Operação internacional nas Canárias
Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha, sustentou este sábado que a operação internacional montada nas Canárias para retirar os passageiros do “MV Hondius”, navio de cruzeiro afetado por casos de hantavírus, é “um dever moral e legal”.
Numa publicação nas redes sociais, Sánchez escreveu: “Espanha estará sempre ao lado de quem precisa de ajuda. Porque há decisões que definem o que somos como sociedade”. A mensagem foi acompanhada por imagens do encontro, em Madrid, com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que segue para Tenerife para acompanhar no terreno a operação.
A operação, descrita pela ministra da Saúde espanhola, Mónica García, como “uma operação inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes”, é coordenada por Espanha, OMS, União Europeia (UE) e Países Baixos.
Situação a bordo do MV Hondius e casos de hantavírus
A OMS reiterou este sábado que “não estamos perante uma nova covid” e voltou a sublinhar que o risco para a população continua a ser baixo.
O hantavírus é, em regra, transmitido através de roedores infetados. A variante Andes, identificada neste navio, é invulgar por poder permitir transmissão entre pessoas.
Até ao momento, a OMS confirmou seis casos de infeção entre oito suspeitas identificadas a bordo do “MV Hondius”. Três pessoas morreram e, segundo a OMS, nenhum dos doentes ou suspeitos de infeção permanece no navio.
O “MV Hondius” fazia a ligação entre a Argentina e Cabo Verde, no Atlântico Sul, quando, no passado fim de semana, foi emitido um alerta sanitário internacional.
Logística do desembarque e repatriamento em Tenerife
O Governo espanhol assegurou este sábado que está tudo pronto para o desembarque e para o repatriamento. Nas próximas horas, mais de 100 pessoas deverão ser retiradas do navio e encaminhadas para os respetivos países.
A bordo continuam 147 pessoas, de 23 nacionalidades, entre passageiros, tripulação e equipas médicas da OMS e do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC).
Mais de 100 passageiros deverão deixar o navio em Tenerife e seguir depois para os seus países em voos organizados por vários Estados europeus e pela UE.
No paquete ficarão 43 membros da tripulação, que deverão retomar viagem na segunda-feira com destino aos Países Baixos, onde está registado o armador.
A OMS entendeu que as Canárias ofereciam as melhores condições logísticas e de segurança para realizar a operação e, além disso, eram o porto seguro mais próximo da posição do navio quando o alerta sanitário foi declarado.
O desembarque ocorrerá em zonas isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto de Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população.
Os passageiros serão deslocados em viaturas militares diretamente entre o porto e o aeroporto e só sairão do navio quando os aviões estiverem prontos para levantar voo.
A previsão é que o “MV Hondius” chegue ao porto de Granadilla entre as 04:00 e as 06:00 de domingo, hora de Lisboa.
O navio permanecerá fundeado ao largo da costa, recorrendo-se a lanchas para retirar os passageiros em pequenos grupos e por nacionalidades.
A coordenação da operação será assegurada por Espanha, Países Baixos, OMS e ECDC.
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