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Ioga e Fisioterapia

Mulher a fazer exercício de equilíbrio com ajuda de fisioterapeuta numa sala de reabilitação iluminada.

Yoga e Fisioterapia - quais são as vantagens de juntar estas duas modalidades? E será que os fisioterapeutas estão a referenciar mais para Yoga do que para Pilates?

Antes de aprofundar este tema, vale a pena clarificar o que entendemos por Yoga e por Fisioterapia.

A Yoga é uma prática ancestral que integra controlo da respiração, meditação e posturas corporais específicas. Muitas pessoas praticam Yoga para promover a saúde e o relaxamento. Existe, além disso, um vasto conjunto de ensinamentos e filosofia associados à tradição da Yoga.

Também poderá já ter ouvido falar em terapia de Yoga. A terapia de Yoga assenta num modelo holístico: o terapeuta procura corrigir desequilíbrios musculares, trabalhar técnicas respiratórias e introduzir meditação. Ao longo do processo, a pessoa aprende ferramentas e estratégias que lhe permitem potenciar a sua própria capacidade de recuperação.

A Fisioterapia é uma terapia centrada no corpo. O fisioterapeuta dedica-se a identificar e corrigir disfunções musculares e/ou estruturais. Para tratar a origem de um problema físico, o profissional recorre sobretudo a técnicas de manipulação e intervenção física. É comum acompanhar doentes com dor, reabilitação pós-operatória, traumas recentes (por exemplo, acidentes de viação) e lesões desportivas.

Cada uma destas abordagens tende a ser mais útil em momentos diferentes da reabilitação. Por exemplo, após uma cirurgia ortopédica, a pessoa irá precisar de fisioterapia. Depois de concluída a fase de reabilitação, o fisioterapeuta incentiva habitualmente a manutenção de exercício regular.

A Yoga, por norma, encaixa-se melhor como prática de manutenção e/ou prevenção. E, neste momento, praticar Yoga está também muito em voga.

A terapia de Yoga é uma alternativa mais dirigida. Para alguns doentes, pode ser precisamente a peça que faltava quando existe dificuldade em regressar a um estado de saúde ideal. Os terapeutas de Yoga recebem formação para orientar de forma individualizada a maneira de se movimentar e de respirar.

Durante muito tempo, o Pilates foi a opção de eleição entre fisioterapeutas. Desequilíbrios posturais e estilos de vida sedentários deixam muitas pessoas com pouca força na zona central do corpo, o que pode traduzir-se em dor cervical e lombar. Por isso, muitos fisioterapeutas certificaram-se como instrutores de Pilates, combinando as vantagens das duas modalidades.

O que está a mudar?

Nos últimos tempos, um número crescente de fisioterapeutas tem escolhido a Yoga. Há até unidades de saúde que disponibilizam aulas de Yoga no próprio espaço. Será apenas reflexo do “boom da Yoga” ou estarão os profissionais de saúde a reconhecer vantagens específicas da Yoga?

Também se tem verificado que mais fisioterapeutas praticam Yoga e, em alguns casos, avançam para certificação como professores de Yoga - quando não como terapeutas de Yoga.

Recentemente, dei uma aula aos alunos do 2.º ano de Fisioterapia da WITS. Todos os anos faço uma sessão onde comparo Yoga e Pilates, explicando porquê e quando faz sentido referenciar para cada prática. O objetivo é que os estudantes compreendam que ambas têm pontos fortes e limitações. O Pilates incorpora vários princípios da Yoga, mas há diferenças essenciais - e uma das mais marcantes está nas técnicas de respiração.

Qualquer profissional de saúde concordará que o exercício pode melhorar o humor e o bem-estar geral. Perante isto, será assim tão importante o tipo de exercício que a pessoa escolhe?

Benefícios gerais da Yoga

  • As práticas iogues oferecem benefícios diretos e observáveis a qualquer pessoa, independentemente dos seus objetivos espirituais.
  • A Yoga contribui para a saúde do corpo e para uma sensação de vitalidade e juventude.
  • Promove maior clareza mental.
  • Adequa-se a todas as idades e a diferentes níveis de condição física.
  • A Yoga não é competitiva.
  • Fortalece músculos intrínsecos e inclui uma componente relevante de treino de flexibilidade.
  • Funciona como terapia física e mental.
  • Oferece um sistema completo de movimento que alonga, fortalece, tonifica, ajuda a corrigir alinhamentos e melhora a saúde global do corpo.

A Yoga pode ainda trazer benefícios ao sistema cardiovascular. As posturas são isométricas, o que tende a melhorar a aptidão cardiovascular e a circulação. Estudos indicam que uma prática regular de Yoga poderá ajudar a normalizar a pressão arterial.

