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Menopausa: como dar mais volume ao cabelo fino com bob e piquetar

Mulher loira de meia-idade a secar o cabelo com secador e a pentear-se em frente ao espelho.

Muitas mulheres apercebem-se, na transição para a menopausa, de que algo está a mudar no corpo - e o cabelo é, muitas vezes, o primeiro sinal. O cabelo parece mais liso e sem vida, o couro cabeludo fica mais visível e o penteado de sempre deixa de aguentar. Uma cabeleireira de celebridades e uma dermatologista explicam de que forma as hormonas alteram o fio - e como um corte certo, cuidados adequados e uma rotina de secagem podem criar visivelmente mais volume.

Porque é que o cabelo perde densidade na menopausa

À volta da última menstruação, o equilíbrio hormonal reajusta-se. E isso não se reflete apenas no ciclo e no humor: afeta também, de forma muito direta, as raízes do cabelo.

Quando os níveis de estrogénio e progesterona descem e as hormonas masculinas ganham, relativamente, mais influência, a fase de crescimento do cabelo encurta. O resultado é um cabelo que cresce durante menos tempo, com fios progressivamente mais finos e delicados. Além disso, há fatores que podem agravar este cenário, como défice de ferro, stress prolongado, dietas muito restritivas ou falta crónica de sono.

“O resultado: a fibra do cabelo afina, o rabo de cavalo fica mais estreito, a linha do risco alarga - e, no conjunto, o cabelo parece ‘menos’.”

Em muitos casos, as dermatologistas referem a presença de uma componente androgenética - ou seja, uma tendência hereditária para a rarefação capilar. Nas mulheres, a distribuição costuma diferir da dos homens: em vez de entradas frontais, a diminuição é mais difusa no topo da cabeça e ao longo do risco.

O corte que faz o cabelo fino parecer imediatamente mais cheio

Para muitos cabeleireiros, a perda de volume na menopausa é um tema diário no salão. A ideia principal é simples: não é obrigatório aceitar um corte sem força e com ar cansado. Uma grande parte do resultado pode ser conquistada na cadeira do cabeleireiro - escolhendo o comprimento certo e a técnica de corte adequada.

Porque é que um bob moderno resulta tão bem

Depois dos 50, é frequente os profissionais optarem por uma versão de bob para cabelo fino. Um bob direito ou com camadas suaves, curto ou, no máximo, até aos ombros, tende a parecer muito mais denso do que comprimentos longos e finos que caem sem estrutura.

  • Mais densidade visual: ao encurtar, a massa de cabelo concentra-se; as pontas parecem mais “fechadas” e a linha do corte fica mais definida.
  • Moldura mais fresca para o rosto: os traços ficam mais marcados, o pescoço aparenta mais alongado e o visual ganha modernidade.
  • Penteado mais fácil: ondas feitas com secador ou ondas leves com a prancha mantêm-se mais estáveis em comprimentos médios.

O ponto-chave é libertar ligeiramente a zona da nuca e preservar mais massa no topo. Visto de perfil, isto cria um “efeito lifting” natural, sem necessidade de cardar o cabelo de forma agressiva.

Piquetar em vez de desbastar: a técnica profissional para aumentar a sensação de volume

No cabelo fino, um erro recorrente é desbastar em excesso (com tesoura ou navalha). Isto retira precisamente aquilo que já está em falta: densidade.

Por essa razão, muitos stylists de celebridades preferem piquetar. Em vez de “esvaziar” o comprimento, o profissional faz pequenos cortes direcionados sobretudo nas pontas. Assim, a linha do corte ganha dinâmica, mas a massa do cabelo não desaparece.

“Piquetar dá movimento e estrutura às pontas, enquanto a densidade na raiz se mantém - essencial para cabelo fino depois dos 50.”

Na prática, vale a pena ser explícita na próxima visita ao salão e perguntar se, em vez de um desbaste forte, pode ser usada esta abordagem. Uma frase como “Por favor, quase não desbaste; prefira piquetar de forma suave” ajuda a orientar o trabalho.

Três gestos simples do dia a dia para mais volume imediato

O corte cria a base, mas a diferença entre um cabelo abatido e um cabelo com vida costuma estar nas rotinas diárias. Há três passos fáceis de aplicar em casa.

1. Construir volume logo na secagem

Muita gente seca o cabelo fino “de qualquer maneira” e estranha que ele volte a colar-se à cabeça em pouco tempo. O ideal é seguir uma rotina focada no volume:

  • Com o cabelo húmido de toalha, apertar suavemente para retirar água, sem esfregar.
  • Com os dedos, erguer madeixas na raiz enquanto o secador direciona o ar de baixo para cima, para dentro da raiz.
  • Repetir o movimento como se fosse um pequeno “pente” com os dedos, até a raiz ficar realmente seca e levantada.

Quem preferir pode inclinar a cabeça para a frente por alguns instantes; ainda assim, convém continuar a trabalhar a raiz com as mãos - secar apenas de cabeça para baixo, sem levantar as raízes, costuma dar menos sustentação.

2. Ondas suaves em vez de comprimento totalmente liso

O cabelo muito liso pode ter um brilho bonito, mas num fio fino tende a ficar com aspeto “colado”. Já ondas soltas e grandes criam profundidade visual e fazem parecer que existe mais cabelo.

Para isso, funciona bem uma prancha larga ou um modelador de caracóis de diâmetro maior. Enrolar cada madeixa por pouco tempo, deixar arrefecer e, no fim, escovar para desfazer e suavizar. A intenção não é criar caracóis definidos, mas sim movimento natural - quase como uma ondulação ligeira de “cabelo de férias”.

3. Fórmulas leves: evitar o cabelo “revestido”

Nos cuidados, a regra é: menos peso e mais qualidade. Cabeleireiros de topo alertam para produtos demasiado pesados - sobretudo champôs com silicones - que podem criar um filme sobre a fibra e deixar o cabelo mais pesado.

  • Champô sem silicones e, idealmente, sem sulfatos agressivos.
  • Condicionador/máscara apenas no comprimento e nas pontas, nunca na raiz.
  • Um spray de volume fino ou uma espuma de raiz apenas nas zonas onde é preciso mais suporte.

Desta forma, a raiz mantém-se leve e o comprimento continua com bom aspeto. Já aplicar máscara e óleos diretamente no couro cabeludo, em cabelo fino, pode funcionar como um “peso de chumbo”.

Quando o cabelo fino deve ser avaliado em Dermatologia

Há mudanças que fazem parte do envelhecimento e do impacto hormonal. A situação torna-se mais preocupante quando a queda aumenta claramente e, em poucos meses, surgem falhas visíveis ou o couro cabeludo fica muito aparente em áreas maiores.

Como orientação geral, as dermatologistas referem que podem cair cerca de 50 a 60 cabelos por dia. Se encontrar muito mais cabelo na escova, no duche ou na almofada, ou se notar que o risco alarga rapidamente, é sensato marcar avaliação médica.

“Uma consulta com a dermatologista esclarece se por trás da perda de volume estão apenas as hormonas - ou, por exemplo, falta de ferro, alterações da tiroide ou uma rarefação capilar hereditária.”

Quanto mais cedo uma patologia capilar é identificada, maior tende a ser a resposta às terapêuticas. Em alguns casos, podem ser consideradas soluções locais, espumas, suplementação alimentar ou tratamentos hormonais - sempre com adaptação individual.

Outros fatores que influenciam o cabelo na menopausa

Para lá das hormonas e da genética, os hábitos diários pesam mais do que muita gente imagina. O stress contínuo favorece processos inflamatórios no organismo e interfere com o ciclo capilar. Dietas muito restritivas retiram às raízes materiais essenciais como proteína, ferro, zinco e vitaminas do complexo B.

Uma rotina amiga do cabelo inclui, por isso:

  • proteína suficiente (por exemplo, peixe, ovos, leguminosas)
  • vegetais verdes e cereais integrais para oligoelementos
  • reduzir ao máximo a nicotina, porque fumar piora a circulação no couro cabeludo
  • escovar com suavidade em vez de puxar, sobretudo quando o cabelo está molhado

Quem pinta o cabelo com regularidade deve optar por técnicas mais suaves - como retoque de raiz com oxidante de baixa graduação ou glossing - em vez de aclarar o cabelo todo a cada poucas semanas. Cada descoloração abre a cutícula e torna o cabelo fino mais vulnerável à quebra.

Como combinar, de forma inteligente, corte e cuidados

O maior impacto aparece quando corte, styling e cuidados trabalham em conjunto. Um bob bem construído com pontas piquetadas, volume pensado na secagem e produtos leves e adequados funcionam como uma equipa.

Se houver dúvidas, compensa perguntar no salão que escova usar, em que direção apontar o secador e qual a quantidade certa de produto para o próprio tipo de cabelo. Muitos profissionais mostram os gestos passo a passo - e acompanhar pelo espelho durante o penteado ajuda mais do que qualquer instrução escrita no rótulo.

Assim, o temido “drama capilar” da menopausa pode tornar-se uma área em que é possível agir. As hormonas não se controlam por completo, mas o reflexo no espelho pode ser ajustado: com um corte inteligente, gestos consistentes no dia a dia e atenção ao momento certo para pedir aconselhamento médico.


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