Quem em março pega na pá e na colher de transplantar está a preparar o terreno para um longo fogo-de-artifício de flores, de junho até ao outono. As plantas bolbosas de floração estival aproveitam os solos ainda húmidos e os dias que vão crescendo para criar raízes vigorosas - e retribuem com caules mais firmes, cores mais intensas e uma floração claramente mais abundante.
Porque é que março é um pequeno truque para bolbos de verão
Em março, o jardim ainda parece meio adormecido. No entanto, debaixo da superfície já arranca o “programa” da estação quente. Depois do inverno, a terra mantém boa humidade e, ao mesmo tempo, a temperatura começa a subir devagar. É precisamente esta combinação que agrada a muitos bolbos e tubérculos que florescem no verão.
"Wer seine Sommerblüher im März setzt, verschafft ihnen einen zeitlichen Vorsprung – das zahlt sich in Hitzeperioden mit robusteren Pflanzen und mehr Blüten aus."
Em zonas de clima ameno ou em contexto urbano, é possível plantar logo no início do mês. Já em áreas mais frias, em altitude mais elevada ou em locais típicos de acumulação de frio e geada, é melhor apontar para mais tarde - a partir do fim de março ou em abril. Nesses casos, as espécies mais sensíveis podem ser iniciadas primeiro em vaso, abrigadas sob um telheiro, e só depois passadas para o canteiro.
Como ter bolbos que no verão crescem a sério
O passo decisivo acontece antes mesmo de sair para o jardim: escolher bem o material de plantação. Bolbos e tubérculos devem estar firmes, sem zonas moles, e sem bolor nem partes apodrecidas. Exemplares rebentados, esponjosos ou muito enrugados devem ir diretamente para o lixo orgânico.
O solo certo faz toda a diferença
Os bolbos de floração estival não gostam de ficar encharcados. A água parada faz com que apodreçam antes de se ver o primeiro rebento. O ideal é uma terra solta e bem drenada, que não permaneça saturada durante dias após a chuva.
- Em solos argilosos e pesados, misturar areia e composto para soltar
- Em zonas húmidas, optar por canteiros ligeiramente elevados ou canteiros em camalhão
- Incorporar composto, mas evitar estrume fresco
- Em vasos, prever uma camada de drenagem espessa com argila expandida ou brita
Quanto à profundidade, vale uma regra simples: colocar o bolbo a cerca de 2,5 a 3 vezes a sua altura. Assim, um tubérculo com 5 centímetros de altura fica a cerca de 12 a 15 centímetros de profundidade. A ponta deve ficar voltada para cima; no caso de tubérculos mais achatados, assentam-se “deitados”, de forma uniforme.
Depois de plantar, regar bem para que a terra assente à volta do bolbo. A seguir, basta manter o solo moderadamente húmido - é preferível regar menos vezes, mas em profundidade, do que estar sempre a “molhar por cima”.
Proteção contra geadas tardias e vento
Em março, o tempo continua imprevisível. As geadas noturnas são frequentes e um vento frio de leste pode secar depressa rebentos jovens. Para jogar pelo seguro, tenha à mão uma manta de proteção (velo) ou um lençol velho, para cobrir durante a noite os rebentos recentes quando estiverem previstas descidas acentuadas de temperatura.
Variedades altas, como muitas dálias ou gladíolos, beneficiam de uma estaca colocada logo na plantação. Assim evita-se ter de a instalar mais tarde - e, sobretudo, evita-se ferir as raízes.
Sete clássicos de bolbos que dão espetáculo no verão
Com a seleção certa, a época de floração pode estender-se bastante - do início do verão até às primeiras geadas noturnas. As sete espécies seguintes são consideradas particularmente fiáveis e, mesmo sem experiência profissional, são relativamente fáceis de gerir.
| Espécie | Época de floração (aprox.) | Exposição |
|---|---|---|
| Dália | julho a outubro | sol, solo rico em nutrientes |
| Lírio | junho a agosto | meia-sombra a sol, rico em húmus |
| Begónia (begónia tuberosa) | julho até ao outono | meia-sombra, solto e humoso |
| Gladíolo | verão | sol, bem drenado |
| Canna | julho até ao outono | sol quente, muito rico em nutrientes |
| Crocosmia | julho a setembro | sol a meia-sombra |
| Agapanthus (lírio-do-Nilo) | julho a agosto | sol, vaso ou canteiro protegido |
Dálias: explosão de cor até ao outono
As dálias estão entre as floríferas estivais mais agradecidas. Plantadas em março ou abril, arrancam com vigor e, se forem regularmente desbastadas (retirando as flores murchas), podem manter-se em flor até outubro. Preferem sol pleno e um solo profundo e fértil. Ao colocar os tubérculos ligeiramente inclinados, reduz-se o risco de acumulação de água no “colo” da planta.
