Quem reparar bem nestas semanas percebe depressa: entre crocus, narcisos e o primeiro verde fresco, está a começar um verdadeiro aumento de ninhadas. Sobretudo no Reino Unido, mas também por cá, muitas aves de jardim aproveitam as temperaturas mais suaves para arrancar com a construção dos ninhos. Quatro espécies destacam-se de forma especial - e todas elas podem já estar a reproduzir-se mesmo à porta de sua casa.
Quando as aves de jardim começam a construir o ninho
No Reino Unido, a principal época de reprodução da maioria das aves canoras inicia-se no começo de março e prolonga-se até agosto. De forma geral, essa janela também corresponde ao que acontece na Europa Central. O momento exato varia consoante a espécie, o clima e a disponibilidade de alimento. Assim que os dias ganham mais luz, muitas aves começam a procurar parceiros e locais adequados para nidificar.
De março até ao fim do verão, qualquer jardim pode tornar-se um quarto de crianças para as aves canoras.
Nas primeiras semanas da primavera, os sinais tornam-se evidentes: os machos cantam com mais intensidade, os casais repetem várias vezes os mesmos trajetos e as aves levam caules, folhas ou musgo no bico. Nessa altura, já é claro que está a surgir um ninho nas redondezas.
As quatro aves de jardim que agora nidificam com mais frequência
Em jardins típicos de moradias geminadas tanto em Inglaterra como na Alemanha, há quatro espécies que se destacam como reprodutoras precoces em ambiente doméstico: melros, pisco-de-peito-ruivo, chapins-azuis e chapins-cauda-longa. Cada uma aproveita recantos diferentes do jardim - e, quando se conhecem os seus hábitos, fica mais fácil descobrir um ninho.
Melro: o construtor discreto em sebes e arbustos
Os melros estão entre os habitantes mais comuns dos jardins. Fazem ninhos semiabertos, muitas vezes bem escondidos na vegetação densa. As opções preferidas incluem:
- sebes perenes (louro-cereja, tuia, teixo)
- trepadeiras como a hera ou o madressilva
- arbustos cerrados, como o ligustro ou as roseiras-bravas
Os ninhos costumam ficar a 1–3 metros de altura. Os melros começam frequentemente a primeira postura já em março e, se o tempo ajudar, podem criar várias ninhadas por ano. Os ovos ficam cerca de duas semanas no ninho e, depois disso, as crias nascem.
Pisco-de-peito-ruivo: o visitante discreto no matagal
Os piscos-de-peito-ruivo parecem confiantes, mas são muito sensíveis quando se trata do ninho. Gostam de o construir:
- em coberturas rasteiras densas ou por baixo de arbustos
- em cantos de pilhas de lenha
- em reentrâncias de muros ou em vasos antigos esquecidos no local
Muitas vezes, os ninhos ficam surpreendentemente baixos, por vezes apenas a alguns centímetros do chão. Também estes pássaros entram cedo na estação. A partir do fim de março, é frequente ouvir um chilrear suave vindo da vegetação rasteira, enquanto os pais andam sem descanso a trazer insetos e minhocas.
Chapim-azul: hóspede habitual da caixa-ninho
Os chapins-azuis são os ocupantes típicos das caixas-ninho. Na natureza, usam cavidades em árvores, mas nos jardins preferem muito:
- caixas-ninho de madeira clássicas com pequeno orifício de entrada (cerca de 28 mm)
- buracos em velhas árvores de fruto
- fendas em barracões ou debaixo de beirais
No início da primavera, vêem-se muitas vezes junto à entrada de uma caixa, a bicar ou a inspeionar. Esse comportamento mostra que o local está a ser avaliado e que o casal está a ponderar instalar-se ali. Se o espaço for aceite, a cavidade é cuidadosamente forrada com musgo, penas e pelos de animais.
Chapim-cauda-longa: cantores precoces em grupo familiar
Os chapins-cauda-longa estão entre os construtores de ninhos mais precoces e mais laboriosos. Fazem ninhos elaborados e fechados, feitos de musgo e teias de aranha, muitas vezes em:
- ramos finos de arbustos e árvores de folha caduca
- sebes à altura dos olhos ou um pouco acima
- zonas periféricas dos jardins, de preferência perto de terrenos devolutos
Os chamamentos suaves e agudos de bandos de chapins-cauda-longa ouvem-se muitas vezes logo de manhã, entre março e abril. Quem os seguir com atenção pode ter a sorte de encontrar o ninho delicadamente tecido.
Como reconhecer um ninho no próprio jardim?
