Muitas pessoas gastam mês após mês em champôs, séruns e endurecedores de unhas - e deixam passar o fator mais óbvio: a alimentação. Vários relatos recentes referem que a textura das unhas e do cabelo começou a mudar ao fim de apenas três semanas, simplesmente porque um alimento há muito evitado voltou a fazer parte da rotina.
O que explica unhas mais resistentes e cabelo mais denso de um momento para o outro
Os padrões repetem-se: unhas menos quebradiças, menos quebra do fio, uma sensação mais firme ao passar os dedos pelo comprimento. Sem séruns “milagrosos” novos, sem tratamentos caros de cabeleireiro - a diferença começou no prato.
O estado das unhas, do cabelo e da pele costuma revelar cedo o que está a faltar em vitaminas, minerais e proteínas.
Em termos médicos, unhas, cabelo e a camada mais superficial da pele são muitas vezes agrupados sob a designação de “faneras”. São estruturas em renovação constante. Uma unha da mão demora cerca de meio ano a crescer por completo, mas os primeiros milímetros de uma “nova geração” tornam-se visíveis ao fim de cerca de três a quatro semanas. É precisamente nessa janela temporal que começam a notar-se os primeiros efeitos de uma mudança alimentar.
Enquanto por fora se pinta, se aplica óleo e se usa o secador, por dentro falta muitas vezes a matéria-prima com que se constroem, de facto, cabelo forte e unhas estáveis.
O que a queratina precisa mesmo (unhas e cabelo)
Unhas e cabelo são feitos sobretudo de queratina. Esta estrutura fibrosa forma-se a partir de blocos de construção das proteínas, em especial aminoácidos com enxofre como a cisteína e a metionina. Sem eles, a “obra” fica mal abastecida.
Esses aminoácidos aparecem em abundância em alguns alimentos que, no dia a dia, acabam muitas vezes por ser negligenciados:
- Ovos - autênticas bombas de nutrientes, com proteína, biotina, zinco, selénio e gordura
- Leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e feijão
- Frutos secos, com destaque para as castanhas-do-pará
- Peixe e marisco
Curiosamente, muita gente evita ovos, sobretudo a gema. O receio do colesterol e das “gorduras más” está enraizado e vem de práticas alimentares muito disseminadas nos anos 90. A evidência mais recente é mais matizada: em pessoas saudáveis, um consumo moderado de ovos encaixa, sem problema, numa alimentação equilibrada.
Quem volta a comer ovos inteiros com regularidade, depois de anos, muitas vezes fecha sem dar por isso uma pequena falha crónica de nutrientes - e isso nota-se primeiro nas unhas e no cabelo.
Mesmo dois a três ovos por semana podem fazer diferença quando, durante meses, quase não houve proteína de qualidade e quase nenhuma gema no menu.
Castanhas-do-pará: pequenas, mas com densidade nutricional extrema
As castanhas-do-pará merecem um lugar à parte. Muitas vezes, uma única castanha cobre a totalidade das necessidades diárias de selénio - um oligoelemento que ajuda a proteger as raízes do cabelo do stress oxidativo e participa em processos de crescimento.
Muitas pessoas nunca compram castanhas-do-pará ou só as comem em ocasiões festivas. As justificações tendem a soar semelhantes: “é demasiado gorduroso”, “isso deve engordar”. O resultado costuma não ser uma carência dramática, mas sim uma sub-ingerência prolongada. Pode não aparecer como algo “chamativo” do ponto de vista médico, mas traduz-se em unhas mais secas e cabelo mais frágil.
Zinco: o material de construção subestimado para cabelo mais cheio
Nas drogarias, abundam shots de colagénio, cápsulas de biotina e “sprays de queratina”. No meio de tanta promessa, há um mineral que quase sempre fica para segundo plano: o zinco. No entanto, a qualidade das unhas e do cabelo está muito ligada ao estado do zinco no organismo.
Sinais que podem apontar para falta de zinco:
- pequenos pontos ou manchas brancas nas unhas
- crescimento mais lento das unhas
- queda de cabelo mais intensa ou madeixas a ficarem mais finas
- pequenas inflamações da pele com frequência
As melhores fontes de zinco são sobretudo de origem animal, embora algumas sementes também contribuam.
| Alimento | Particularidade |
|---|---|
| Ostras | teor de zinco muito elevado; pequenas quantidades já contam |
| Carne de vaca | fonte clássica, com boa disponibilidade |
| Sementes de abóbora | opção vegetal; ideal como cobertura em iogurte, granola ou salada |
| Fígado | combinação de zinco, ferro e vitamina A |
Quem come raramente carne, não aprecia marisco e é poupado nos frutos secos pode, sem se aperceber, deslizar para uma carência ligeira. Aqui, um plano semanal simples pode ajudar: por exemplo, uma porção de carne vermelha uma vez por semana, 1 a 2 colheres de sopa de sementes de abóbora por dia e, com regularidade, uma mão-cheia de frutos secos.
Porque a biotina não é a “chave milagrosa”
A biotina teve um boom enorme nos últimos anos. Prateleiras cheias de cápsulas de “pele-cabelo-unhas” dão a entender que este é o segredo. A visão de muitos especialistas é bastante mais pragmática.
