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Banco de sala de jantar: a tendência que está a substituir as cadeiras

Três pessoas sentadas à mesa de madeira a jantar, com copos de vinho e decoração moderna numa sala iluminada.

Aos poucos, em cada vez mais casas, esta imagem vai desaparecendo - e algo novo está a ocupar o seu lugar.

Quem hoje folheia revistas de decoração ou procura ideias no Instagram e no Pinterest dá por um padrão evidente: em vez de várias cadeiras soltas, aparece um assento contínuo junto à mesa. O banco de sala de jantar, muitas vezes bem almofadado e pensado à medida do espaço, não muda apenas o visual do ambiente; muda também a forma como comemos, conversamos e celebramos em conjunto.

Da cadeira ao banco: porque é que a sala de jantar se está a reinventar

A cadeira tradicional parece prática, por vezes até um pouco rígida. Um banco à mesa conta uma história diferente: aproxima as pessoas, cria um ambiente mais descontraído e faz lembrar mais um café acolhedor ou um pequeno-almoço demorado ao domingo do que um jantar formal.

"O banco de sala de jantar faz com que a mesa deixe de ser um posto de trabalho e passe a ser um ponto de encontro - quase como uma pequena lounge no meio da casa."

Sobretudo nos meses frios, cresce a vontade de mais calor e proximidade dentro de portas. Um banco tem esse efeito de íman na família: as crianças encostam-se umas às outras, os jogos de tabuleiro ficam em cima da mesa depois da refeição, e ao segundo copo de vinho é natural que ninguém tenha pressa de se levantar.

Mais proximidade, menos formalidade

Num banco, ninguém fica preso a distâncias marcadas. As pessoas chegam-se, ganha-se um lugar extra num instante e tudo se torna menos solene. Quem recebe visitas nota rapidamente: o ambiente fica mais leve e as conversas fluem com mais naturalidade. Em vez de cadeiras de design direitas e duras, o banco convida mais facilmente a horas de conversa.

Muitos de quem escolhe esta solução diz que a mesa passa a ser o novo sítio preferido da casa. Trabalhos de casa, um home office leve, noite de jogos, pausa para café - de repente, tudo acontece no mesmo ponto.

Um truque de espaço em vez do caos das cadeiras

Há outro motivo forte por trás do sucesso dos bancos: poupança de espaço. Em apartamentos nas cidades, cada metro quadrado conta. Um banco pode encostar completamente à parede, ser integrado num canto ou ficar por baixo de uma janela. Assim, é fácil ganhar mais dois ou três lugares sentados sem “encher” a divisão.

  • Banco encostado à parede: reduz a profundidade e é perfeito para espaços estreitos
  • Banco de canto em L: aproveita cantos “mortos” de forma inteligente
  • Banco independente: funciona como peça de destaque em zonas sociais em open space

Mesmo em casas maiores, a solução faz sentido. Quando várias cadeiras com encostos altos ficam alinhadas, a composição pode parecer visualmente agitada. Um banco contínuo, pelo contrário, traz mais serenidade e dá a sensação de amplitude. As zonas de circulação ficam livres e já não há aquele problema de prender a perna da cadeira no tapete ou bater na perna da mesa.

Como acertar no banco de sala de jantar em casa

A forma certa: recto, em L ou redondo

Não existe um único banco ideal para todos. Para escolher bem, é essencial começar por olhar para a divisão:

Tipo de espaço Forma de banco recomendada Vantagem
Nicho estreito e comprido para refeições Banco recto junto à parede Máximo de lugares com pouca profundidade
Canto ou janela saliente (tipo bay window) Em L ou em U Zona de estar acolhedora, ideal para famílias
Sala grande e aberta Banco independente num dos lados da mesa Parece leve e ajuda a estruturar o espaço

As distâncias são sempre determinantes: ao levantar-se, ninguém deve ficar com as costas encostadas a um armário ou mesmo em frente a uma porta. E a mesa precisa de folga suficiente para que entrar e sair seja confortável.

A solução torna-se ainda mais interessante quando se mistura banco e cadeiras: de um lado, o conforto do banco; do outro, cadeiras leves que se podem acrescentar conforme o número de convidados. Assim, mantém-se a flexibilidade da disposição.

Estilo e materiais: do escandinavo ao mediterrânico

Um banco tanto pode passar discretamente para segundo plano como assumir-se como a peça principal do ambiente. Três abordagens muito procuradas:

  • Escandinavo e minimalista: madeira em carvalho claro ou bétula, com capas em linho ou algodão em tons areia e creme. Resulta muito bem com paredes brancas e bastante luz natural.
  • Boho e acolhedor: palhinha/entrançado, tecidos macios e almofadas em tons terra, como terracota, amarelo mostarda ou verde musgo. É perfeito quando há muitos têxteis e plantas.
  • Inspirado no mediterrânico: banco fixo e “construído” (por exemplo, em alvenaria) com almofadas de assento, combinado com cerâmica mais rústica, azulejos e tons quentes de ocre. Fica especialmente bem por baixo de uma janela ou numa reentrância.

