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MV Hondius: desembarque em Granadilla de Abona após surto de hantavírus

Pessoa com mala a ser examinada com termómetro por profissional de saúde em roupa de proteção num cais perto de um navio de c

Chegada do MV Hondius a Granadilla de Abona (Tenerife)

O navio de cruzeiro MV Hondius, onde foi identificado um surto de hantavírus, entrou no porto de Granadilla de Abona por volta das 6h00. O desembarque só avançou a partir das 9h30, depois de uma avaliação realizada pela equipa médica.

Já com o cruzeiro no porto, uma lancha aproximou-se do "MV Hondius" para retirar o primeiro grupo de pessoas. Todos seguiam com máscaras e fatos completos de proteção sanitária e foram levados para o cais do porto industrial de Granadilla, na ilha de Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias.

Depois de o navio ter ficado ancorado dentro do porto, uma equipa médica do serviço de Saúde Exterior do Governo espanhol subiu a bordo cerca das 7h45 (hora local). Este organismo tem como missão "orgnanizar e garantir a prestação de atenção sanitária" a pessoas em trânsito internacional por Espanha.

Uma longa operação de desembarque

Os primeiros a desembarcar, de acordo com o que a ministra da Saúde, Mónica García, explicou ontem, serão os 14 espanhóis que seguem na embarcação. À chegada ao aeroporto de Tenerife Sul, um avião militar espanhol irá recebê-los na pista para os transportar para Madrid, onde ficarão em quarentena no Hospital Gómez Ulla.

Depois do grupo espanhol, o desembarque dos restantes passageiros será organizado por nacionalidades e em grupos de cinco pessoas. Na ilha já estão posicionados os aviões que os levarão para os respetivos destinos, com a exceção de dois aparelhos que só deverão chegar ao longo deste domingo.

A operação deverá prolongar-se até segunda-feira, cenário que motivou a contestação do Governo das Canárias. O presidente regional, Fernando Clavijo, afirmou que o acordo apontava para uma duração de 12 horas, com conclusão prevista para o final da tarde deste domingo.

Está indicado que os mais de 100 passageiros que continuam a bordo comecem a desembarcar pelas 8h00, num total superior a 100 pessoas que serão repatriadas a partir de um aeroporto da ilha, em aviões de vários países e da União Europeia (UE). Depois de saírem do navio, cada grupo seguirá de imediato para o avião que lhe foi atribuído, com destino ao respetivo país de origem.

Resolução da Marinha Mercante e acolhimento no porto

Face à recusa do Governo das Canárias e da Autoridade Portuária de Tenerife em autorizar a ancoragem em Granadilla, e com o apoio do Governo de Espanha, a Direção-Geral da Marinha Mercante emitiu uma resolução a ordenar a entrada do navio na doca do porto.

Segundo a imprensa local de Tenerife, o documento foi assinado pela diretora-geral da Marinha Mercante, Ana Núñez Velasco, e fundamentado num risco combinado para a segurança marítima e na "necessidade de assistência médica a bordo", em articulação com diferentes organismos do Estado.

No primeiro ponto, a resolução determina que o navio seja acolhido, seja através de ancoragem controlada, seja por atracação direta, dependendo da decisão tomada pelas autoridades responsáveis pela operação sanitária.

Devem manter-se no navio 43 membros da tripulação, que seguirão viagem na segunda-feira até aos Países Baixos, país onde está registada a propriedade do MV Hondius e de onde é o armador.

OMS: contactos de alto risco e casos confirmados

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou no sábado que considera todas as pessoas a bordo do cruzeiro onde foi detetado o surto de hantavírus como "contactos de alto risco", devendo ser acompanhadas durante 42 dias.

A OMS atualizou para seis o número de casos confirmados de hantavírus associados ao navio, num contexto em que foram registadas três mortes. Ainda assim, o diretor da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afastou a hipótese de "uma nova covid", sublinhando que "o risco atual para a saúde pública" continua "baixo".

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