Quem sonha ter um cão costuma imaginar mimos, passeios e diversão no parque. O que muitas pessoas desvalorizam é que algumas raças populares são consideradas especialmente propensas a doenças - e isso faz disparar as contas do veterinário. Um veterinário sul-africano e dados de seguradoras mostram em que cães os tutores devem prever, do ponto de vista financeiro, um esforço claramente maior.
Porque é que alguns cães podem ficar muito mais caros
Qualquer cão implica despesas: alimentação, vacinas, desparasitação, imposto municipal, possivelmente aulas de treino e apoio durante as férias. O problema começa quando aparecem doenças crónicas, cirurgias ou tratamentos exigentes - aí os custos podem tornar-se realmente pesados.
"Consoante a raça, as despesas anuais no veterinário situam-se, segundo estimativas, entre algumas centenas e até cerca de 2.000 euros."
O veterinário sul-africano Amir Anwary identificou, com base no que observa na sua prática, cinco raças que tendem a gerar faturas particularmente elevadas de forma recorrente. Seguradoras como a Pet Quotes corroboram esta leitura através das suas próprias análises de custos.
1. Buldogue Francês: cara adorável, vias respiratórias caras
O Buldogue Francês tem sido, há anos, uma raça da moda - também em países de língua alemã. O reverso da medalha é que a cabeça curta e o nariz achatado, apesar do aspeto “fofo”, estão associados a riscos importantes para a saúde.
Problemas frequentes nesta raça:
- Dificuldades respiratórias devido ao focinho curto (síndrome braquicefálico)
- Cirurgias ao palato mole ou às narinas para melhorar a respiração
- Otites recorrentes (otite)
- Problemas de pele nas pregas, muitas vezes com comichão e infeções
- Doenças oculares como úlceras da córnea
- Problemas de coluna e de discos intervertebrais
Para esta combinação de queixas crónicas e episódios agudos, as seguradoras apontam para valores médios que podem chegar a cerca de 1.000 euros por ano. Trata-se, contudo, de um valor de referência: casos graves podem ultrapassar claramente esse patamar.
2. Rottweiler: físico poderoso, articulações vulneráveis
Os Rottweiler são vistos como cães fortes e resistentes. No entanto, muitos tutores acabam por lidar com problemas, sobretudo ao nível das articulações. Por serem pesados, crescerem depressa e apresentarem predisposição para certas alterações ortopédicas, podem acumular despesas consideráveis.
O veterinário destaca, acima de tudo, um ponto:
"Os Rottweiler têm um risco significativamente aumentado de rutura do ligamento cruzado - e o tratamento cirúrgico é caro."
Uma intervenção destas, somando avaliação prévia, anestesia, cuidados pós-operatórios e radiografias de controlo, pode facilmente atingir valores de quatro algarismos. Se forem necessários fisioterapia e analgésicos, a fatura aumenta ainda mais.
Além disso, os Rottweiler são considerados suscetíveis a tumores ósseos (osteossarcomas). Quando um membro é afetado por cancro, muitas vezes entram em cima da mesa amputação e quimioterapia - igualmente muito dispendiosas. As seguradoras calculam, em média, até 1.500 euros por ano em custos veterinários.
3. Goldendoodle: cruzamento popular com problemas articulares
O Goldendoodle, resultado do cruzamento entre Golden Retriever e Caniche, está em alta. Muitos compradores esperam um “mestiço mais robusto”. Na prática, o veterinário observa que, precisamente em “designer mixes” como este, se acumulam doenças articulares que podem sair caras.
Pontos típicos no Goldendoodle:
- Displasia da anca (HD)
- Displasia do cotovelo (ED)
- artrose relativamente cedo
- em parte, alterações ortopédicas hereditárias associadas a criação deficiente
Entre medicação, radiografias, eventuais cirurgias e controlo da dor a longo prazo, especialistas referem que podem ser devidos até cerca de 1.500 euros por ano. Em muitos Goldendoodles, juntam-se ainda despesas regulares de grooming, porque o pelo exige manutenção trabalhosa.
4. Buldogue Americano: pesado e com risco de excesso de peso
O Buldogue Americano é musculado e aparenta grande resistência. No dia a dia das clínicas, porém, os veterinários veem frequentemente vários problemas que se potenciam entre si.