Um ninho raramente é descoberto por procura direta; normalmente, é o comportamento das aves adultas que o denuncia. Alguns sinais claros são:
- as aves percorrem repetidamente a mesma rota, muitas vezes com alimento no bico
- um animal desaparece sempre no mesmo ponto do arbusto
- há mais gritos de alarme e protesto quando alguém se aproxima de um canto específico
- ouvem-se chilreios baixos ou pedidos de alimento vindos de sebes e caixas-ninho
Quem quiser encontrar ninhos deve observar em vez de procurar - e manter sempre distância.
Durante a reprodução, visitas humanas frequentes e muito próximas podem ser suficientes para desorientar as aves. Se os pais se afastarem durante demasiado tempo, os ovos arrefecem ou as crias ficam sem comida.
Situação legal: os ninhos estão rigorosamente protegidos
No Reino Unido, a proteção é regulada pela lei britânica da vida selvagem e do campo de 1981. Perturbar deliberadamente ou destruir ninhos pode resultar em multas elevadas e até penas de prisão. Também no espaço de língua alemã vale a mesma lógica: a época de reprodução e de criação está sujeita a proteção especial.
Em termos gerais, nesta fase deve evitar-se:
- cortar sebes de forma radical
- desbastar árvores em excesso quando pode haver ninhos no interior
- abrir caixas-ninho ou “espreitar” lá para dentro
Se encontrar um ninho por acaso, o melhor é assinalar o local e evitá-lo até as crias abandonarem o ninho. As crianças beneficiam de explicações dadas a uma distância segura - binóculos, e não o telemóvel enfiado no arbusto.
Como os donos de jardim podem apoiar aves em reprodução
Um jardim amigo das aves começa no desenho do espaço. Quem oferece apenas pedras, brita e relva aparada ao milímetro dificilmente atrai muitos casais reprodutores. Alguns elementos essenciais para um ecossistema vivo são:
- sebes de arbustos autóctones como esconderijo e local de nidificação
- plantas com flor para atrair insetos, que mais tarde servem de alimento às aves
- pouco ou nenhum uso de pesticidas
- uma área com alguma “desordem”: pilha de lenha, monte de folhas, canto mais selvagem
As caixas-ninho complementam esta oferta, mas não a substituem. Quem as instalar deve ter em conta a altura correta (normalmente 2–3 metros), um local protegido e uma orientação da entrada afastada do sol forte do meio-dia.
Um jardim saudável, cheio de insetos, é o melhor “supermercado” para crias famintas.
Além disso, podem criar-se pontos de alimentação, por exemplo com comida energética como larvas da farinha, bolas de gordura ou misturas específicas para a época de reprodução. Um recipiente baixo com água fresca ajuda nos dias quentes - tanto para beber como para banho.
Erros típicos que convém evitar
Mesmo com as melhores intenções, por vezes surgem problemas. Alguns exemplos:
- abrir a caixa-ninho para filmar ou fotografar as crias
- cortar a sebe exatamente quando os juvenis ainda estão no ninho
- colocar comedouros junto a passagens frequentes de gatos
- usar iluminação nocturna muito intensa no jardim, que perturba as aves
Também não é boa ideia alimentar com pão. O mais indicado são misturas especiais de grãos ou de insetos. Em caso de dúvida, o melhor é seguir as recomendações de associações de conservação da natureza.
O que significa exatamente “época de reprodução”?
A época de reprodução não se limita ao momento em que as aves estão sentadas sobre os ovos. Esse período inclui:
- procura de parceiro e formação de território
- construção do ninho e postura dos ovos
- incubação e eclosão
- alimentação das crias no ninho
- os primeiros dias após a saída do ninho, quando os pais continuam a alimentar os jovens
É precisamente a fase depois de abandonarem o ninho que gera muitos equívocos: muita gente pensa que os juvenis que parecem sozinhos estão desamparados. Na realidade, estão a aprender a voar e continuam a ser alimentados pelos pais nas imediações, a partir do chão. Só se deve intervir quando houver a certeza de que o animal está ferido ou órfão - e, nesse caso, o melhor é contactar uma estação de recuperação de aves selvagens.
Como o seu jardim pode tornar-se, a longo prazo, um paraíso para as aves
Quem, agora na primavera, olhar com mais atenção, fica a perceber o quanto as aves dependem da forma como tratamos os nossos jardins. Medidas isoladas, como pendurar uma caixa-ninho, são um começo, mas o que realmente conta é o conjunto. Uma combinação de prado florido, arbustos, árvores, alguns cantos deixados mais livres e uma manutenção moderada atrai não só aves, mas também borboletas, abelhas-selvagens e outros animais.
Se todos os anos fizer pequenos melhoramentos - por exemplo, plantar mais uma sebe autóctone, instalar outra caixa ou abdicar de produtos químicos - vai construir, passo a passo, um refúgio valioso. A recompensa chega na primavera: canto discreto, aves adultas a esvoaçar com alimento no bico e a certeza de que, no seu próprio jardim, a vida nova está a crescer.
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