Um sistema digestivo mais lento pode beneficiar do efeito de “massagem” provocado pelos músculos circundantes e pelo aumento da circulação sanguínea.

Como as articulações são levadas ao longo de toda a sua amplitude de movimento, acabam por ser mobilizadas de forma adequada. O alongamento suave ajuda a libertar tensão e rigidez muscular e articular, aumentando a flexibilidade. A manutenção das posturas contribui para melhorar força e resistência do sistema músculo-esquelético.

A longo prazo, podem observar-se reduções de stress, ansiedade e fadiga. A concentração, os níveis de energia e a sensação geral de bem-estar tendem a melhorar com a prática.

Muitas técnicas de controlo respiratório, conhecidas como pranayama, acalmam o sistema nervoso parassimpático. Ao ativar a resposta de relaxamento do corpo, é possível contrariar parte do impacto de estilos de vida modernos muito exigentes.

Quando o organismo está constantemente sujeito a uma saturação de estímulos e obrigações, a recuperação verdadeira torna-se quase impossível.

Resultados quando juntamos Yoga e Fisioterapia

Trabalho frequentemente em articulação com fisioterapeutas para apoiar a reabilitação e melhorar a integridade articular, a mobilidade global, os sintomas de dor e os níveis de stress.

As fotografias referidas foram tiradas entre janeiro e agosto de 2019 e dizem respeito a uma doente com sintomas como dor intensa no joelho, instabilidade do tornozelo e alterações de alinhamento postural. Iniciou uma prática regular de Yoga em março de 2019, com uma aula por semana.

A aluna beneficiou de perda de peso geral. Ainda assim, o aspeto mais relevante foi a melhoria global da postura. Observou-se evolução nos joelhos em hiperextensão (postura de “sway back”), bem como alterações na forma das curvas cifótica e lordótica da coluna.

Pela minha experiência, quando se trabalha com dor crónica e bandeiras amarelas, a Yoga é uma modalidade de movimento claramente superior. Também considero a Yoga mais eficaz para mobilidade global, devido à forte componente de flexibilidade. Além disso, existem ferramentas concretas - como a meditação e o pranayama - que ajudam a promover mudança e recuperação.

O que dizem os fisioterapeutas sobre a Yoga

“Como fisioterapeuta, pratiquei tanto Pilates como Yoga. Já referenciei doentes para ambos, porque acredito que os dois promovem boa consciência postural, foco corporal e disciplina. Explico que o Pilates tem um foco muito maior no ‘core’, no chamado cilindro abdominal. Já a yoga centra-se na postura e no comprimento muscular, enquanto o cilindro abdominal cumpre o seu papel sem foco nem consciência dirigida. Acontece de forma mais funcional. Pessoalmente, considero que a forma como a respiração é usada na yoga é mais natural, as posições mais funcionais e a componente mental revigorante e rejuvenescedora!

Ambos têm um lugar importante na reabilitação - desde que se encontre o terapeuta certo. Duas disciplinas únicas! Não conheço todas as variações de yoga - e vejo isso como algo positivo, porque dentro da disciplina há muito por onde escolher e com que ser desafiado!”

Lindsay Harris - Physioworx

“A Doente A tinha dor lombar crónica com comportamentos de evitamento por medo. Tinha demasiado receio de se mexer! Experimentou pilates, mas eu pedi-lhe mesmo para parar. Durante o Pilates, contraía todos os grupos musculares e tinha dificuldade em isolar a zona central. Recomendei Yoga, porque lhe permitiu ganhar alguma flexibilidade nos movimentos da coluna de forma suave, num ambiente controlado. Ficou mais confiante para mexer a coluna, ao mesmo tempo que fortalecia a zona central. A Yoga ajudou a acalmar a mente e a reduzir a ansiedade geral.

A Doente B era inicialmente ‘rapariga do Pilates’ até eu a observar. Sentia que já não estava a ajudar. A doente tem escoliose severa e é hipomóvel. Como resultado, sofre de dor no pescoço e nas costas e tem muita fraqueza. Os alongamentos incorporados na yoga e o trabalho da zona central ajudaram-na imenso. É uma pessoa com um ritmo de trabalho muito intenso. O feedback foi que a yoga conseguiu trabalhar força muscular e flexibilidade, ao mesmo tempo que lhe acalmou a mente.”

Caroline Hawkins

Encontrará, no meu site, vários módulos online na secção Fundamentos de Anatomia.

São ferramentas de aprendizagem ideais para refrescar, rever e atualizar os seus conhecimentos de anatomia.

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