Deficiências claras e significativas de biotina são relativamente raras em pessoas com uma alimentação mista habitual. Quem come de forma variada obtém, regra geral, biotina suficiente através de ovos, cereais integrais, frutos secos e legumes. Nesses casos, suplementos em doses elevadas tendem a acrescentar pouco de forma perceptível.
O que conta menos é uma “cápsula milagrosa” isolada e mais a soma diária de proteínas, minerais e vitaminas vindas de alimentos reais.
Porque é que as mudanças surgem ao fim de cerca de três semanas
O corpo humano funciona por ciclos: novas células formam-se, maturam e chegam à superfície. Nas unhas, este mecanismo é especialmente fácil de observar. A zona na raiz produz material continuamente, que vai avançando lentamente.
Quando alguém torna a alimentação subitamente mais rica em nutrientes, está a abastecer melhor essa “linha de produção”. Três a quatro semanas depois, a primeira parte da unha que cresceu sob essas novas condições começa a aparecer: mais compacta, mais lisa, menos quebradiça. Pequenas ranhuras atenuam-se, e a extremidade deixa de partir com tanta facilidade.
O cabelo tem ciclos mais longos, mas a qualidade da fibra também pode melhorar relativamente depressa quando há proteínas, zinco e selénio em quantidade suficiente. Nota-se mais pela redução da quebra e pelo aumento do brilho do que por um aumento imediato do comprimento.
Plano semanal prático para unhas e cabelo mais fortes
Quem percebe, pelas unhas ou pelo cabelo, que algo está a faltar não precisa de começar uma dieta radical. Muitas vezes, bastam ajustes pequenos - mas consistentes.
Três alavancas simples no dia a dia
- Ovos duas a três vezes por semana, de preferência mexidos, em omelete ou cozidos e adicionados a uma salada.
- Uma pequena porção diária de frutos secos, incluindo sem problema 1 a 2 castanhas-do-pará.
- Fontes regulares de zinco: carne de vaca, leguminosas, sementes de abóbora ou, de vez em quando, ostras.
Quem segue uma alimentação mais baseada em plantas deve ser particularmente atento à ingestão de proteína: combinações de leguminosas, cereais integrais e frutos secos fornecem todos os aminoácidos relevantes. Em complemento, produtos fortificados ou suplementos escolhidos de forma criteriosa podem fazer sentido - idealmente após aconselhamento médico ou de um nutricionista.
Quando faz sentido pedir avaliação médica
Se as unhas começam a rasgar de forma acentuada, surgem sulcos transversais ou a queda de cabelo aumenta de modo evidente, uma mudança alimentar pode não ser suficiente. Alterações muito marcadas também podem estar associadas a problemas de tiroide, desequilíbrios hormonais, falta de ferro ou processos autoimunes.
Sinais de alerta para procurar aconselhamento:
- zonas sem cabelo a aumentar rapidamente no couro cabeludo
- unhas a mudar de cor ou a descolar do leito ungueal
- cansaço evidente, tonturas ou palpitações, a par de alterações no cabelo e nas unhas
Análises laboratoriais ajudam a clarificar o estado do ferro, zinco, selénio, parâmetros da tiroide e níveis vitamínicos. Só depois é possível decidir se os suplementos fazem sentido ou se existe outra causa por detrás.
Porque os produtos de cuidado continuam a ter lugar
Mesmo com a alimentação bem ajustada, não se elimina “por magia” a necessidade de cuidados externos. O calor do secador ou da prancha, removedores de verniz agressivos e lavar as mãos muitas vezes desgastam mecanicamente unhas e cabelo - independentemente do quão bem nutridos estejam por dentro.
Por isso, faz sentido combinar cuidados internos e externos:
- champôs e amaciadores suaves, sem tensioativos extremamente desidratantes
- sprays de proteção térmica antes de pentear/alisar
- óleos para unhas ou cremes gordos após lavar as mãos
- limar com suavidade em vez de cortar de forma agressiva ou arrancar
A diferença está no seguinte: quando a nutrição interna é levada a sério, há menos necessidade de gastar em promessas “espetaculares” no rótulo, e os benefícios de produtos simples e consistentes tornam-se muito mais visíveis.
Como voltar a integrar o alimento “proibido”
Muitas pessoas que referem as mudanças nestas experiências tinham eliminado durante anos um alimento base - por exemplo, ovos ou carne vermelha. Com o tempo, esse alimento foi reaparecendo na semana: primeiro com cautela, depois de forma natural.
Para recomeçar sem choque, ajuda ir devagar: um ovo cozido pouco tempo ao domingo, uma omelete como jantar rápido, ou um chili com feijão e um pouco de carne picada. Quem tem preocupações com colesterol, calorias ou digestão pode confirmar valores com o médico e avançar de forma gradual.
Unhas e cabelo não mudam em 24 horas, mas costumam indicar com bastante fiabilidade se a direção está certa. Três semanas são frequentemente suficientes para perceber se o corpo está a reagir bem a esse “novo velho” alimento - ou se ainda é preciso ajustar outras variáveis.
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