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Lagarta processionária do pinheiro: perigo para cães e primeiros socorros

Cão com coleira observa múltiplas lagartas no chão coberto de pinhas e agulhas de pinheiro na floresta.

Entre a primavera e o início do verão, multiplicam-se nas clínicas veterinárias as urgências por um motivo muito específico: a lagarta processionária do pinheiro. O seu “arsenal” tóxico não está numa mordida, mas sim em milhares de pelos urticantes microscópicos, capazes de se tornarem um verdadeiro pesadelo para cães, gatos e até crianças.

O que torna a processionária tão perigosa para os cães

A lagarta processionária do pinheiro (Thaumetopoea pityocampa) pertence, na realidade, a uma espécie de borboleta nocturna. No entanto, o perigo não vem dos adultos, mas das lagartas, que avançam em filas muito visíveis - como numa procissão - pelo chão ou ao longo de troncos.

O corpo destas lagartas está coberto por inúmeros pelos urticantes (muito pequenos e fáceis de libertar). Estes pelos:

  • soltam-se com extrema facilidade, mesmo sem contacto directo com a lagarta
  • podem ser transportados pelo vento
  • ficam presos em relva, terra, casca de árvore, bancos, roupa e calçado

"Basta o contacto com poucos pelos urticantes para desencadear no cão reacções intensas - muitas vezes na boca, língua e nariz, porque os cães farejam e lambem tudo."

A toxina presente nesses pelos é altamente irritante e pode destruir tecido. Nos cães, isto traduz-se frequentemente em inflamações dolorosas na zona da boca e, nos casos mais graves, pode mesmo culminar em necrose de partes da língua.

Sintomas típicos no cão após contacto com processionárias

Muitos tutores só se apercebem do contacto quando o animal começa, de repente, a ter um comportamento invulgar. Reconhecer os sinais de alerta pode significar ganhar minutos decisivos.

Sinais iniciais - o que deve vigiar de imediato

  • salivação intensa, com fios de saliva a pender da boca
  • agitação súbita; o cão parece “em pânico” com a zona da cabeça
  • fricção insistente do focinho ou da boca no chão ou nas patas
  • estalidos frequentes, lamber repetido ou “mastigar no vazio”
  • tosse, ânsia de vómito ou vómito pouco depois do passeio

No começo, estes sinais são por vezes confundidos com uma picada de insecto ou com a ingestão de um corpo estranho. Contudo, as toxinas da lagarta actuam muito rapidamente.

Reacções físicas evidentes

Ao longo de minutos até poucas horas, podem surgir as seguintes queixas:

  • inchaço da língua, dos lábios ou de toda a região da boca
  • língua avermelhada ou com coloração azulada
  • dor marcada; o cão não permite que lhe toquem na cabeça
  • dificuldade em comer ou beber
  • inchaço nas patas, caso o cão tenha pisado lagartas

"Muitos veterinários relatam casos em que a língua incha tanto, em pouco tempo, que o cão quase não consegue respirar - uma emergência absoluta."

Sintomas gerais perigosos

Se a reacção se generaliza ao organismo, pode haver risco de vida. Sinais de alarme:

  • falta de ar, respiração sibilante ou ruidosa
  • apatia intensa; o cão colapsa ou deita-se subitamente
  • mucosas pálidas
  • vómitos ou diarreia, por vezes com sangue
  • colapso ou perda de consciência

Este quadro sugere uma reacção alérgica grave, podendo evoluir para choque anafiláctico. Aqui, cada minuto conta.

Primeiros socorros: o que os tutores devem fazer imediatamente

Se suspeitar que o seu cão contactou com lagartas processionárias ou com os seus pelos, actue de forma objectiva e por etapas.

O que deve evitar a todo o custo

  • não esfregar nem escovar a zona afectada
  • não usar toalhetes secos ou lenços passados sobre a pele
  • não administrar medicação por iniciativa própria (cortisona, analgésicos, etc.) sem orientação veterinária
  • não pisar as lagartas nem as “varrer” com um pau - isso levanta ainda mais pelos

Ao esfregar, os pelos urticantes quebram e libertam mais substâncias irritantes, o que agrava a inflamação.

Como agir correctamente com o cão

  1. Manter a calma e controlar o cão: colocar a trela e afastá-lo da zona para impedir que continue a cheirar ou a lamber.
  2. Proteger as suas mãos: se tiver, use luvas descartáveis. Os pelos também irritam a pele humana.
  3. Lavar a boca e a língua:
    • enxaguar com muita água morna, com cuidado
    • deixar a água entrar de lado, para o cão não engolir demasiado
    • não apontar um jacto forte directamente para a língua
  4. Nunca esfregar: se for mesmo necessário, apenas toque de forma suave. Evite panos ásperos ou papel.
  5. Ir já ao veterinário ou a uma clínica veterinária:
    • telefonar antes a avisar que há suspeita de contacto com processionária
    • indicar, se possível, a hora e o local prováveis do contacto

"Os primeiros socorros não substituem o tratamento no consultório. O efeito do veneno pode agravar-se ao longo de horas, mesmo que o cão pareça estável no início."

Como o veterinário trata a intoxicação

Na clínica ou no hospital, consoante a gravidade, a equipa pode avançar com medidas como:

  • administração de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos
  • anti-histamínicos para controlar a reacção alérgica
  • fluidoterapia (soro) para estabilizar a circulação
  • oxigénio em caso de dificuldade respiratória
  • vigilância apertada da respiração e da língua durante várias horas

Nos casos mais severos, o cão pode ter de ficar internado. Por vezes, o tecido na ponta da língua entra em necrose e torna-se necessária a remoção de uma parte. Muitos cães adaptam-se bem mais tarde, mas trata-se de uma consequência drástica.

Perigo também para pessoas - o que os pais devem saber

As processionárias não representam apenas um risco para animais. As crianças, por brincarem ao ar livre e terem tendência para tocar em tudo, também podem ser afectadas.

Em humanos, após contacto com os pelos urticantes, são frequentes:

  • comichão e pápulas/vergões vermelhos ou pústulas em zonas de pele exposta
  • ardor e irritação nos olhos
  • espirros, tosse e dificuldade em respirar quando os pelos são inalados

O que os adultos devem fazer após um contacto:

  • lavar bem a pele com água e um gel de lavagem suave, sem coçar
  • tirar a roupa, lavar em separado e não sacudir
  • se houver envolvimento ocular, lavar de imediato com bastante soro fisiológico
  • em caso de falta de ar, inchaço marcado da face ou alterações circulatórias, dirigir-se imediatamente às urgências

Como proteger o seu cão no dia-a-dia

Com alguns hábitos simples, reduz-se bastante a probabilidade de o cão entrar em contacto.

  • Em zonas afectadas, leve a sério os avisos em parques de estacionamento e trilhos.
  • Na época de maior risco, contorne áreas com pinheiros e ninhos visíveis a uma boa distância.
  • Se vir filas de lagartas no chão, mantenha o cão preso à trela.
  • Prefira percursos com manutenção regular e sem acumulação de agulhas de pinheiro caídas.
  • Após cada passeio, inspeccione rapidamente boca, patas e pêlo, sobretudo em cães muito curiosos “tipo aspirador”.

Enquadramento: onde a processionária aparece com mais frequência

A lagarta processionária do pinheiro tem-se espalhado por cada vez mais regiões ao longo dos anos, favorecida por invernos amenos. As zonas mais afectadas tendem a ser as mais quentes e os locais com muitos coníferos. Frequentemente, os municípios assinalam árvores infestadas ou encerram temporariamente caminhos, para proteger quem passeia.

Em países de férias à volta do Mediterrâneo, muitos tutores já estão habituados a estes alertas há mais tempo. Ainda assim, também nalgumas áreas da Europa Central tem aumentado o número de ocorrências reportadas. Quem viaja com o cão deve informar-se previamente sobre avisos locais relacionados com focos de lagartas.

Porque é que cães que farejam estão especialmente em risco

Os cães exploram o mundo através do olfacto. Uma fila de lagartas a atravessar um caminho florestal pode parecer, para muitos, um “brinquedo” rastejante e interessante. Alguns chegam a lamber ou a morder. Assim, grandes quantidades de pelos urticantes entram directamente em contacto com a língua e com as mucosas.

Raças mais sensíveis e braquicefálicas, como o Pug (Cão Pug) ou o Buldogue Francês, tendem a desenvolver dificuldades respiratórias mais depressa quando as mucosas incham. Nestes animais, a evolução pode ser mais dramática do que em cães de focinho comprido.

Dicas práticas para a próxima época

Muitos veterinários aconselham tutores de zonas afectadas a prepararem uma espécie de plano de emergência. Três medidas ajudam a reagir rapidamente:

  • guardar no telemóvel o contacto de uma clínica veterinária com urgência
  • manter no carro uma pequena garrafa de água sem gás e luvas descartáveis
  • memorizar avisos locais sobre focos de lagartas em parques e matas

Quem já viu um cão ficar tão mal após contacto com estas lagartas tende a circular com muito mais atenção na época seguinte, seja na mata, seja no parque. Um olhar rápido para o chão, um raio de acção controlado com a trela e uma resposta imediata aos primeiros sintomas retiram grande parte do perigo a esta lagarta aparentemente discreta.


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