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40 passageiros do MV Hondius desembarcam em Santa Helena após surto de hantavírus

Homem com mala tem temperatura medida por técnico com traje de proteção no porto, cruzeiro ao fundo.

Desembarque em Santa Helena após o surto no MV Hondius

Cerca de 40 passageiros do navio de cruzeiro afetado por um surto mortal de hantavírus desembarcaram na ilha de Santa Helena depois de se ter registado a primeira morte a bordo, indicaram esta quinta-feira as autoridades dos Países Baixos.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Haia, as 40 pessoas - entre as quais a mulher do cidadão neerlandês que morreu durante a viagem - saíram do navio, que arvora pavilhão neerlandês, durante a escala em Santa Helena, território ultramarino britânico no Atlântico, antes de a embarcação chegar a Cabo Verde.

Entre os passageiros que deixaram o cruzeiro estava a cidadã neerlandesa que viria a ser hospitalizada na África do Sul e o cidadão suíço que também recebeu tratamento.

A empresa neerlandesa responsável pela operação do navio já tinha referido que a mulher do primeiro doente a morrer a bordo abandonou o cruzeiro em Santa Helena para acompanhar o corpo do marido. Mais tarde, seguiu para a África do Sul num voo comercial e acabou por morrer depois de adoecer em Joanesburgo.

Ainda assim, a companhia não tinha informado da saída de outros passageiros em Santa Helena.

Na quarta-feira soube-se que um homem que tinha desembarcado do cruzeiro em Santa Helena e viajado para casa estava internado com hantavírus na Suíça.

As autoridades neerlandesas dizem não saber onde se encontram os restantes passageiros que desembarcaram naquela altura. Na África do Sul e na Europa, as autoridades de saúde estão a tentar identificar e localizar contactos de quaisquer passageiros que tenham abandonado o cruzeiro.

Transferências médicas e rastreio associado ao MV Hondius

Avião com doente desviado para as Canárias

O doente com sintomas de infeção por hantavírus, que desde quarta-feira se encontrava num avião comercial retido na Gran Canária, foi transferido para Amesterdão numa aeronave adaptada para transporte médico, disse à Lusa uma fonte oficial espanhola.

De acordo com a mesma fonte, o avião comercial que permaneceu na ilha espanhola da Gran Canária partiu posteriormente "sem passageiros ou doentes a bordo", levando apenas a tripulação. A aeronave fez uma escala técnica em Valência para reabastecer e seguiu depois para Roterdão, nos Países Baixos. "A operação está a ser realizada em conformidade com os protocolos de saúde e segurança estabelecidos, em coordenação com as autoridades competentes e a companhia aérea responsável pela transferência", acrescentou a fonte governamental espanhola.

O doente tinha sido retirado do navio de cruzeiro MV Hondius apresentando sintomas de infeção por hantavírus.

A paragem nas Canárias não estava originalmente prevista. O itinerário definido era voar da Cidade da Praia, em Cabo Verde, para Amesterdão, com escala de reabastecimento em Marraquexe, Marrocos. Contudo, na tarde de quarta-feira, o voo foi desviado para a Gran Canária porque Marrocos não autorizou a aterragem. Já em Gran Canária, a tripulação comunicou uma falha elétrica no sistema de suporte de vida de um dos doentes, situação que obrigou a reparações e atrasou a partida durante várias horas.

A Delegação do Governo nas Canárias esclareceu, também na quarta-feira, que toda a operação foi autorizada com a condição de que ninguém embarcasse ou desembarcasse da aeronave enquanto esta permanecesse na pista.

O Governo das Canárias propôs a criação de uma zona de isolamento sanitário para permitir que o avião retomasse o plano de voo, mas o Ministério da Saúde de Espanha recusou essa solução.

No final, a tripulação e os dois doentes tiveram de esperar pela chegada de uma aeronave médica, vinda do norte da Europa, para que a transferência fosse feita com as condições de segurança exigidas.

Doentes retirados para a Europa

Dias depois, um cidadão britânico foi retirado do navio para a África do Sul. Já na quarta-feira, três pessoas - incluindo o médico do cruzeiro - foram evacuadas quando a embarcação se encontrava ao largo de Cabo Verde e foram levadas para a Europa.

Entretanto, dois cidadãos britânicos que regressaram ao Reino Unido após terem estado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, afetado pelo surto de hantavírus, isolaram-se voluntariamente, mas não apresentam sintomas de infeção.

De acordo com a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA), os dois passageiros deixaram o navio de cruzeiro no final de abril, "perto da ilha de Santa Helena", e regressaram ao Reino Unido a partir de Joanesburgo, na África do Sul. A autoridade de saúde britânica refere que os dois contactaram as autoridades assim que tiveram conhecimento do surto no MV Hondius.

Três pessoas que viajavam no navio de cruzeiro morreram após a partida, há um mês, de Ushuaia, a cidade mais a sul da Argentina. Cerca de 150 pessoas continuam a bordo sob medidas rigorosas de precaução. O navio, que tinha como destino Cabo Verde, deverá chegar no fim de semana ao porto de Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, em Espanha.

O que se sabe sobre os hantavírus

Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetarem roedores, e existem diferentes espécies em circulação na Europa, na Ásia e no continente americano. Apesar de terem sido identificadas numerosas espécies, apenas algumas estão associadas a infeção humana; nesses casos, podem provocar doença grave. As manifestações clínicas variam em função do tipo de vírus e diferem entre zonas geográficas.

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