Nova tecnologia permite activar ou suprimir de forma selectiva vias neuronais específicas, abrindo caminho para estudar funções complexas do cérebro e desenvolver terapias
Investigadores do Instituto de Neurociências Del Monte, da Universidade de Rochester, apresentaram um método que permite dirigir a comunicação entre regiões específicas do córtex cerebral em saguis - primatas amplamente utilizados na investigação em neurociência.
Ao contrário das abordagens tradicionais, que actuam sobre áreas extensas do cérebro, esta tecnologia possibilita «ligar» ou «desligar» de forma selectiva apenas os neurónios que fazem a ligação entre zonas determinadas. Para isso, recorre a uma versão melhorada da optogenética - uma técnica em que células geneticamente modificadas são activadas ou inibidas através de luz.
Segundo o líder do estudo, Kuan Hong Wang, os cientistas passam agora a conseguir controlar com precisão a forma como diferentes áreas do cérebro trocam informação. Isto abre a porta ao estudo de redes neuronais complexas, que estão na base da percepção, da tomada de decisões e do comportamento social.
Os ensaios realizados no cérebro de saguis mostraram que, com esta nova metodologia, é possível isolar e analisar vias neuronais longas específicas sem afectar as células vizinhas. Um grau de exactidão deste nível não tinha sido alcançado anteriormente em estudos com primatas.
A inovação cria novas perspectivas para compreender os mecanismos de perturbações neurológicas e mentais associadas ao funcionamento anómalo de circuitos cerebrais específicos. No futuro, a tecnologia poderá servir de base ao desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais direccionadas.
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