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Mudanças na forma do cérebro associam-se ao risco de demência e a quebras cognitivas

Médico aponta para imagem de ressonância magnética do cérebro numa tela, explicando a duas pessoas.

Compreender melhor o risco de demência pode traduzir-se em melhorias nos cuidados e nos tratamentos. Um novo estudo aponta uma ligação entre alterações na forma do cérebro e diminuições de funções cognitivas - como a memória e o raciocínio.

A proposta é que parte do desgaste que, com o tempo, pode culminar em demência também seja capaz de modificar a estrutura e a forma do cérebro. Vigiar estas mudanças poderá, assim, tornar-se uma via relativamente simples para sinalizar a demência numa fase precoce.

Os resultados foram obtidos por investigadores da Universidade da Califórnia, Irvine (UC Irvine) e da Universidade de La Laguna, em Espanha, e reforçam o que já se sabe sobre a redução natural do cérebro com o avançar da idade.

Forma do cérebro e risco de demência: o que este estudo acrescenta

"Muitos estudos sobre o envelhecimento do cérebro centram-se em quanto tecido é perdido em diferentes regiões", afirma o neurocientista Niels Janssen, da Universidade de La Laguna.

"O que descobrimos é que a forma global do cérebro se altera de maneiras sistemáticas, e essas alterações estão estreitamente associadas ao facto de alguém apresentar défice cognitivo."

Para chegar a estas conclusões, a equipa analisou 2,603 exames de ressonância magnética (RM) ao cérebro de pessoas com idades entre os 30 e os 97 anos, acompanhando ao longo do tempo as mudanças estruturais e de forma e relacionando-as com as pontuações dos participantes em testes cognitivos.

Os investigadores verificaram que as expansões e contrações da forma do cérebro associadas à idade não eram uniformes em todas as regiões cerebrais. Além disso, nas pessoas com algum nível de declínio cognitivo, essa falta de uniformidade tendia a ser mais evidente.

Um exemplo: observou-se que zonas do cérebro mais próximas da parte posterior da cabeça encolhiam com a idade - e isto foi particularmente marcado em quem obteve resultados mais baixos em testes de capacidade de raciocínio. Ainda será necessária muito mais informação para definir estas relações com maior precisão, mas este trabalho sugere que elas existem.

Implicações para doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer

As conclusões também têm implicações para doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer, em que os danos cerebrais se vão acumulando.

Os investigadores sugerem que um centro crucial da memória, conhecido como córtex entorrinal, poderá ficar sob pressão devido às alterações de forma relacionadas com a idade - e é precisamente nessa região que, tipicamente, começam a concentrar-se as proteínas tóxicas associadas à doença de Alzheimer.

"Isto pode ajudar a explicar por que razão o córtex entorrinal é o ponto zero da patologia da doença de Alzheimer", diz o neurocientista Michael Yassa, da UC Irvine. "Se o cérebro em envelhecimento estiver, gradualmente, a mudar de forma de um modo que comprime esta região frágil contra um limite rígido, isso pode criar a tempestade perfeita para que o dano se instale."

"Compreender esse processo dá-nos uma forma totalmente nova de pensar nos mecanismos da doença de Alzheimer e na possibilidade de deteção precoce."

Mais exames cerebrais e medições mais rigorosas deverão permitir que esta linha de investigação avance. A equipa quer explorar, em particular, porque é que algumas áreas do cérebro podem expandir-se com a idade e de que modo isso se relaciona com a cognição.

A principal mensagem é esta: há evidência de que, na saúde e no envelhecimento, não conta apenas o volume do cérebro, mas também a sua forma tridimensional - composta por muitas regiões diferentes que trabalham em conjunto para manter a mente desperta e ativa.

"Estamos apenas a começar a desvendar como a geometria do cérebro molda a doença", afirma Yassa. "Mas esta investigação mostra que as respostas podem estar escondidas à vista de todos - na própria forma do cérebro."

A investigação foi publicada na revista Comunicações da Natureza.

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