 15 km por segundo. Ao fazê-lo, comprimiu as massas de ar à sua frente mais depressa do que estas conseguiam desviar-se, formando uma frente de choque que se propagou até ao solo.

A energia libertada à entrada correspondeu a cerca de 250 toneladas de TNT - suficiente para fazer vibrar vidros e provocar tremores percetíveis em habitações.

Diversas testemunhas relatam o mesmo padrão: após verem a luz intensa, notaram alguns segundos depois vidros a tilintar e casas a tremer momentaneamente. Esta diferença de tempo explica-se pela enorme discrepância entre a velocidade da luz e a do som: a luz chega praticamente de imediato, enquanto o som - dependendo da altitude do meteoro - pode demorar vários segundos.

Porque é que tão poucos meteoros fazem barulho

A esmagadora maioria dos meteoros consome-se muito mais alto na atmosfera, onde o ar é extremamente rarefeito. A altitudes superiores a 80 km, as ondas sonoras propagam-se mal. O meteoro pode ser visível e brilhante, mas o seu “estrondo” dissipa-se antes de alcançar o chão.

Um fragmento anormalmente grande, como o observado em Ohio, consegue descer muito mais até camadas de ar mais densas. Só aí existem moléculas de ar suficientes para transportar eficazmente o estrondo supersónico. Por isso, um “boom” forte é um indicador claro de que passou um objeto excecionalmente grande.

Satélites detetam a bola de fogo a partir do espaço

O episódio não foi apenas visível a partir do solo. O satélite meteorológico geoestacionário GOES‑19, operado pela agência norte-americana NOAA, registou a assinatura luminosa do meteoro através de um instrumento específico, o Geostationary Lightning Mapper (GLM). Este sistema é usado, normalmente, para detetar relâmpagos em nuvens de trovoada.

A análise dos dados do GLM revelou um impulso luminoso extremamente intenso e breve sobre a região. Pouco depois, o serviço meteorológico regional em Cleveland publicou na plataforma X que as imagens apontavam de forma inequívoca para um meteoro como causa.

Facto Valor
Data 17 de março de 2026
Região Norte de Ohio, EUA
Massa estimada pelo menos 7 toneladas
Velocidade mais de 70.000 km/h
Energia cerca de 250 toneladas de TNT (equivalente)
Principal consequência estrondo supersónico, sem danos graves

Procura de meteoritos na zona de Akron

Quando um bólido deste tamanho explode, existe uma possibilidade real de alguns fragmentos chegarem ao solo. Nesse caso, fala-se de meteoritos. Robert Lunsford, da American Meteor Society, explica que meteoros grandes muitas vezes resistem o suficiente para que pedaços atinjam camadas mais baixas da atmosfera e continuem a queda.

Cálculos sobre a trajetória sugerem que eventuais fragmentos poderão ter caído nas imediações da cidade de Akron, em Ohio. Pouco depois do acontecimento, colecionadores e astrónomos amadores terão começado a vasculhar campos e prados à procura de pedras invulgares.

Quem encontrar um verdadeiro pedaço vindo do espaço segura, literalmente, uma rocha com vários milhares de milhões de anos.

Ainda assim, as probabilidades não são muito elevadas. Meteorologistas consideram que a maior parte do meteoro terá vaporizado por completo ao entrar na atmosfera. O mais plausível é a existência de fragmentos pequenos e bastante alterados. Costumam ter aspeto escuro, sinais de fusão superficial e destacam-se pelo peso em comparação com pedras comuns.

Até que ponto estas bolas de fogo são perigosas?

Para muita gente, a ideia de várias toneladas de rocha cósmica a avançar em direção à Terra a velocidade supersónica soa ameaçadora. No entanto, casos como o de Ohio terminam, na grande maioria das vezes, sem consequências graves. A atmosfera funciona como um escudo natural: abranda os objetos, aquece-os intensamente e acaba por os fragmentar.

Como comparação, o famoso impacto do meteoro de Tcheliabinsk, na Rússia, em 2013 libertou muito mais energia e fez estilhaçar milhares de janelas, causando ferimentos ligeiros em mais de mil pessoas. O bólido sobre Ohio ficou claramente abaixo desse nível e, segundo a informação disponível, não provocou danos sérios.

Ainda assim, investigadores acompanham estes eventos com grande atenção porque fornecem dados valiosos. A partir do brilho, duração, trajetória e som, é possível estimar dimensão, composição e origem. Estes resultados alimentam programas destinados a detetar com antecedência asteroides maiores e potencialmente perigosos.

O que os não especialistas devem saber sobre meteoros, bólidos e meteoritos

Meteoro, bólido, meteoroide, meteorito - os termos parecem semelhantes, mas referem-se a fases distintas do mesmo tipo de objeto:

  • Meteoroide: fragmento de rocha ou metal no espaço, geralmente entre um grão de poeira e um bloco rochoso.
  • Meteoro: o fenómeno luminoso quando um meteoroide entra na atmosfera terrestre e se incendeia.
  • Bólido: meteoro particularmente brilhante, muitas vezes associado a explosão ou a um clarão muito evidente.
  • Meteorito: o que efetivamente chega ao solo.

Quem vir por acaso uma bola de fogo pode ajudar com uma gravação simples no telemóvel ou, pelo menos, com uma indicação precisa de hora e local. Organizações como a American Meteor Society reúnem esses relatos e, a partir deles, reconstroem a trajetória. Quanto melhor a trajetória, mais rigorosa é a delimitação das zonas onde podem existir fragmentos.

O episódio em Ohio mostra como, ainda hoje, o nosso planeta continua a ser influenciado por fenómenos vindos do espaço. Na maioria das vezes, são encontros inofensivos e ao mesmo tempo impressionantes - raros instantes em que a energia do cosmos se torna diretamente percetível, mesmo numa manhã comum de terça-feira a caminho do trabalho.


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