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Clube Switch abre no Porto no antigo Swing

Pessoas a dançar numa discoteca com pista iluminada, bar e decoração em azulejos tradicionais portugueses.

O clube Switch, assente na música eletrónica mas sem querer limitar-se a uma única vertente, abre no próximo fim de semana no Porto, no espaço onde, nas décadas de 1980 e 1990, funcionou o emblemático Swing.

À Lusa, Ruben Domingues apresenta o local na Rua Júlio Dinis e, ao mesmo tempo, o novo conceito para o mesmo espaço que marcou uma geração, agora preservado e reinterpretado no projeto de arquitetura assinado por Sérgio Rebelo, que começa a revelar-se à cidade a partir de sexta-feira.

"É um clube instalado num espaço com muita tradição, que faz parte da paisagem noturna do Porto, sobretudo para outras gerações. (...) Acaba por ser uma ponte no tempo, entre uma geração antiga e uma nova geração. O Switch é uma nova geração que ocupa um lugar com memória e tradição, o Swing, e vai ser pensado numa lógica narrativa", explica.

Depois de 12 anos no clube Indústria, entre 2010 e 2022, Domingues, responsável também pelo festival Elétrico, entre outros projetos, quis levar para a Boavista uma resposta para um "público que quer sair, conviver e ouvir música", começando logo pelo primeiro piso, um bar que evoca o antigo e surge revestido de espelhos.

No piso inferior, ao qual se acede pelas escadas recuperadas das originais ou, para pessoas com mobilidade reduzida, por um elevador que conduz a outra entrada, destacam-se as "madeiras escuras" e as cores no bengaleiro e, ao lado, nas casas de banho, sem distinção de género.

"A pista é um espaço superinteressante, porque um dos elementos arquitetónicos mais marcantes do Swing era o chão. Era um chão em resina e colorido com um padrão de luz. O que fizemos foi recuperar essas mesmas peças, os quadrados, combinando-os com a madeira, que remete para um ambiente mais acolhedor. Não é tão underground, industrial, mas mais como se estivéssemos em casa de amigos", diz à Lusa o arquiteto Sérgio Rebelo.

O clube não terá, de resto, zonas VIP nem áreas reservadas mediante pagamento superior, colocando toda a gente em pé de igualdade, com a cabine do artista no centro e uma pista que preserva elementos do chão original do Swing, ladeada por bares.

"Estas luzes distribuem-se de forma muito uniforme ao longo de todo o pavimento, o que torna o espaço muito dinâmico, ao permitir programar cada uma individualmente. Isso possibilita criar vários ambientes, várias zonas de atenção, e, no fundo, representa a passagem histórica do antigo Swing para o novo Switch", descreve o responsável.

Com outra área, além do piso superior, para permitir uma maior distribuição do público, a acessibilidade na pista também foi considerada, com uma rampa de acesso à única zona elevada, tendo sido ainda dada especial atenção "à acústica, com a imersão como opção".

O Switch, explica Ruben Domingues, quer afirmar-se como "confortável, inclusivo, seguro" e empenhado em "combater o estigma de que os clubes já são passado".

A cabine ao centro e os bares nas laterais, juntamente com as linhas arquitetónicas, procuram criar "um templo da dança", para "honrar" o legado do Swing, mas o espaço é mutável, tal como a linha programática - Ruben Domingues quer que este seja mais um polo cultural ao serviço da cidade, acolhendo concertos ou outras apresentações.

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