Saltar para o conteúdo

Portugal: primeiro teste completo do Novo Mitsubishi Eclipse Cross EV

Carro elétrico vermelho Mitsubishi Eclipse EV estacionado em espaço interior moderno e luminoso.


Há regressos que só fazem sentido quando alguém sabe escolher bem os parceiros. A Mitsubishi voltou aos 100% elétricos e, desta vez, não tentou reinventar a roda - foi buscar à Renault a base certa para acelerar o passo na Europa.

A marca francesa está numa fase muito forte em termos tecnológicos e a Mitsubishi decidiu - com acerto - aproveitar essa “boleia” dentro da Aliança para inverter, rapidamente, o rumo que a tinha empurrado para fora do mercado europeu. O Eclipse Cross EV é um dos resultados mais recentes desse entendimento.

É por isso que, enquanto os modelos desenvolvidos de raiz pela Mitsubishi não chegam, a gigante japonesa continua a apoiar-se na tecnologia da Renault. Este Mitsubishi Eclipse Cross EV é um dos últimos exemplos deste casamento improvável.

Toda a gente conhece um casal assim: ninguém apostava muito, mas no fim funciona. O novo Mitsubishi Eclipse Cross EV é filho de uma relação dessas.

Não liguem às más-línguas

O Eclipse Cross EV é, na prática, uma cópia muito direta do Renault Scenic E-Tech. É um facto - e até pode ser um elogio. O francês é dos elétricos mais completos do segmento e o Mitsubishi Eclipse Cross segue exatamente esse caminho.

Há quem ache que não devia haver “misturas”, como se a Renault fosse uma marca menor. Em França, provavelmente riem-se, enquanto dão lustro a títulos em várias modalidades e somam vendas por esse mundo fora.

É verdade que a Mitsubishi, no seu todo, representa 10% do PIB japonês. Mas estamos a falar de duas marcas históricas que podem - e devem - encarar-se de igual para igual. Dito isto, voltemos ao protagonista deste teste.

Mas se tiverem saudades dos Mitsubishi de outros tempos, também temos solução:

Eclipse Cross EV tem tudo no sítio certo

Por fora, a Mitsubishi conseguiu dar uma assinatura própria ao novo Eclipse Cross 2026. Há vários detalhes específicos e a ligação imediata ao irmão gémeo francês não é tão óbvia - e isso é uma boa notícia. No interior, a história muda.

Com exceção do volante, é tudo igual. Igualmente espaçoso, igualmente bem montado, igualmente bem equipado e igualmente tecnológico.

A qualidade percetível é alta, embora existam mais materiais rígidos no topo dos painéis das portas e no tabliê, por exemplo. Em contrapartida, os pilares dianteiros e outros elementos forrados em tecido, bem como o revestimento nas bolsas das portas, ajudam a equilibrar: no geral, o interior é agradável.

No infotainment, volta a estar presente o sistema desenvolvido em parceria com a Google. É rápido e intuitivo. Usar as mesmas aplicações do dia-a-dia é uma grande ajuda para quem não é fã de tecnologia, mas gosta de tirar partido dela.

Além disso, este sistema tem outro ponto forte: está preparado para o futuro. Graças às atualizações OTA (over-the-air), os utilizadores ficam com a versão mais recente e muitos dos erros que possam surgir acabam por ser corrigidos.

Mas não é só isso. Para lá das apps da Google, existem outras que mostram com precisão o que está a consumir energia e como é possível otimizar as médias. Basta ligar o aquecimento do volante, por exemplo, para o sistema o identificar, contabilizar no gasto energético e refletir isso nas “contas” da autonomia máxima estimada.

Então e o espaço

Em matéria de espaço, como já tinha referido, não há motivo de queixa. Há folga tanto nos lugares dianteiros como nos traseiros, onde é possível seguirem três adultos. A bagageira também é generosa: 545 litros, que podem crescer para 1670 litros com os bancos traseiros rebatidos.

