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A primeira flor do tomate: porque a deve remover

Muitos jardineiros amadores ficam radiantes quando veem a primeira flor no tomateiro - e, sem se aperceberem, cometem logo aí o primeiro erro da época.

Ao plantar mudas, quase toda a gente se concentra na variedade, no local e no fertilizante. Há, porém, um pormenor minúsculo que passa despercebido à maioria: a primeira flor. É precisamente essa flor inicial que pode influenciar se, mais tarde, os seus tomates vão produzir com força - ou se acabará com meia dúzia de frutos pequenos e sem expressão.

Porque é que a primeira flor do tomate pode tornar-se um problema

No momento em que é transplantado, qualquer tomateiro entra em stress. Sai de um substrato leve de vaso para um solo de canteiro mais compacto, muitas vezes com temperaturas diferentes e mais exposição ao vento. Nesta fase, cada unidade de energia conta.

Se deixar a primeira flor no sítio, acontece o seguinte: a planta começa de imediato a alimentar um início de frutificação. Em vez de investir a força na formação de raízes novas e profundas e num crescimento mais firme, está já a sustentar um futuro tomate. Isso atrasa a arrancada.

"Quem remove a primeira flor direciona toda a energia do jovem tomateiro para raízes e rebentos - a base para uma colheita forte."

As consequências de manter essa flor só se tornam evidentes semanas depois:

  • a muda tem mais dificuldade em pegar
  • estes primeiros frutos tendem a ficar pequenos e com menos aroma
  • a estrutura geral da planta fica mais fraca; a produção e a regularidade ressentem-se

Pode parecer um gesto drástico, mas para o tomateiro é, na prática, um alívio: não precisa de “mudar de casa” e, ao mesmo tempo, formar frutos.

O momento certo para plantar tomates no exterior

A data em que os tomates podem ir para o exterior varia muito conforme a região. Geadas e noites frias são o maior inimigo das plantas jovens.

Orientação geral por regiões

  • Regiões mais quentes / sul: normalmente a partir de meados de abril
  • Zonas costeiras com clima ameno: início a meados de maio
  • Regiões mais frescas, norte, zonas mais elevadas: muitas vezes só depois dos “santos de gelo”, ou seja, do fim de maio ao início de junho

Mais importante do que o calendário são dois valores de temperatura:

  • temperatura do solo de, pelo menos, cerca de 15 °C
  • temperaturas noturnas estáveis acima de 10 °C

Basta uma única noite com 6 °C para travar claramente a planta. A partir daí, enraíza mais devagar e fica mais vulnerável.

Endurecer as plantas em vez de as sujeitar a um choque

Tomateiros vindos de uma sala quente ou de uma estufa encontram, lá fora, sol direto, vento e ar mais fresco. Sem adaptação, é stress garantido.

  • durante cerca de uma semana, coloque as plantas no exterior todos os dias
  • comece com poucas horas à sombra ou em meia-sombra
  • aumente gradualmente o tempo e a quantidade de sol

Com este “endurecimento”, as plantas habituam-se às condições reais. Ficam mais resistentes e o choque do transplante diminui bastante.

Qual é exatamente a flor que deve remover

O que interessa é a primeira flor no cacho mais baixo - normalmente o primeiro pequeno conjunto de flores na haste principal. Em tomateiros comprados, é frequente já haver ali uma flor aberta ou quase a abrir.

Proceda assim, de forma prática:

  • segure a flor com cuidado entre o polegar e o indicador
  • retire-a com um movimento firme e limpo
  • em alternativa, use uma tesoura de jardinagem pequena e desinfetada
  • faça o corte mesmo na base da flor

Tenha atenção para não magoar a haste principal. Um rasgão ou esmagamento na zona do rebento abre caminho a fungos e a apodrecimentos.

Flor ou rebento ladrão - como distinguir

Muitos jardineiros amadores confundem flores com os chamados rebentos ladrões. Estes são rebentos laterais que surgem nas axilas das folhas - isto é, exatamente entre o caule principal e um ramo lateral.

  • Cachos florais: aparecem no caule e têm botões pequenos ou já as típicas flores amarelas em forma de estrela
  • Rebentos ladrões: parecem pequenos caules extra com folhas, sem flores

Os rebentos ladrões são retirados mais tarde na época (o “desladroamento”), sobretudo em variedades altas e de crescimento contínuo. Já a primeira flor deve ser removida antes ou no momento de plantar o tomateiro no canteiro.

