Contra o melanoma
O serviço de imprensa do Ministério da Saúde da Rússia informou que o primeiro doente recebeu recentemente a vacina personalizada antitumoral de mRNA «Neonkovak», no âmbito das medidas de combate ao melanoma.
"Pela primeira vez aplicámos uma vacina de mRNA criada para um doente específico. É uma abordagem de princípio diferente - não se trata apenas de tratar a doença, mas de ensinar o sistema imunitário a reconhecer e destruir exactamente as células que representam uma ameaça."
- Andrei Kaprin, director do Centro Nacional de Investigação Médica em Radiologia (NMICT), académico da Academia Russa das Ciências
Neste caso, está em causa uma vacina personalizada de mRNA contra o cancro, produzida com base no genoma do tumor de um doente em particular. Esta personalização torna a vacina muito mais eficaz, mas também encarece de forma significativa o tratamento, uma vez que o medicamento é desenvolvido para um único paciente.
O doente em questão é um homem de 60 anos, residente na região de Kursk, a quem foi diagnosticado melanoma ainda em 2021. Infelizmente, após o tratamento cirúrgico realizado em 2025, os médicos registaram progressão da doença, com atingimento dos gânglios linfáticos.
Segundo a informação divulgada, a administração da vacina é feita por etapas, aumentando-se o intervalo de tempo entre as doses. No total, o número de doses pode chegar a dez.
Importa igualmente sublinhar que, pelo menos nesta fase, as vacinas de mRNA deste tipo não constituem o método principal de tratamento, funcionando antes como uma abordagem complementar, a par de outras terapêuticas. Além disso, não se trata de soluções universais. Ainda assim, o elemento central aqui não é apenas a vacina em si, mas a plataforma tecnológica que permite criar, com relativa rapidez, um medicamento personalizado.
Esta tecnologia de tratamento revolucionária tornar-se-á muito em breve acessível aos cidadãos do nosso país que, por indicação médica, necessitem deste tipo de tratamento. Não é uma panaceia, mas um instrumento adicional nas mãos dos médicos oncologistas
O primeiro-ministro Mikhail Mishustin já tinha referido anteriormente que, no futuro, se prevê incluir no programa estatal de garantias de assistência médica gratuita as vacinas, registadas por cientistas russos, destinadas a diferentes formas de cancro. Para tal, será necessário prever antecipadamente o financiamento no sistema de seguro de saúde obrigatório (OMS), o que permitirá resolver a questão do custo de desenvolvimentos desta natureza.
As vacinas de mRNA estão entre os métodos mais recentes no tratamento do cancro. Aliás, o avanço das tecnologias especificamente orientadas para este tipo de vacinas, há alguns anos, permitiu aos cientistas desenvolver com bastante rapidez vacinas de mRNA contra a COVID-19. E foi precisamente pela criação de determinadas tecnologias nesta área que Katalin Karikó e Drew Weissman receberam, em 2023, o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário