Trump reclama vitória e exige acordo de paz
Donald Trump declarou que a resposta dos Estados Unidos a um ataque iraniano contra contratorpedeiros norte-americanos no Estreito de Ormuz, na quinta-feira, foi bem-sucedida, e pressionou Teerão a fechar rapidamente um acordo de paz - sob ameaça de novas derrotas com “mais força e violência”.
Depois de Teerão ter acusado Washington de violar o cessar-fogo em vigor - alegando que atacou os navios dos EUA como retaliação por ataques a embarcações civis - Trump recorreu às redes sociais para garantir que os três contratorpedeiros “transitaram, com grande sucesso, pelo Estreito de Ormuz, sob fogo inimigo”, sem quaisquer danos.
Segundo Trump, os atacantes iranianos “foram completamente destruídos, juntamente com inúmeras embarcações mais pequenas, que estão a ser utilizadas para substituir a frota iraniana, que foi totalmente dizimada”.
Acrescentou que, para lá das embarcações que se “afundaram no fundo do mar, rápida e eficientemente”, os mísseis disparados contra os contratorpedeiros foram “facilmente abatidos” e os “drones” foram “incinerados em pleno ar”.
"Um país normal teria permitido a passagem destes contratorpedeiros, mas o Irão não é um país normal. São liderados por LUNÁTICOS, e se tivessem a hipótese de usar uma arma nuclear, fá-lo-iam sem hesitação - mas nunca terão essa oportunidade e, tal como os derrotámos hoje, derrotá-los-emos com muito mais força e violência no futuro, se não assinarem o acordo RAPIDAMENTE!", instou.
Os três contratorpedeiros, adiantou, vão agora juntar-se ao bloqueio naval aos portos iranianos, “que é verdadeiramente uma "Muralha de Aço"”.
Estreito de Ormuz e bloqueios em curso
Teerão mantém bloqueado o Estreito de Ormuz - uma rota marítima crucial para o comércio mundial de combustíveis fósseis - desde 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra a República Islâmica que já provocou milhares de mortos, sobretudo no seu território e no do Líbano, e que abalou a economia global.
Do lado norte-americano, continua em vigor o bloqueio aos portos iranianos, decretado a 13 de abril, cinco dias depois de entrar em vigor um cessar-fogo.
Nos últimos dias, Teerão afirmou estar a avaliar as propostas mais recentes apresentadas por Washington para pôr termo à guerra.
Cessar-fogo e a “pequena provocação”, segundo Trump
Na sequência dos acontecimentos de quinta-feira, Trump disse à ABC que o cessar-fogo no Irão "continua em vigor", e que se tratou apenas "uma pequena provocação".
"Não, não, o cessar-fogo continua. Está em vigor", frisou Trump à ABC, em declarações por telefone.
Versão do Centcom sobre os ataques
O Comando Central norte-americano (Centcom) afirmou, na quinta-feira, que forças dos EUA atacaram instalações militares iranianas depois de três dos seus navios terem intercetado ataques enquanto cruzavam o Estreito de Ormuz com destino ao Golfo Pérsico.
"As forças norte-americanas intercetaram ataques iranianos não provocados e responderam com ataques defensivos enquanto os contratorpedeiros de mísseis guiados da Marinha transitavam pelo Estreito de Ormuz em direção ao Golfo Pérsico", escreveu o Centcom, responsável pela região do Médio Oriente, nas redes sociais.
De acordo com o Centcom, os ataques contra os contratorpedeiros USS Truxtun, USS Rafael Peralta e USS Mason envolveram “mísseis, drones e pequenas embarcações”, enquanto, em Teerão, o comando militar acusava Washington de ter violado o cessar-fogo.
Ainda segundo o comando norte-americano, as Forças Armadas dos EUA “neutralizaram as ameaças e visaram instalações militares iranianas responsáveis pelos ataques contra as forças norte-americanas, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, centros de comando e controlo e bases de inteligência, vigilância e reconhecimento”.
Teerão acusa Washington de violar o cessar-fogo
Em Teerão, o Comando das Forças Armadas confirmou anteriormente ter atacado navios militares norte-americanos no Estreito de Ormuz, mas sustentou que a acção foi uma resposta a um ataque contra navios iranianos.
As forças armadas dos Estados Unidos, “violando o cessar-fogo, alvejaram um petroleiro iraniano que deixava a costa iraniana (...), para o Estreito de Ormuz, bem como outra embarcação que entrava no estreito, perto do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos”, afirmou o Comando das Forças Armadas Khatam Al-Anbiya, citado pelo canal de televisão IRIB.
De acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim, o porta-voz acusou também Washington de ter atacado “zonas civis na costa do porto de Khaur Mir, Sirik e da Ilha de Qeshm”, sublinhando que estas acções foram conduzidas “em colaboração com alguns países da região”.
Por seu lado, as Forças Armadas iranianas disseram ter reagido “imediatamente, atacando navios militares norte-americanos no Estreito de Ormuz, a leste, e a sul do porto de Chabahar, infligindo danos significativos”, acrescentou a mesma fonte, num comunicado divulgado pela televisão estatal.
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