As principais fontes de custos são:
- Excesso de peso, porque muitos cães fazem pouco exercício e ingerem demasiadas calorias
- Problemas articulares por causa do peso elevado
- Dificuldades respiratórias em tipos de focinho curto
- Alergias, por exemplo a componentes da alimentação ou a estímulos ambientais
"Para Buldogues Americanos, são referidos custos veterinários anuais entre 1.000 e 2.000 euros - sobretudo quando excesso de peso e doença articular se combinam."
Perda de peso, dietas específicas, analgésicos, possíveis cirurgias às articulações e tratamentos relacionados com alergias acumulam-se rapidamente e resultam em valores elevados.
5. Bernese Mountain Dog: gigante dócil com risco elevado de cancro
O Bernese Mountain Dog surge no topo das avaliações quando se fala de raças caras. Estes cães grandes e simpáticos, muitas vezes escolhidos como cães de família, são considerados especialmente predispostos a vários tipos de cancro e a problemas graves nas ancas.
Principais fatores que encarecem no Bernese Mountain Dog:
- Doenças oncológicas como linfomas ou tumores ósseos
- Diagnóstico exigente (ecografia, radiografias, biópsias)
- Quimioterapia ou radioterapia
- Displasia da anca, por vezes com necessidade de cirurgia
Veterinários e seguradoras apontam, em média, para cerca de 2.000 euros por ano apenas em tratamentos médicos. E também aqui se aplica o mesmo aviso: em anos de doença, a conta pode ser bastante superior.
Como os tutores podem, pelo menos, limitar os custos
Risco elevado não significa que seja obrigatório evitar estas raças. Quem decide avançar de forma consciente pode reduzir muito através de preparação e de uma gestão responsável do dia a dia.
Criação responsável em vez de cachorros “baratos”
Uma parte importante das despesas futuras começa logo na escolha do criador. Criadores responsáveis:
- fazem rastreios de doenças hereditárias (por exemplo, radiografias para HD/ED)
- procuram uma forma de cabeça menos extrema em raças braquicefálicas
- limitam o número de ninhadas por fêmea
- são transparentes sobre casos de doença na linhagem
Um cachorro de “criação de quintal” ou de anúncios online duvidosos pode parecer mais barato no início, mas muitas vezes traduz-se mais tarde em custos elevados de saúde.
Seguro, fundo de reserva e prevenção
Quem opta por uma das raças com maior risco deve ponderar cedo um seguro de saúde animal ou um seguro de cirurgia. Muitos prestadores ajustam os prémios em função da raça e de doenças pré-existentes.
Também ajuda definir um valor mensal fixo numa conta separada, por exemplo:
- reservar 50 a 100 euros por mês
- cumprir rigorosamente as datas anuais de vacinação
- planear check-ups preventivos a partir da meia-idade
Agir cedo pode aliviar a dor e, muitas vezes, evitar consequências tardias mais caras.
A saúde não depende apenas da raça
Os valores médios não dizem muito sobre um animal em particular. Um Rottweiler muito bem criado, com peso controlado e exercício suficiente, pode ter muito menos problemas ao longo da vida do que um mestiço mal criado com excesso de peso marcado.
Entre os fatores relevantes para uma vida longa e relativamente saudável contam-se, por exemplo:
- alimentação equilibrada e porções corretamente ajustadas
- exercício diário, adaptado à idade e à raça
- controlo do peso e reação precoce a aumentos
- evitar sobrecriação e extremos ditados pela moda
Porque é que as despesas no veterinário variam tanto
Os montantes indicados são médias baseadas em dados de seguradoras e na experiência clínica. Na prática, o total depende de muitos pormenores: região, nível de cuidados, taxas de urgência, exames complementares, escolha entre terapêuticas básicas e medicina de ponta.
Um exemplo: uma rutura do ligamento cruzado pode custar - consoante a técnica cirúrgica e a clínica - de pouco menos de 1.000 a bem mais de 2.000 euros. Já uma quimioterapia em cães pode rapidamente entrar num intervalo que muitos tutores não conseguem ou não querem suportar.
"Quem se confronta honestamente com os custos possíveis antes de adquirir um cão, no fim protege-se a si e ao animal de decisões amargas."
Em especial famílias com orçamento limitado devem fazer contas com realismo: que raças fazem sentido - e quais podem, em caso de necessidade, rebentar com a conta bancária. Um mestiço saudável de um abrigo é, muitas vezes, não só mais económico na adoção, como também mais acessível no custo total a longo prazo.
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