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Google Maps ganha Ask Maps com IA Gemini e nova navegação 3D

Jovem consulta mapa virtual interativo num smartphone numa rua movimentada da cidade ao entardecer.

A app de mapas que milhões de pessoas mantêm aberta no carro, a pé ou de bicicleta prepara-se para a sua maior transformação em anos. O Google Maps vai receber uma nova navegação em 3D e um modo de conversa suportado por IA, capaz de compreender perguntas mais complexas - primeiro nos EUA e, depois, de forma gradual, noutros países.

O que muda de forma profunda no Google Maps

No essencial, a Google está a mexer em duas áreas centrais: a forma como navegamos durante o percurso e a maneira como procuramos informação sobre locais. Para isso, a empresa introduz dois novos elementos:

  • Immersive Navigation: uma vista espacial em 3D com faixas de rodagem, semáforos e edifícios visíveis.
  • Ask Maps: um assistente conversacional baseado no Gemini, que responde a perguntas em linguagem natural.

A Google quer deixar para trás o simples “seguir a linha azul” e aproximar a navegação daquilo que se vê realmente na estrada - com mais contexto e possibilidade de diálogo.

Ambas as funcionalidades recorrem aos modelos Gemini da Google. Estes analisam imagens aéreas, captações do Street View e dados de trânsito em tempo real para criar uma representação detalhada e continuamente atualizada da zona envolvente.

Immersive Navigation: a estrada salta para fora do ecrã

A tradicional vista 2D com linhas simplificadas perde protagonismo. Com a Immersive Navigation, o trajeto surge como uma cena tridimensional. Faz lembrar mais um videojogo do que o visual clássico de um GPS - embora com uma apresentação mais sóbria e pensada para facilitar a leitura.

Mapa 3D com edifícios transparentes

Edifícios, pontes e formas do terreno passam a aparecer com volume, em vez de serem mostrados apenas como superfícies planas. Isto torna-se especialmente útil em pontos difíceis: saídas com várias vias, cruzamentos apertados ou centros urbanos labirínticos.

Nesses momentos, a Google aposta nos chamados “Smart Zooms”: o mapa aproxima-se automaticamente, inclina-se em perspetiva e torna parcialmente transparentes os edifícios altos. Assim, a orientação continua visível, mesmo quando a visão real no carro está limitada por construções ou curvas.

  • As faixas de rodagem são assinaladas individualmente.
  • Passadeiras e semáforos aparecem diretamente na imagem 3D.
  • Sinais de stop e outros avisos importantes ganham destaque.

A base de dados vem do Street View e de imagens aéreas, que os modelos Gemini analisam para gerar algo semelhante a uma “perceção espacial” digital do percurso. É precisamente este processamento que distingue a nova vista de anteriores tentativas de 3D em apps de mapas.

Menos voz fria de GPS, mais linguagem do dia a dia

Ao mesmo tempo, a Google está também a rever as instruções por voz. Em vez de avisos rígidos e padronizados, a ideia é que as indicações soem mais como a voz de um passageiro atento. O objetivo é reduzir a carga mental dos condutores, com orientações mais alinhadas com a experiência real ao volante.

Exemplos:

  • Em vez de “Vire à direita em 300 metros”, poderá dizer algo mais próximo de “Passe a próxima saída e entre na seguinte”.
  • Em vez de apenas indicar distâncias, passa a incluir pontos de referência, como edifícios marcantes ou grandes cruzamentos.

A Google fala em milhões de atualizações de trânsito por segundo e num enorme volume de alertas vindos da comunidade - obras, acidentes e inundações deverão refletir-se mais depressa em avisos e sugestões de rota.

Segundo a empresa, entram no sistema mais de cinco milhões de ajustes de trânsito por segundo. A isto somam-se mais de dez milhões de relatos de utilizadores por dia, que assinalam bloqueios, acidentes ou estragos. Estes dados influenciam tanto os alertas de congestionamento como o cálculo de percursos alternativos.

Rotas alternativas mais claras e com compromissos reais

Outra novidade está na forma como o Google Maps apresenta caminhos alternativos. Em vez de mostrar apenas “mais 3 minutos” ou “hora de chegada semelhante”, a aplicação vai passar a destacar de forma mais explícita os prós e os contras de cada opção:

  • trajeto mais curto, mas com portagem ou zona urbana com taxa elevada,
  • percurso um pouco mais longo, mas com trânsito mais fluido,
  • desvio, mas sem túneis ou sem autoestrada.

Muita desta informação já existe, em teoria, atualmente, mas costuma surgir de forma abstrata. No futuro, deverá ficar logo evidente aquilo que o condutor vai enfrentar antes de arrancar - algo que, em situações de stress do dia a dia, pode fazer bastante diferença.

