Os republicanos em vários estados do sul dos Estados Unidos estão a acelerar a revisão de mapas eleitorais em pleno ano de eleições, apesar de contestação pública a propostas consideradas favoráveis ao partido, com sinais claros no Alabama, no Tennessee e, mais recentemente, na Carolina do Sul.
No Tennessee, a oposição de manifestantes levou a que uma comissão do Senado estadual, controlada por republicanos, interrompesse uma audição sobre legislação de redistribuição de distritos, o que acabou por forçar a suspensão da sessão.
No Alabama, e apesar de apelos intensos de deputados democratas negros, a maioria republicana na assembleia estadual aprovou também uma iniciativa destinada a anular as primárias para o Congresso no estado, caso os tribunais venham a permitir alterações aos seus distritos para as eleições da Câmara dos Representantes.
Na Carolina do Sul, os democratas acusaram os republicanos de darem início a um processo para redesenhar um distrito que tem sido tradicionalmente representado por um congressista democrata negro, alinhando com a vontade do presidente Donald Trump.
Alabama e Tennessee: sessões extraordinárias e contestação aos novos círculos eleitorais
Os governadores republicanos do Alabama e do Tennessee chamaram os parlamentos estaduais a sessões extraordinárias, agendadas para esta semana, com o objetivo de aprovar novos círculos eleitorais e, assim, tentar garantir mais congressistas republicanos nas eleições intercalares de novembro.
No Alabama, a liderança legislativa do Partido Republicano antecipa que a alteração em preparação pode criar uma oportunidade concreta de eleger sete republicanos para o Congresso nas intercalares de novembro - isto é, todos os lugares atribuídos ao estado - quando a delegação atual inclui dois democratas.
No Tennessee, o plano da assembleia legislativa, dominada pelos republicanos, passa por dividir o único distrito do estado atualmente nas mãos de um democrata, centrado em Memphis, uma cidade de maioria negra.
"O Tennessee é um estado conservador e a nossa delegação no Congresso deve refletir isso. Este projeto de lei garante que isso aconteça", disse o senador estadual republicano John Stevens, que está a conduzir a tramitação legislativa, alvo de críticas por parte de democratas e de ativistas da comunidade afroamericana.
Decisão sobre Louisiana abriu caminho
Os movimentos recentes intensificaram-se depois de, na semana passada, o Supremo Tribunal federal ter invalidado um círculo eleitoral de maioria negra na Louisiana, sustentando que o desenho do mapa eleitoral do estado assentou em demasia em critérios raciais.
A decisão começou rapidamente a produzir efeitos nas assembleias legislativas do sul do país e, no domingo, Trump apelou a que mais estados avançassem com redesenhos de círculos eleitorais. Nas redes sociais, afirmou que o seu partido poderia ganhar 20 lugares na Câmara dos Representantes.
Trump tem pressionado estados com tendência republicana a procederem a revisões dos mapas, argumentando que a perda do controlo do Congresso abriria caminho a uma destituição promovida pelos democratas.
Em regra, os distritos legislativos nos Estados Unidos são redesenhados apenas uma vez por década, após os censos, de modo a acomodar mudanças populacionais.
Efeito dominó noutros estados e projeções de lugares no Congresso
Nas primárias republicanas de terça-feira, candidatos apoiados por Trump derrotaram pelo menos cinco dos sete legisladores estaduais do Indiana que tinham sido visados por aliados do presidente, depois de esses eleitos se terem recusado a apoiar, no ano passado, uma iniciativa de redistribuição de distritos eleitorais no Congresso.
A Assembleia Legislativa da Florida aprovou na semana passada um novo mapa eleitoral para o Congresso que favorece os republicanos, tornando o estado o oitavo a mexer nos círculos de votação desde o ano passado. Antes, já tinham avançado o Texas - onde o confronto com os democratas começou em junho de 2025, a pedido de Trump -, o Utah, o Ohio, a Carolina do Norte, o Missouri, a Califórnia e a Virginia.
Nas eleições de 2024, a Florida elegeu 20 congressistas republicanos e oito democratas.
Com o novo desenho dos 28 distritos, o total de republicanos poderá subir para 24.
Com vários processos de alteração de mapas agora em andamento, os republicanos estimam que podem conquistar até 13 lugares em cinco estados, enquanto os democratas consideram possível ganhar até dez lugares através de novos distritos aprovados em três estados.
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