Com o arranque da época de aquecimento, o banco transforma-se rapidamente num canto de aconchego. Quem empilha mantas, imitações de pele de borrego e almofadas de vários tamanhos acaba por criar, na prática, um segundo sofá junto à mesa.

Arrumação escondida: o banco como aliado da organização

Muitos modelos actuais já incluem arrumação integrada. Debaixo de um tampo de assento elevatório podem ficar toalhas de mesa, uma máquina de raclette ou decorações de Natal. As versões com gavetas são óptimas para jogos de tabuleiro, velas ou coisas das crianças.

"O banco torna-se o armazém secreto de tudo o que se usa com frequência, mas não se quer ter sempre à vista."

Em habitações pequenas, isto traz uma sensação imediata de ordem. Em vez de adicionar mais um armário, o banco assume o papel de “profissional” invisível da arrumação.

O que os designers de interiores valorizam no banco de sala de jantar

Um desenho coerente e contínuo

Os profissionais gostam de recorrer ao banco porque ajuda a definir eixos visuais e zonas dentro do espaço. Uma linha contínua ao longo da parede “embrulha” visualmente a área de refeições e dá-lhe unidade. Além disso, é simples coordenar cores e tecidos do banco com cortinados, tapetes e almofadas do sofá.

As lojas de mobiliário e as grandes cadeias já reagiram há muito à procura. Cada vez mais colecções incluem bancos a condizer com as mesas - muitas vezes com comprimentos variáveis, capas substituíveis e módulos extra. Para quem não quer avançar para uma peça por medida, há muitas opções prontas a usar.

Teste ao quotidiano: o banco cumpre o que o trend promete?

A questão interessante é perceber como a mudança se sente ao fim de algumas semanas. Muitos utilizadores referem que a lida da casa fica mais simples: já não há cadeiras fora do sítio quando se aspira, e limpar por baixo de um banco fixo faz-se mais depressa. Também desaparece o clássico “quem se senta onde?”, porque, no fundo, todos os lugares são equivalentes.

Há ainda outro efeito: em especial no inverno, as noites à mesa estendem-se claramente. As crianças ainda pegam num livro, os adultos espreitam e-mails, alguém faz uma sesta rápida - tudo no mesmo banco. Sem se dar por isso, ele vira uma espécie de sofá de dia.

Como o banco muda a forma de “receber”

Grupos mais descontraídos, noites mais longas

Quem se senta num banco sente menos aquela formalidade de um evento rígido. A disposição parece menos “fechada” e os convidados conseguem encostar-se rapidamente quando aparece alguém de surpresa. Isso tira pressão ao papel de anfitrião.

Para as crianças, nasce uma pequena “plateia”: escorregam para um lado e para o outro, jogam cartas directamente no assento, encaixam peluches entre as almofadas. Já os familiares mais velhos apreciam a superfície contínua e estável, onde não é preciso equilibrar-se na ponta de uma cadeira.

"O banco de sala de jantar não altera só a imagem do espaço; altera também a convivência - do prato rápido de massa para uma noite demorada."

Dicas práticas antes de comprar

Quem pensa trocar o “zoo” de cadeiras por um banco deve confirmar alguns pontos:

  • Verificar altura e profundidade do assento: bancos demasiado fundos parecem óptimos para relaxar, mas podem tornar a refeição à mesa menos confortável.
  • Escolher o revestimento: para famílias, faz sentido optar por capas resistentes e amovíveis ou por microfibra, que lida melhor com nódoas.
  • Medir a distância à mesa: entre a borda da mesa e o encosto (ou parede) deve haver espaço suficiente para se mexer com liberdade.
  • Ter em conta a luz: se o banco ficar junto a uma janela, o tecido deve ter boa resistência à luz para não desbotar depressa.

Também é interessante pensar na ligação a outras áreas da casa. Em plantas abertas, o banco pode servir de alternativa de trabalho durante o dia: portátil em cima da mesa, almofada nas costas e está criado um posto de home office razoavelmente ergonómico, sem comprar mais mobiliário.

Até a nível acústico um banco almofadado traz benefícios. Em divisões muito reverberantes, os tecidos e as almofadas ajudam a absorver o som. As conversas soam mais agradáveis e o barulho da loiça fica menos intenso - algo particularmente relevante em casas com muito vidro e pavimentos duros.

Seja num pequeno apartamento de cidade, seja numa casa familiar ampla: quem pondera mudar a zona de refeições dificilmente ignora o banco. Ele junta lugares sentados, arrumação, elemento de design e refúgio num só móvel - e talvez seja precisamente por isso que, nos próximos anos, a cadeira clássica à mesa tenda a ficar cada vez mais em segundo plano.

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