Ask Maps: fazer perguntas em vez de apenas escrever e deslizar

A segunda grande novidade, o Ask Maps, transforma o Google Maps numa espécie de janela de conversa sobre locais. O utilizador deixa de ter de passar por filtros, abrir categorias e ler avaliações manualmente.

Exemplos de pesquisas complexas

O novo modo compreende perguntas do quotidiano em linguagem natural (numa primeira fase, nos EUA em inglês; outras línguas deverão chegar mais tarde) e constrói a resposta diretamente com base nos dados do mapa e das avaliações. Alguns exemplos de pedidos possíveis:

  • “Mostra-me cafés tranquilos com Wi-Fi onde possa trabalhar durante a tarde.”
  • “Onde posso jantar hoje com crianças, sem reserva, a no máximo 20 minutos daqui?”
  • “Que ginásios perto de mim têm horários alargados e não costumam estar cheios ao fim da noite?”

Em vez de apresentar apenas uma lista, o Ask Maps deverá explicar porque é que um local faz sentido - por exemplo, com base em determinadas avaliações, fotografias, horários ou localização. A resposta aproxima-se assim de uma recomendação personalizada, mais do que de uma página clássica de resultados.

O Ask Maps analisa avaliações, fotografias, descrições e dados em tempo real para criar sugestões que se ajustem mesmo ao contexto - e não apenas a uma categoria genérica.

Como o Gemini impulsiona o Maps nos bastidores

Nos bastidores está a família de modelos de IA Gemini, a mesma tecnologia que a Google já usa no seu chatbot e noutros produtos. Esta tecnologia analisa:

  • avaliações em texto deixadas pelos utilizadores,
  • fotografias e os elementos visuais nelas presentes,
  • horários, preços e categorias,
  • dados em tempo real, como níveis de ocupação ou tempos de espera.

A partir daí, é gerada uma recomendação resumida e adaptada à pergunta feita. Com isto, o Google Maps aproxima-se mais dos chatbots de IA, mas continua claramente centrado em locais e atividades do mundo real.

O que isto significa para condutores e cidades

Para quem conduz, a nova navegação pode representar um ganho de segurança. Ver cruzamentos e saídas com mais clareza reduz a necessidade de reagir à última hora. Isso ajuda a baixar o stress e a evitar mudanças de faixa arriscadas no último momento.

As cidades e os comerciantes passarão a depender ainda mais da qualidade dos seus perfis digitais. Informações em falta ou desatualizadas sobre horários, acessibilidade ou serviços disponíveis podem facilmente fazer com que um negócio fique de fora das recomendações baseadas em IA.

Dicas práticas para utilizadores

Quem usa o Maps com frequência pode preparar-se para algumas mudanças:

  • No carro: colocar o suporte do telemóvel de forma a manter a vista 3D visível, sem tapar a estrada.
  • Em cidades desconhecidas: usar o Ask Maps para descobrir novos bairros, em vez de seguir rigidamente uma lista de locais.
  • Para grupos: indicar logo no pedido necessidades como ambiente familiar, acesso para cadeira de rodas ou opções vegan, em vez de deixar isso para depois.

Quem gere lojas ou restaurantes deve manter com cuidado os dados no Google Maps e no perfil da empresa: fotografias atualizadas, descrições claras e horários corretos. São precisamente esses elementos que passarão a servir de argumento no diálogo com a IA.

Oportunidades, riscos e o que pode vir a seguir

Mais 3D, mais IA, mais contexto: tudo isto promete maior comodidade, mas traz consigo riscos já conhecidos. Dados errados ou avaliações incorretas podem ser amplificados pelo assistente de IA, sobretudo se os utilizadores confiarem demasiado nas respostas. Em situações de emergência ou perante estradas cortadas, continua a ser essencial olhar para a sinalização e para o ambiente à volta.

Será particularmente interessante perceber como o sistema lida com realidades locais mais difíceis: centros históricos apertados, zonas rurais com poucos dados disponíveis ou regiões onde o Street View praticamente não existe. É aí que a nova “inteligência espacial” do Maps enfrentará o seu teste mais exigente.

No fim de contas, a Google quer criar um sistema de navegação que se comporte como um passageiro que conhece bem a zona: mostra o ambiente tal como ele é vivido no terreno e responde a perguntas antes de estas terem de ser introduzidas manualmente numa caixa de pesquisa. Resta ver até que ponto isso funcionará no dia a dia, quando a Immersive Navigation e o Ask Maps começarem a chegar aos primeiros países europeus.

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