Em regiões mais frias, muitos jardineiros iniciam as dálias em baldes ou vasos, num espaço sem geada, e só as colocam no exterior depois dos Santos de Gelo. Isto pode antecipar ainda mais a floração.
Lírios: perfume e altura no canteiro de perenes
Os lírios oferecem hastes florais elegantes e, muitas vezes, um perfume intenso. O ponto essencial: a terra deve ser solta e rica em húmus, e os bolbos não podem ficar em solo demasiado húmido. Muitas variedades adaptam-se bem a um local de meia-sombra. A lógica de “pé fresco, cabeça quente” resulta: sombreia-se a base com coberturas de solo, mas deixa-se a parte das flores receber sol.
Begónias tuberosas: pontos de luz para cantos mais sombrios
Quem tem uma varanda sombreada ou um canteiro voltado a norte não precisa de abdicar das flores de verão. As begónias tuberosas, com flores grandes e muitas vezes dobradas, criam destaques fortes em cestos suspensos, floreiras ou canteiros baixos. Os tubérculos colocam-se pouco fundos, apenas ligeiramente cobertos de terra, e pedem um solo uniformemente húmido, mas apenas ligeiro.
Gladíolos: ideais para ramos do próprio jardim
Os gladíolos destacam-se pelas espigas altas, em quase todas as cores. Para evitar que o vento dobre as hastes, compensa colocar a estaca cedo. Um local soalheiro, tendencialmente mais seco, e uma plantação relativamente profunda ajudam a obter plantas estáveis. Se plantar um pequeno lote de tubérculos de duas em duas semanas, prolonga a floração de forma notória.
Cannas, crocosmias e lírios-do-Nilo: exotismo no canteiro
As cannas trazem um ar de férias ao terraço e ao jardim da frente. Folhagem robusta, muitas vezes vermelha ou com padrões, e flores vivas exigem muita nutrição: composto, farinha de chifre e, em vasos, adubação líquida regular. Gostam de sol e de locais abrigados do vento.
As crocosmias formam panículas florais elegantes, ligeiramente arqueadas, em tons de laranja e vermelho. Encaixam bem em jardins de inspiração natural e preferem sítios soalheiros e bem drenados. Em zonas de inverno mais rigoroso, compensa proteger com uma camada de folhas secas e ramos finos.
O lírio-do-Nilo, frequentemente cultivado em vaso, tem um aspeto quase mediterrânico com as suas grandes bolas azuis. Aprecia vasos mais apertados, substrato drenante e muito sol. No inverno, deve ficar resguardado do gelo; no verão, um local junto a uma parede da casa ou no terraço costuma ser suficiente.
Dicas práticas para uma floração longa e rica
Quem não quer andar a plantar de novo durante o verão, ganha em seguir algumas rotinas simples. Espécies que se naturalizam, como algumas crocosmias, podem permanecer mais tempo no canteiro; já tubérculos sensíveis ao frio, como dálias, cannas ou muitos gladíolos, devem ser retirados no outono e guardados sem geadas, por exemplo na cave, para invernar.
A limpeza regular das flores murchas - isto é, cortar as cabeças já passadas - evita que a planta gaste energia a formar sementes. Em vez disso, incentiva o aparecimento de novos botões. Um adubo com mais potássio ajuda a ter caules firmes e uma floração intensa, enquanto o excesso de azoto favorece sobretudo a massa foliar.
Riscos, erros comuns e como os evitar
Os problemas mais frequentes nascem de dois fatores: humidade e frio. A podridão causada por solos encharcados e os danos de geadas tardias em rebentos novos reduzem-se bastante com um substrato drenante, canteiros ligeiramente elevados e uma simples manta de proteção. As lesmas adoram rebentos tenros, sobretudo de dálias. Colares anti-lesmas colocados cedo ou barreiras de fita de cobre protegem variedades mais sensíveis.
Outro aspeto é a disposição no canteiro. As espécies mais altas devem ficar atrás e as mais baixas à frente, para que nada fique tapado. Se tiver em conta as alturas logo no momento da plantação, evita mudanças posteriores e remendos.
Como combinar bolbos de verão de forma inteligente
A coisa torna-se realmente interessante quando estas sete espécies não são usadas isoladamente, mas planeadas em conjunto com perenes ou anuais. As dálias ficam muito bem com sálvia ornamental ou cosmos; os lírios, com alquemila e erva-dos-gatos. As cannas combinam de forma excelente com gramíneas, que reforçam o seu efeito exótico.
Para uma floração em sequência, vale a pena juntar lírios mais precoces com dálias e gladíolos que abrem mais tarde. Assim, o canteiro mantém-se atrativo de junho até ao outono. E tudo começa com um gesto pouco vistoso: alguns tubérculos e bolbos discretos que entram na terra em março - e que, em pleno verão, fazem a grande entrada.
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