"Regra prática: tirar a flor antes de plantar, regular os rebentos ladrões ao longo da época."

Como apoiar o tomateiro depois da plantação

Depois de ser plantado, o tomateiro costuma precisar de 10 a 15 dias para “assentar” as raízes no novo solo. Nesta janela, a forma como cuida da planta faz a diferença.

Rega correta para raízes fortes

  • regue 1 a 2 vezes por semana, mas em profundidade
  • evite borrifar todos os dias com pequenas quantidades
  • mantenha a zona à volta do torrão húmida, mas nunca encharcada
  • procure manter as folhas secas para reduzir o risco de doenças fúngicas

A rega profunda obriga as raízes a descer. Mais à frente, isso torna a planta menos dependente de curtos períodos de seca.

Controlar o tamanho do fruto pela quantidade de flores

Assim que o tomateiro estiver bem pegado, volta a formar cachos florais com rapidez. Se deixar a planta “seguir sozinha”, muitas vezes obtém muitos frutos, mas pequenos. Com algum controlo, a qualidade melhora.

Regra prática para jardinagem em casa:

  • por cacho, deixe cerca de três a quatro flores
  • limite o total de cachos por planta a cinco a seis

Desta forma, a energia concentra-se em menos tomates, mas mais robustos, com mais aroma e melhor consistência.

Usar rebentos ladrões como novas plantas de tomate sem custos

Deitar rebentos ladrões fora é desperdiçar potencial. Muitos destes rebentos podem ser enraizados e transformados em plantas autónomas.

  • escolha um rebento ladrão saudável com cerca de 8 a 10 cm de comprimento
  • coloque-o num copo com água num local luminoso, mas sem sol direto
  • espere alguns dias até aparecerem as primeiras raízes
  • transplante para um vaso com terra ou plante diretamente no canteiro

Assim, consegue novas plantas sem gastar mais. Em geral, produzem mais tarde, mas, em variedades de produção prolongada, ajudam a estender a época de colheita, porque plantas jovens continuam a “dar” com força mais para o fim do ano.

Quando a regra da primeira flor não se aplica

De forma geral, os tomates dividem-se em dois grupos: variedades arbustivas, com altura limitada, e variedades altas, que continuam a crescer ao longo de toda a estação.

Tomates arbustivos: um pouco mais tolerantes

Nas variedades determinantes (de crescimento limitado), o crescimento em altura termina relativamente cedo. Ramificam mais, formam plantas compactas e, por norma, produzem menos rebentos ladrões. Aqui, retirar a primeira flor é menos determinante. São também tipos muito usados em vasos ou em varandas.

Tomates altos: aqui compensa mesmo cortar

As variedades indeterminadas (de crescimento contínuo) alongam-se durante toda a época. Nelas, remover a primeira flor costuma ter o maior impacto: o tomateiro constrói um sistema radicular mais forte e desenvolve rebentos estáveis, capazes de suportar mais cachos florais mais tarde.

Exemplos conhecidos deste grupo incluem tipos “coração-de-boi” mais carnudos, os clássicos tomates de estaca e muitas variedades escuras de coleção. Quem cultiva estas variedades mais produtivas beneficia claramente de uma gestão consistente do corte no início da época.

Porque é que este pequeno corte inicial compensa várias vezes

O gesto demora segundos, mas traz várias vantagens:

  • crescimento de raízes mais vigoroso nas primeiras semanas
  • melhor adaptação após o transplante, com menos “fase de estagnação”
  • rebentos mais firmes, que resistem melhor ao vento e à chuva
  • frutos mais uniformes e, muitas vezes, com sabor mais intenso

Em anos de meteorologia instável, esta vantagem nota-se ainda mais. Plantas que, desde o início, apostaram em raízes em vez do primeiro fruto lidam melhor com períodos de frio e com fases de seca.

Quem tiver dúvidas pode fazer um teste simples no próprio jardim: num tomateiro, retire a primeira flor; no que está ao lado, não mexa. A diferença no desenvolvimento, no tamanho dos frutos e na quantidade total acaba por ser a resposta mais convincente - diretamente do seu canteiro.


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