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Mercedes-Benz Classe G elétrico: ao volante do G580 100% elétrico, primeiras impressões

SUV Mercedes-Benz G560 EV azul estacionado em showroom com luzes dianteiras acesas.

Um Mercedes-Benz Classe G elétrico parecia daquelas ideias que só fazem sentido no papel - até o vermos (e sentirmos) a acontecer.

Durante décadas, o Classe G foi sinónimo de presença, força e uma identidade tão vincada que se reconhece a metros de distância. Agora, com o G580 100% elétrico, a Mercedes-Benz pega nesse mesmo ícone e troca o combustível fóssil por eletricidade, sem pedir licença a preconceitos ou tradições.


Ícone. É assim que a Mercedes-Benz lhe chama - e não há muito a discutir. Tal como o Porsche 911, a Toyota Hilux ou o Volkswagen Golf, entre outros, o Classe G atravessou várias gerações e identificamo-lo em frações de segundo. Seja um dos primeiros, produzido no final dos anos 70, ou o Mercedes-Benz G580 100% elétrico que tive a oportunidade de conduzir.

Com esta nova geração do Mercedes-Benz Classe G, a grande novidade é mesmo a chegada de uma variante 100% elétrica. Algo que, à partida, parece quase inconcebível num modelo como este. A verdade é que passou à produção em série - e na mesma linha de produção de todos os outros. Ou seja, no “templo sagrado” que é a fábrica austríaca de Schöckl, onde são produzidas (precisamente) 40 mil unidades deste modelo todos os anos.

O Diogo Teixeira já tinha conduzido este Classe G elétrico em maio, dizendo que tinha tudo para resultar, e o Guilherme Costa voltou a conduzi-lo em agosto, no G-Class Experience Center, testando as capacidades do modelo com todos os tipos de motorização. Elétrico incluído.

Mesmo assim, depois de tudo o que eles me disseram, confesso que um Classe G 100% elétrico continua a ser algo que me custa imaginar por completo. Nem sequer consegui evitar contar os dias até à apresentação ibérica desta nova geração (W465), onde havia uma destas unidades à minha espera.

Os temas mais “sérios” já foram abordados em artigos e vídeos anteriores, por isso não me sobra muito por acrescentar. Ficam apenas as minhas primeiras impressões ao volante, além de tudo o que já tinha lido.

Algures numa cave quase secreta de umas instalações da marca alemã, a poucos quilómetros de Madrid, estavam estacionadas menos de 10 unidades do G - com os motores de combustão em minoria.

Quais as diferenças?

O “meu” Geländewagen (veículo de todo-o-terreno, traduzido à letra) era um G580 Edition One, a versão de lançamento mais exclusiva e equipada, produzida apenas durante um ano e que não voltará à linha de produção. Em Portugal, existem 17 unidades, e algumas ainda sem proprietário - por isso, nada de ficar à espera da “melhor oportunidade”.

Além do pacote visual da AMG e das pinças dos discos de travão em azul, é um Classe G. A traseira, no entanto, dispensa a caixa com a roda suplente (disponível em opção) e passa a contar com uma solução de desenho mais moderno, pensada para guardar ferramentas e os cabos de carregamento.

Menos óbvias são as alterações feitas para melhorar a aerodinâmica - que nunca foi um dos grandes trunfos do Classe G e que é essencial num automóvel elétrico. Há jantes com novo desenho, um capô mais elevado, pilares mais estreitos (embora mais rígidos), um spoiler na zona superior do para-brisas e até uma nova entrada de ar no para-lamas traseiro.

Para garantir uma excelente capacidade de tração às quatro rodas, a solução foi “simples”: quatro motores elétricos (!), um junto de cada roda, capazes de debitar 1116 Nm de binário e 587 cv de potência combinada.

Na versão 100% elétrica, o chassis mantém-se de longarinas, sendo que o espaço disponível fica quase totalmente ocupado pelos 12 módulos de bateria, que colocam a capacidade máxima em 116 kWh. O maior problema é que, para acomodar tudo isto, o peso total passou das três toneladas: 3085 kg.

Um Classe G, sem dúvida

Para entrar no habitáculo, é preciso passar pelo logótipo que confirma a aprovação desta unidade nas instalações de Schöckl e bater a porta com vontade, para que feche à primeira - como é obrigatório em todos os G. Faz parte do ritual.

