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Para proteger a tua saúde mental: 5 tipos de pessoas de quem te deves afastar

Estudante a andar no parque, concentrado no telemóvel, com grupo de jovens ao fundo conversando.

Quando uma relação te custa mais do que te dá

Muitas vezes, o peso de certas relações só fica óbvio quando já estás exausto/a. A psicologia tem mostrado, em vários estudos, que alguns padrões de personalidade e dinâmicas relacionais aparecem associados a mais ansiedade, sintomas depressivos e uma inquietação constante. Há cinco perfis que surgem repetidamente - e com eles vale mesmo a pena perguntar se criar distância não será a opção mais saudável.

À primeira vista, pode parecer tudo normal: um café aqui, uma chamada ali. Mas, por dentro, sais de cada encontro com um aperto difícil de explicar. Dás por ti a pedir desculpa por coisas que não fizeste, a justificar-te sem parar, ou a sentir que estás sempre “em bicos dos pés”. É precisamente este tipo de dinâmica que vários estudos de longa duração ligam a maior desgaste psicológico, mais medo e sintomas depressivos.

Um sinal de alerta: depois de estares com uma determinada pessoa, sentes-te mais pequeno/a, mais inseguro/a ou vazio/a por dentro - e isso repete-se.

Os cinco tipos abaixo baseiam-se em investigação sobre traços de personalidade e dinâmicas de relação. Nem toda a gente encaixa numa “caixa” perfeita, mas os padrões tendem a ser muito semelhantes.

1. Os Taktierer: charmosos, calculistas, frios

À primeira vista, costumam ser cativantes: confiantes, divertidos, cheios de presença. Em psicologia, aparecem aqui conceitos como narcisismo, maquiavelismo e psicopatia - a chamada “tríade negra”. Estudos indicam que pessoas com traços sombrios muito marcados usam as relações mais como palco ou ferramenta do que como uma ligação entre iguais.

Sinais típicos no dia a dia:

  • Grandes promessas que, quando vais ver bem, nunca são cumpridas.
  • Passas a ser “o/a culpado/a” no momento em que colocas um limite.
  • Hoje um charme exagerado, amanhã um distanciamento gelado - conforme lhes convém.

A relação começa a parecer um jogo de poder que muda sempre as regras: tu tentas ser compreendido/a, enquanto a outra pessoa só está focada em garantir vantagens. Resultado: a tua segurança emocional desaparece e ficas a duvidar constantemente da tua própria perceção.

2. Os/As controladores/as: “Eu é que sei o que é melhor para ti”

O controlo nem sempre é barulhento. Pode ser discreto, embrulhado em “cuidado”, e até parecer agradável no início. “Só estou preocupado/a contigo” é uma frase frequente quando alguém quer saber ao pormenor onde estás, com quem falas e porque chegaste mais tarde a casa.

A investigação sobre “controlo coercivo” (coercive control), isto é, comportamentos de controlo em relações, mostra ligações claras a sintomas depressivos e sinais de consequências traumáticas. Quem está do outro lado vai perdendo autonomia, passo a passo.

Sinais de alerta:

  • Perguntas constantes, vigilância, ciúmes desproporcionados por coisas pequenas.
  • Vês amigos/as e família cada vez menos - “para evitar chatices”.
  • Roupa, hobbies, gastos: de repente, quase tudo tem de ser “combinado”.

Amor não limita a tua vida; aumenta a tua margem de ação.

Quem te faz sentir que, sem o controlo dele/dela, não consegues funcionar, está sobretudo a proteger a própria posição de poder.

3. Os agressores emocionais: “Era só uma brincadeira”

“Não há marcas, por isso não pode ser assim tão grave” - este erro mantém muita gente presa a relações profundamente dolorosas. Violência psicológica inclui humilhações, insultos, ameaças e desvalorização constante. Estudos com casais mostram que vítimas de agressão psicológica sofrem, muitas vezes, mais com ansiedade e sofrimento interno do que pessoas que viveram “apenas” violência física.

Padrões comuns:

  • Ironia repetida e mordaz à tua custa.
  • Críticas constantes ao teu aspeto, à tua inteligência, aos teus sentimentos.
  • És rotulado/a de “sensível” assim que falas do que te magoa.

O centro desta dinâmica é simples: a outra pessoa coloca-se acima de ti, “cresce” ao diminuir-te. Com o tempo, isto corrói a autoestima, tira-te confiança e aumenta a vergonha.

