Um novo estudo concluiu que os adultos mais velhos que fazem sesta de manhã enfrentam um risco de morrer 30% superior ao de quem dorme uma sesta no início da tarde.
Além disso, dormir durante o dia por mais tempo e com maior frequência transformou um hábito comum num possível sinal de alerta - e não apenas numa forma de recuperar energias.
Acompanhamento das sestas da manhã
No norte do Illinois, adultos mais velhos residentes em comunidades locais deixaram um rasto de anos de registos de saúde, a par de padrões de sono medidos por dispositivos no pulso.
Ao analisar esses períodos de descanso diurno, a investigadora Chenlu Gao, PhD, da Mass General Brigham, identificou um sinal de risco que seria fácil ignorar se dependesse apenas da memória.
O aviso mais evidente surgiu quando as sestas aconteciam mais cedo no dia, duravam mais tempo ou se repetiam com maior frequência.
Estes dados não demonstraram que as sestas tenham causado danos, mas tornaram mais difícil tratar o sono diurno como uma rotina inofensiva.
Sestas mais longas contaram
As sestas diurnas prolongadas destacaram-se como um dos sinais de alerta mais fortes observados no estudo.
No conjunto dos adultos mais velhos acompanhados, quem passava mais tempo a dormir durante o dia teve maior probabilidade de morrer nos anos seguintes.
Mesmo depois de os autores terem tido em conta problemas de saúde e a má qualidade do sono nocturno, a ligação entre maior sonolência diurna e risco mais elevado manteve-se.
O padrão foi suficientemente consistente para que uma hora adicional de sono durante o dia apresentasse um sinal de risco comparável ao de envelhecer mais um ano acima da média do grupo.
A frequência reforçou o peso
A frequência das sestas tornou o sinal mais nítido: cada sesta diária adicional correspondeu a um risco de morte 7% mais alto.
Contabilizar o número de sestas é relevante, porque dormir repetidamente durante o dia pode indicar sonolência persistente, e não apenas uma pausa de recuperação após uma manhã exigente.
Entre as 1,324 pessoas que fizeram sesta no período de registo, um maior número de sestas, em geral, veio acompanhado de mais tempo total a dormir durante o dia.
Essa sobreposição sugere que os médicos devem observar ambos os padrões, em vez de tratarem a contagem de sestas como uma pista isolada.
O horário da manhã destacou-se
O momento do dia ajudou a distinguir um grupo dos que dormiam à tarde, de uma forma que o tempo total de sesta não conseguiu explicar.
Os adultos mais velhos que dormiam regularmente de manhã apresentaram um risco de mortalidade 30% superior durante o período do estudo, em comparação com os que costumavam dormir a sesta no início da tarde.
Quem fazia sesta ao fim da tarde já não manteve esse mesmo risco aumentado quando foi aplicada a análise mais totalmente ajustada.
Assim, dormir cedo no dia pode sinalizar uma sonolência mais marcada ou um ritmo circadiano desalinhado - o relógio interno do corpo que regula sono e vigília.
A correlação continua a ser relevante
Uma associação não é prova, e os investigadores sublinharam esse ponto, uma vez que as sestas podem ser consequência de doença em vez de a provocarem.
Condições de longa duração podem esgotar a energia ao interferirem com a respiração, a circulação sanguínea, o humor, o controlo da dor ou a sinalização no cérebro.
Nesse cenário, o sono excessivo durante o dia pode tornar-se uma resposta do organismo a problemas que já se estão a desenvolver de forma silenciosa.
“O nosso estudo é um dos primeiros a mostrar uma associação entre padrões de sesta medidos de forma objectiva e mortalidade e sugere que existe um enorme valor clínico em acompanhar os padrões de sesta para detetar precocemente condições de saúde”, afirmou Gao.
Doenças ocultas esgotam
O hábito de fazer sesta pode intensificar-se quando a doença reduz a resistência, sobretudo em adultos mais velhos que já convivem com várias doenças crónicas.
Problemas cardíacos e pulmonares podem deixar os tecidos com pouco oxigénio, aumentando a fadiga mesmo após uma noite completa na cama.
Revisões anteriores também observaram que o sono diurno prolongado aparece associado a doença cardiovascular.
Como o estudo não conseguiu identificar as causas de morte, este percurso permanece um sinal de alerta e não uma explicação.
Alterações cerebrais persistem
A saúde do cérebro pode igualmente estar por detrás de parte do sinal associado às sestas, em particular quando a sonolência aumenta ano após ano.
À medida que as células nervosas enfraquecem, os sistemas de alerta podem perder força, deixando a pessoa mais sonolenta durante o dia.
Trabalhos anteriores relacionaram sestas mais longas e mais frequentes com a doença de Alzheimer. Quando o novo estudo excluiu participantes com défice cognitivo, o resultado relativo às sestas da manhã enfraqueceu, o que mantém essa ligação ao cérebro em aberto, mas sem confirmação.
Sestas comuns não são todas iguais
As sestas habituais não devem tornar-se um novo motivo de culpa, porque um sono curto durante o dia pode restaurar a atenção.
Entre adultos mais velhos, a prevalência de sestas varia entre 20% e 60% conforme os estudos. Hábitos culturais, horários na reforma, medicamentos e sono nocturno insuficiente podem influenciar a hora a que alguém adormece.
Esta amplitude ajuda a perceber por que motivo uma única sesta diz pouco, enquanto um padrão persistente merece atenção.
Dispositivos vestíveis podem ajudar
Rastreadores em dispositivos vestíveis podem transformar pequenas mudanças no sono diurno em informação que os doentes levem para as consultas.
Sensores pequenos estimam o sono através da medição do movimento, pelo que podem confundir quietude acordada com uma sesta.
Antes de considerar os dados de sestas como um sinal com significado, os clínicos precisariam de observar tendências, historial médico e sintomas.
Quando usados com cuidado, estes padrões podem levar a avaliações mais precoces de apneia do sono - uma perturbação respiratória que interrompe o sono - bem como de depressão, doença cardíaca, dor ou declínio cognitivo.
Sinais antes dos sintomas
Sestas da manhã, mais tempo de sono diurno e maior frequência de cochilos parecem agora menos inofensivos quando persistem na idade avançada.
Um melhor acompanhamento não transformará as sestas em diagnósticos, mas pode ajudar famílias e médicos a identificar problemas de saúde mais cedo.
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