À frente, debaixo do capô, não há frunk, como tenho encontrado noutros 100% elétricos. Para compensar, existe um elemento lateral na bagageira para arrumar os cabos de carregamento e um espaço bastante fundo por baixo do piso da bagageira.

Ao volante, o Mitsubishi Eclipse Cross conquista sobretudo pela boa posição de condução. Não é um devorador de curvas, mas é um SUV elétrico suficientemente rápido quando estou atrasado e confortável quando vou sem pressa - ou com a família.

Mesmo com os “conflitos” de nacionalidade - logótipo japonês e tecnologia francesa - a suspensão ainda introduz um terceiro ingrediente. Em piso perfeito ou mais degradado, a afinação parece firme, mas sem penalizar o conforto.

Elétrico de voltagem “simples”

No Eclipse Cross, temos um único motor elétrico, sob o capô, a tracionar as rodas dianteiras. A potência máxima é de 162 kW (220 cv) e a marca anuncia uma velocidade máxima de 170 km/h e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 7,9 s. Sente-se rápido e é rápido.

A alimentar o sistema está uma bateria com 87 kWh de capacidade (útil) que, segundo a Mitsubishi, permite uma autonomia máxima de 625 km em ciclo combinado. Durante este ensaio, não tive grande dificuldade em perceber que os consumos são contidos.

Com uma utilização realmente moderada, os valores de consumo ficam por volta dos 16,3 kWh/100 km - a marca declara uma média de 16,8 kWh/100 km em percurso combinado.

Já as tiradas em autoestrada sobem este valor em cerca de 1,5 kWh/100 km, porque quase não há momentos de regeneração de energia. Ainda assim, os modos de condução ajudam a otimizar este ponto.

Com o modo “Eco” selecionado, a velocidade máxima nem chega aos 120 km/h e não são permitidas acelerações bruscas. No Comfort, tudo fica em parâmetros intermédios, e no Sport é que a resposta ao acelerador se torna mais imediata.

A maior parte do tempo acabei por circular em Comfort e com o modo “One Pedal Drive” ativo, usando apenas o pedal da direita grande parte do tempo. Neste modo, a regeneração é a mais “bruta”, mas existem mais três níveis além deste e ainda o modo de “roda livre”, sem regeneração.

Eclipse Cross sem contas de cabeça

A Mitsubishi tentou simplificar ao máximo o momento da compra. Para começar, em vez de vários níveis de equipamento e uma lista longa de opcionais, a gama do Mitsubishi Eclipse Cross tem apenas uma versão: a Intense.

O equipamento de série segue a mesma lógica. Praticamente tudo o que vê no modelo das imagens está incluído em todos os Eclipse Cross EV. Não falta uma extensa lista de sistemas ADAS (ajuda ao condutor), nem itens mais “premium” como o volante em pele com aquecimento, por exemplo.

Na vertente tecnológica, posso contar com os serviços do Google (com navegação incluída), compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay, carregador por indução para o telemóvel e várias tomadas USB-C. Tudo incluído de série.

Os opcionais ficam praticamente reduzidos à cor da carroçaria, que pode, ou não, ser combinada com tejadilho em negro. Na configuração online, são ainda sugeridos os estofos em pele, mas, honestamente, não fazem falta. Os acabamentos em tecido dos bancos combinam com vários elementos do habitáculo e parecem ser a escolha ideal para este SUV.

Falta o preço, certo? Sem mais demoras, o Mitsubishi Eclipse Cross 100% elétrico custa 44 500 euros. E, segundo a marca, é “chave na mão”, sem asteriscos nem outras surpresas. Se ainda conseguir estar entre os primeiros 50 clientes a escolher o novo modelo da marca nipónica, este valor desce para 43 mil euros. Ou seja, o mesmo que é proposto aos clientes empresariais (34 960 € + IVA).

Veredito

Especificações técnicas

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário