DPOC em destaque no Fórum Saúde Respiratória
A DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica) dominou a manhã de debates no Fórum Saúde Respiratória, realizado no edifício Francisco Pinto Balsemão, no grupo Impresa. Entre os temas mais discutidos estiveram as assimetrias regionais, a literacia em saúde, o peso dos rastreios e do diagnóstico precoce, bem como o acesso à reabilitação respiratória.
Medidas e desafios apontados pela DGS
Cristina Bárbara Caetano, diretora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias da DGS, interveio através de vídeo e enumerou obstáculos que marcam as doenças respiratórias, sublinhando as assimetrias regionais e as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.
A responsável indicou ainda medidas com impacto previsto já para este ano: incentivo à disponibilização de mais espirómetros nas unidades locais de saúde; reforço da intervenção em fases iniciais; expansão do modelo virtual para diagnóstico de apneia do sono; e lançamento de workshops de literacia em saúde dirigidos à população.
No encontro participaram também José Albino, presidente da Respira; José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão; Paula Simão, diretora do serviço de pneumologia da ULS Matosinhos; Bruna Ornelas, diretora regional da saúde da Madeira; Ana Correia de Oliveira, vogal do conselho de gestão do SNS; Paula Pinto, diretora do serviço de pneumologia da ULS Santa Maria; entre outros intervenientes que pode ficar a conhecer aqui.
Conheça as principais conclusões.
Os desafios da DPOC
- Paula Simão lembrou que “a DPOC é um caminho e esse caminho começa cedo”, reforçando a necessidade de investir na literacia e no diagnóstico precoce. Destacou ainda que é fundamental garantir espirometria nos cuidados de saúde primários: os “espirómetros são extremamente baratos”, mas o entrave está na escassez de técnicos com formação específica.
- José Albino considerou que, desde o último Fórum Saúde Respiratória, “não mudou muita coisa”. Referiu que as respostas, quer dos grupos parlamentares quer da DGS, foram “positivas”, porém com “ação muito pouca”. Para Albino, uma prioridade passa por travar as exacerbações (episódios de agravamento dos sintomas) na DPOC.
- “Não fazer o rastreio é um crime”, defendeu José Alves, salientando que a maioria das pessoas com DPOC são fumadores e que a reabilitação respiratória tem impacto real no tratamento. Na mesma linha, Paula Simão afirmou que “todos os doentes deviam ter acesso à reabilitação respiratória”.
O caso da Madeira e as prioridades
- Na Região Autónoma da Madeira, encontra-se em curso uma estratégia regional de rastreio da DPOC. Tem sido reforçada a componente preventiva, com enfoque no tabagismo, e avançou-se com programas de sensibilização e promoção da saúde orientados para os jovens. O rastreio dirige-se à população de risco - fumadores e ex-fumadores entre os 40 e os 74 anos -, embora esteja igualmente disponível para quem reconheça ter fatores de risco. Entre quase 8 mil doentes elegíveis, foram rastreados mais de 1900 na primeira fase de espirometria.
- Entre as prioridades apontadas para o SNS, Paula Pinto destacou o diagnóstico precoce, o papel da vacinação e o investimento em literacia. Ana Correia de Oliveira sublinhou a importância de capacitar os profissionais de saúde, e Paula Duarte referiu as campanhas de prevenção em contexto escolar.
Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver Código de Conduta), sem interferência externa.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário