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FIAT Grande Panda Hybrid é melhor que o elétrico: por dois motivos

Carro elétrico Fiat Grande Panda amarelo exposto em salão moderno, com faróis ligados.

A maior bagageira da classe

Por dentro, o espaço é generoso: ideal para quatro adultos e uma criança. A altura interior é boa (quatro dedos entre a cabeça e o teto, para passageiros com 1,80 m) e há espaço decente para as pernas.

Face ao FIAT Grande Panda elétrico, o híbrido ganha em altura ao solo (mais 2,2 cm) e oferece uma posição de pernas mais natural (piso mais baixo), tudo graças à ausência da bateria no piso. A visibilidade é ampla e o facto de os bancos traseiros serem mais elevados do que os dianteiros dá uma sensação de anfiteatro.

A bagageira é a maior do segmento com 412 litros (mais 50 litros do que no elétrico), podendo chegar aos 1366 litros com os bancos traseiros rebatidos. A geometria mais quadrada da carroçaria ajuda a aproveitar o espaço interior, apesar de existirem degraus entre os planos de carga e de entrada.

Simplicidade digital

A bordo, os designers tiveram o cuidado de tornar este espaço o mais alegre possível. Há apontamentos coloridos nas saídas de ar e nas costuras dos bancos.

O painel digital de 10″ e o ecrã central de 10,25″ estão integrados numa moldura que replica a forma oval da centenária pista de testes da fábrica de Lingotto, com direito a um pequeno carro que parece estar a dar voltas à pista. O sistema de climatização mantém comandos físicos e há carregamento e espelhamento sem fios para smartphones compatíveis.

O seletor de transmissão é partilhado com outros modelos da Stellantis. O interior recorre a plásticos rijos, mas a montagem transmite robustez.

A tampa do porta-luvas cai em vez de descer suavemente (algo comum neste segmento), mas existe um segundo compartimento superior, que pode ser forrado com tecido à base de fibras de bambu - uma piscadela de olho ao alimento do urso panda. É uma solução possível graças ao reposicionamento do airbag.

Dinâmica aprovada

Esta versão híbrida suave combina um motor elétrico de 29 cv (55 Nm), instalado dentro da caixa de seis velocidades (dupla embraiagem), com um bloco 1,2 litros de três cilindros, turbo (101 cv e 205 Nm). No conjunto, a potência máxima é de 110 cv, mas o binário máximo combinado não foi anunciado. É o mesmo sistema já usado em modelos como o Citroën C3, o Jeep Avenger ou o Opel Frontera.

Em estrada, o FIAT Grande Panda Hybrid mostrou-se equilibrado. O conforto não chega ao nível do ë-C3, que recorre a batentes hidráulicos, mas existe um bom meio-termo entre estabilidade e suavidade. O eixo traseiro semirrígido limita a filtragem dos buracos mais pronunciados, mas o comportamento é mais macio do que no elétrico, que sente o peso da bateria.

A direção tem o peso certo para cidade, ainda que com três voltas entre batentes, o que pede mais trabalho de braços em manobras apertadas. A travagem distingue-se pela progressividade logo no início do curso do pedal.

Nas retomas, a ajuda do motor elétrico disfarça a resposta mais tímida do motor térmico a baixos regimes (funciona em ciclo Miller, privilegiando a eficiência). Os 10s dos 0 aos 100 km/h melhoram o tempo do elétrico e a velocidade máxima de 160 km/h também é superior.

Pode rolar em modo elétrico apenas em curtas distâncias, aproveitando a eletricidade regenerada nas travagens e desacelerações, mas a bateria tem só 0,8 kWh - 50 vezes menos do que a do Grande Panda elétrico.

Não há modos de condução, mas existe um modo “L” na caixa que a torna mais pronta nas reduções. Sem patilhas ou comando manual, esta função pode criar efeito de travão-motor em descidas mais exigentes.

A caixa e-DCT merece elogios pela suavidade nas transições entre os modos térmico e elétrico, sem perdas de binário nas passagens. A bateria de 48 V alimenta também os sistemas de conforto e segurança.

Quanto a consumos, num percurso de 156 km com uma condução mais “viva” do que o habitual, a média ficou nos 7,2 l/100 km - acima dos 5,1 l/100 km oficiais, mas ainda aceitável neste tipo de primeiros contactos. Teremos de esperar por um teste mais prolongado em Portugal para perceber consumos noutros contextos.

Hybrid é apenas o início

A versão Hybrid do FIAT Grande Panda é a primeira a chegar ao mercado, com um preço base de 18 600 euros no caso da versão Pop, 20 100 euros para o Icon que aqui lhe apresentamos e 22 600 para a opção mais equipada de todas, o La Prima.

Mais perto do final do ano chega o Grande Panda apenas a gasolina e com caixa manual, que deverá ter um preço de entrada na gama mais apelativo, a rondar os 15 000 euros.

Além disso, mais tarde, também vamos receber o 4×4 - revelado recentemente como concept car -, que será a versão mais cara com motor de combustão, mas ainda assim com preços abaixo da versão 100% elétrica.

Veredito

Especificações técnicas

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