Depois, a sensação é mais familiar, porque esta nova geração já traz toda a tecnologia mais recente dos modelos Mercedes-Benz. Não falta a última atualização do MBUX, o “capô transparente” e, no caso da Edition One, o sistema de som Burmester e um esforço extra para melhorar a acústica a bordo.

Ao volante do Geländewagen

Mas eu quero mesmo é conduzir este novo Mercedes-Benz G580 e não ficar só a olhar para ele. Depois de ligar o motor - perdão, o sistema - o único som que oiço lembra um G63 (a sério), mas num volume mais contido.

Sim, continua a ser um som falso, eu sei, criado especificamente para esta versão e não um V8 “a sério”. Ainda assim, ao sair da rampa da garagem onde me encontrava, os meus ouvidos gostaram bastante da melodia: um nível de decibéis cativante, com o dom de não acordar os vizinhos.

Em estrada, como seria de esperar, o silêncio domina, tal como na maioria dos elétricos e, mesmo com três toneladas de G, o binário está sempre pronto. Ao volante, a sensação de que vamos sentados num terceiro andar mantém-se intacta, com o para-brisas a uma distância da cara a que já não estamos habituados nos carros modernos.

Podemos sair do asfalto?

A organização do evento tinha preparado uma boa dose de adrenalina ao volante do Mercedes-Benz G580, mas a meteorologia não jogou a nosso favor. Uns dias antes do nosso grupo, a chuva fez com que algumas zonas do percurso previsto ficassem inseguras para atravessar, mesmo ao volante do Classe G, pelo que fizemos apenas as mais “convencionais”.

Ainda assim, “convencionais”, para o Classe G, inclui o leito de um rio, transposição de ribeiros, estradas com árvores caídas, subidas, descidas, estradões de terra batida e curvas apertadas. Neste caso, algumas das que obrigavam a uma boa dezena de manobras - não fosse a presença da nova função G-Steering.

Lembram-se daquele componente mecânico muito antigo, que também facilitava diversas manobras e ao qual chamávamos travão de mão? Pois bem, o G-Steering faz praticamente o mesmo, ao bloquear a roda interior da curva, forçando a traseira a deslizar e a dianteira a apontar para onde queremos ir. Logo à primeira.

A segunda novidade desta nova opção é o G-Turn, que já vimos em vídeos anteriores e só é possível com este sistema elétrico de quatro motores. Com as rodas de um lado a rodar num sentido e as do lado oposto a rodar no sentido inverso, o Mercedes-Benz G580 consegue rodar sobre si mesmo, dando duas ou três voltas, mas, mais importante, é capaz de fazer uma inversão de marcha quando o espaço disponível é mínimo.

Em estradas de terra batida, com boa visibilidade e sem trânsito, consegui exagerar na aceleração e explorar a tração deste sistema elétrico. Sente-se facilmente que há mais de três toneladas em movimento, mas a diversão está garantida - mesmo a velocidades mais lentas do que a andar a pé, mas por caminhos onde é quase impossível um ser humano passar.

A melhor surpresa

Por norma, esta é a parte que costumo guardar para o fim, ainda que nem sempre pelas melhores razões. Mas no caso do Classe G 100% elétrico, foi mesmo uma boa surpresa. É que este G580 passa a ser a versão de acesso à gama, a cerca de 25 mil euros de distância do G500 a gasolina e do G450d com motor Diesel.

E nem vale a pena falar no G63 AMG porque, com o valor dessa versão, podíamos comprar um Mercedes-Benz G580 e ainda sobravam mais de 115 mil euros para opcionais. Ou para um CLE Coupé da AMG, caso nos apetecesse um modo de condução mais dinâmico. As exclusivas versões Edition One, que acrescentavam cerca de 50 mil euros ao valor base desta versão devido à quantidade de equipamento adicional, já não são produzidas.

Depois de umas boas dezenas de quilómetros ao volante do novo Mercedes-Benz Classe G580 100% elétrico, aquilo que foi dito pelo Diogo e pelo Guilherme encaixa na perfeição. O G continua a ser um G, mesmo movido a eletricidade e não a combustível fóssil, com toda a sua essência e história. E o único motivo que me continua a impedir de comprar um para mim é o mesmo de sempre: a minha conta bancária.

Veredito

Especificações técnicas

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