Proposta para sair da Bolsa portuguesa
O grupo Visabeira, acionista de referência da Vista Alegre Atlantis, pretende que a empresa de porcelana e cristal deixe de estar cotada na Bolsa portuguesa. A intenção será submetida a votação na assembleia geral de acionistas marcada para 29 de maio.
Fundamentação enviada à CMVM: free float e custos de cotação
Numa comunicação remetida esta terça-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Visabeira - que detém 84,76% da Vista Alegre Atlantis - sublinha que o free float (parcela do capital disponível para negociação no mercado acionista) é praticamente inexistente, cifrando-se em 5,24%.
Com base nesse enquadramento, o grupo defende que não há “particular benefício” para a empresa nem para os seus acionistas em manter a Vista Alegre em Bolsa, considerando mais vantajoso abandonar o mercado e reduzir os encargos associados ao estatuto de sociedade cotada.
Estrutura acionista e financiamento recente da Vista Alegre Atlantis
Em 2024, a empresa viu a sua estrutura acionista alterada com a entrada da CR7 SA, de Cristiano Ronaldo, que comprou 10% do capital. No mesmo ano, Cristiano Ronaldo adquiriu ainda 30% da Vista Alegre Espanha.
Na mesma justificação apresentada para a saída de Bolsa, a Visabeira recorda que “A sociedade tem vindo a dar resposta às suas necessidades financeiras através de fontes alternativas à emissão de capital, destacando-se a emissão obrigacionista colocada junto do público em 2024, por cinco anos”.
Detendo perto de 85% da Vista Alegre e sendo, em geral, baixa a presença de pequenos acionistas nas assembleias gerais, a Visabeira antecipa que a proposta venha a ser aprovada na reunião do final deste mês. Caso se confirme a descontinuação da cotação, o grupo Visabeira terá de comprar, num prazo de três meses, as ações dos acionistas minoritários que pretendam vender.
De acordo com a plataforma Euronext, a Vista Alegre apresenta atualmente uma capitalização bolsista de €184 milhões.
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