Todos os invernos, os piscos-de-peito-ruivo começam, discretamente, a preparar a próxima família - muito antes de a maioria de nós guardar as luzes de Natal.
Mesmo quando os jardins parecem despidos e adormecidos, estas aves de peito vivo já avaliam refúgios seguros e possíveis parceiros. Há uma tarefa pequena, muitas vezes esquecida em Dezembro, que pode fazer a diferença e transformar o seu espaço no local que eles escolhem, ano após ano.
Porque é que os piscos-de-peito-ruivo escolhem o seu jardim muito antes da primavera
Em Janeiro, pode parecer que os piscos-de-peito-ruivo andam tranquilos a saltitar pelo relvado, mas seguem um calendário rigoroso. É comum pensar-se que a nidificação só começa na primavera; na prática, a preparação arranca várias semanas antes.
No Reino Unido, os piscos-de-peito-ruivo costumam criar duas ou três ninhadas por ano. Uma delas, muitas vezes, começa logo no início do novo ano. Assim que chega Janeiro, já procuram território, parceiros e locais adequados para fazer o ninho. Em Março, a construção acelera a sério.
Isto significa que qualquer caixa-ninho que queira disponibilizar tem de parecer apelativa antes dessa janela se abrir. Uma caixa com restos de ninhos antigos, dejectos e parasitas dificilmente transmite a ideia de “casa de família”.
"Os piscos-de-peito-ruivo começam a avaliar o mercado imobiliário dos jardins em Janeiro, por isso as caixas-ninho têm de estar limpas, secas e prontas até ao Ano Novo."
Entidades de protecção das aves e especialistas em vida selvagem de jardim recomendam, com frequência, que as famílias terminem uma tarefa concreta antes do fim de Dezembro: limpar e preparar as caixas-ninho para a época de reprodução.
A tarefa a concluir antes de terminar Dezembro
Se quer que os piscos-de-peito-ruivo regressem, a prioridade é simples: fazer uma limpeza completa a todas as caixas-ninho entre o fim do outono e meados do inverno, deixando-as prontas até ao Dia de Ano Novo.
A escolha desta altura não tem apenas a ver com o comportamento dos piscos-de-peito-ruivo. Também se relaciona com a legislação de vida selvagem no Reino Unido.
O que diz a lei sobre caixas-ninho e ovos
Ao abrigo da lei britânica de Protecção da Vida Selvagem e do Meio Rural, de 1981, não é permitido perturbar ninhos activos. Assim que as aves se instalam, deve deixá-las em paz. Essa protecção aplica-se inclusive a ovos ainda por eclodir.
Quaisquer ovos antigos que tenham ficado no ninho depois da época de reprodução só podem ser removidos entre Setembro e Janeiro. Depois disso, têm de ser deitados fora. Guardar os ovos é ilegal, mesmo que nunca tenham chocado.
"A limpeza, a remoção de material e qualquer retirada de ovos antigos tem de acontecer na estreita janela entre Setembro e Janeiro, ou arrisca-se a infringir a lei."
Por isso, o momento seguro e legal para renovar uma caixa-ninho cai precisamente numa fase que muitos jardineiros ignoram: o período húmido e mais parado após o verão. Quem actua nessa altura dá, contudo, uma vantagem enorme aos piscos-de-peito-ruivo.
Como limpar uma caixa-ninho sem prejudicar a vida selvagem
As caixas-ninho não servem apenas de abrigo para crias. Também acumulam ácaros, pulgas, bactérias e bolor. Se deixar o ninho do ano anterior no interior, a caixa pode tornar-se um risco para a saúde.
Organizações de vida selvagem recomendam uma rotina de inverno simples e eficaz.
Passo a passo: uma limpeza de inverno que os piscos-de-peito-ruivo vão valorizar
- Retire a caixa entre o fim de Setembro e Fevereiro, quando tiver a certeza de que está vazia.
- Abra-a e remova todo o material antigo do ninho, dejectos e detritos.
- Ferva uma chaleira e escalde o interior com água a ferver, para eliminar parasitas.
- Deixe a caixa aberta num abrigo ou local seco, para arejar e secar por completo.
- Verifique se o orifício de entrada e quaisquer aberturas de drenagem estão desobstruídos.
- Repare parafusos soltos, telhados danificados ou painéis rachados.
- Volte a instalar a caixa, no máximo, até ao fim de Dezembro.
Instituições de protecção da vida selvagem desaconselham vivamente insecticidas ou pós antipulgas. Estes produtos podem deixar resíduos prejudiciais para as aves ou para as crias. A água a ferver resolve sem recurso a químicos.
"Um simples enxaguamento com água a ferver, uma vez por ano, reduz os parasitas e faz com que a caixa pareça fresca, seca e segura para a próxima ninhada."
Onde colocar uma caixa-ninho para que o pisco-de-peito-ruivo a use mesmo
A higiene aumenta as probabilidades, mas os piscos-de-peito-ruivo continuam a precisar de um local adequado. Os ninhos naturais surgem em recantos protegidos e discretos, e não no alto de ramos expostos.
Na natureza, é frequente encontrá-los a nidificar em: - Pilhas de lenha e montes de ramos - Cavidades em troncos - Sebes densas e matagais - Fendas em muros, anexos ou taludes
Em regra, preferem sítios perto do chão, com protecção contra o vento e contra predadores. Para caixas-ninho em jardins, muitos ornitólogos sugerem colocar a caixa a uma altura máxima de cerca de 1,8–2,1 m do solo, se o objectivo for atrair piscos-de-peito-ruivo.
| Factor de colocação | O que os piscos-de-peito-ruivo tendem a preferir |
|---|---|
| Altura | Perto do nível do chão, até cerca de 1,8–2,1 m |
| Orientação | Virada para longe do vento dominante e da chuva intensa |
| Cobertura | Parcialmente escondida por arbustos, hera ou uma vedação |
| Perturbação | Zonas calmas, longe de portas, áreas de brincadeira e passagens movimentadas |
| Predadores | Não directamente por cima de um comedouro usado por gatos ou corvídeos |
Faça uma volta pelo jardim e tente vê-lo pelos olhos de um pisco-de-peito-ruivo. Um local seguro parece secreto: não é constantemente atravessado por pessoas ou animais domésticos. Está junto a abrigo natural e com acesso fácil a canteiros ricos em alimento ou a relvados.
"Escolha um canto resguardado, baixo mas não ao nível do chão, com folhagem por perto e o mínimo de circulação humana possível."
A regra de ouro: não vá à procura do ninho
Quando um pisco-de-peito-ruivo começa a mostrar interesse pela sua caixa, evite a tentação de espreitar. Muitas falhas de nidificação acontecem por curiosidade bem-intencionada.
Os piscos-de-peito-ruivo podem abandonar o ninho se sentirem que foi descoberto. Mesmo levantar a tampa rapidamente, ou repetir visitas, pode levá-los a deixar ovos ou crias para trás.
Em vez disso, observe à distância. Ainda assim, vai conseguir ver os adultos a transportar musgo e folhas e, mais tarde, insectos no bico, sem pairar sobre a caixa.
Para lá da caixa: pequenos extras que mantêm os piscos-de-peito-ruivo fiéis
Uma caixa-ninho limpa e bem colocada é a base de um jardim amigo do pisco-de-peito-ruivo. Alguns cuidados adicionais aumentam a probabilidade de ficarem durante o inverno e regressarem todos os anos.
Alimento e água no inverno que fazem diferença
Os piscos-de-peito-ruivo aguentam o frio, mas as noites geladas drenam-lhes as reservas de energia. Fontes de comida e de água ajudam-nos a manter o território.
- Espalhe larvas de farinha, pellets de sebo ou misturas macias e energéticas num comedouro ao nível do chão.
- Garanta pelo menos um prato pouco fundo com água, evitando que congele ao reabastecer todas as manhãs.
- Deixe algumas folhas caídas e caules secos para que os insectos continuem disponíveis como alimento natural.
Como os piscos-de-peito-ruivo tendem a defender territórios pequenos - por vezes de forma agressiva - vários pontos de alimentação dispersos ajudam a reduzir conflitos entre aves.
Transformar uma tarefa rotineira num ritual de inverno
Limpar uma caixa-ninho pode parecer uma tarefa aborrecida, mas pode tornar-se um ritual calmo da estação. Em algumas casas, o fim de Dezembro já é tratado como a “semana das caixas-ninho”: uma verificação das caixas, dos comedouros, dos recipientes de água e do estado geral do jardim.
Para as crianças, esta rotina simples costuma ser uma primeira lição prática sobre cuidar da vida selvagem e sobre a lei aplicada a aves e ninhos. Para os adultos, ajuda a perceber como as aves seguem o calendário com precisão, mesmo quando as pessoas se sentem presas entre feriados e dias cinzentos.
Quem tem varanda, pátio interior ou um quintal pequeno também pode adoptar uma versão deste hábito. Uma única caixa numa parede abrigada, um vaso com vegetação densa e sempre-verde e um pouco de alimento ainda podem atrair um pisco-de-peito-ruivo. A escala importa menos do que o momento e a consistência.
Quando os bolbos da primavera começam a romper a terra, muitas vezes a decisão já foi tomada. Um pisco-de-peito-ruivo ou confia no seu jardim como base limpa e segura para criar, ou segue em silêncio para outro sítio. E essa escolha, mais do que tudo, depende do que fizer com essa pequena caixa de madeira antes de Dezembro dar lugar ao novo ano.
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