4. Os desdenhosos crónicos: sempre irritados, sempre acima de ti

Nem todas as relações destrutivas gritam; algumas limitam-se a suspirar. A investigação do terapeuta de casais John Gottman mostra que o desprezo - gestos desdenhosos, sarcasmo, superioridade constante - é um dos sinais mais fortes de separação e divórcio. Quem trata o outro de cima para baixo de forma contínua destrói a base da intimidade.

Como isto aparece no quotidiano:

  • Olhos revirados, olhares de desdém, risos de gozo quando dizes algo.
  • Frases como “estás a exagerar”, “não serves para nada”, “típico de ti”.
  • Sentes-te mais avaliado/a do que compreendido/a, mais julgado/a do que visto/a.

Uma relação estável enfrenta problemas, não ataca pessoas.

Quem te desvaloriza de forma sistemática ataca a tua sensação de seres digno/a de amor e competente. Muitas vezes, essa voz negativa acaba por ficar dentro de ti - e passas a falar contigo da mesma maneira.

5. Os distorcedores da realidade: a tua cabeça vira alvo

Este tipo é particularmente perigoso porque não critica só o que fazes: mina a tua perceção inteira. Em contexto clínico, surge muitas vezes o termo “gaslighting”. Trata-se de estratégias em que alguém põe sistematicamente em causa a tua versão de acontecimentos, conversas e emoções para ganhar mais controlo.

Frases típicas:

  • “Eu nunca disse isso”, embora ontem tenha sido tema.
  • “Estás a imaginar coisas, és sensível demais.”
  • “Toda a gente acha que tu és difícil” - sem exemplos concretos.

Muitas pessoas começam a guardar mensagens, a “gravar” mentalmente conversas, só para provarem a si próprias que não estão a enlouquecer. Só este reflexo já mostra o quanto a confiança na própria perceção foi danificada.

Um check simples depois de cada contacto

Antes de cortares totalmente o contacto, pode ajudar um teste interno rápido. Depois de um encontro ou de uma conversa longa (por mensagens, por exemplo), faz a ti próprio/a três perguntas:

  • Sinto-me mais calmo/a ou mais agitado/a do que antes?
  • Estou com a cabeça mais clara ou mais confuso/a e cheio/a de dúvidas?
  • Sinto mais liberdade ou sobretudo pressão e culpa?

Se quase sempre sais da interação com tensão, vergonha ou vazio, o teu corpo está a sinalizar que algo aqui está fundamentalmente errado. Em muitos casos, não chega ser “ainda mais compreensivo/a” ou “ainda mais paciente”. A questão passa por definir limites - e, no extremo, terminar o contacto.

Definir limites: da teoria à prática

Para muita gente, “põe um limite” soa simples, mas o passo parece arriscado. Especialmente se estás habituado/a a adaptar-te, até uma pequena resistência ou um “não” pode trazer culpa.

Abordagens práticas podem ser:

  • Clarificar por dentro: Escreve quais as frases, situações e comportamentos que te magoam. Isso organiza a tua perceção.
  • Testar limites pequenos: Diz numa situação “Eu não quero isto assim” e observa a reação.
  • Pedir apoio: Pessoas de confiança ou apoio profissional podem ajudar a identificar padrões.
  • Criar um plano de emergência: Pensa para onde ir e a quem ligar caso uma separação escale.

Quando a distância é ainda mais saudável do que a reconciliação

Muitas pessoas mantêm relações tóxicas porque ficam à espera daquela grande tomada de consciência. A esperança é: “Se eu explicar melhor, vai mudar tudo.” Mas a investigação sobre traços de personalidade estáveis mostra que padrões muito enraizados tendem a mudar devagar - e apenas com forte motivação da própria pessoa.

Se, ao longo do tempo, vives a mesma ferida repetidamente, mesmo depois de conversas claras e pedidos claros, criar distância não é traição: é autoproteção. E pessoas com traços sombrios usam, muitas vezes, desculpas de forma tática, sem alterar o comportamento na prática.

Como as relações saudáveis se sentem

Para reconhecer padrões tóxicos, ajuda olhar para o oposto. Em relações estáveis e saudáveis também há conflitos - mas o modo como acontecem é diferente.

Dinâmica instável, tóxica Dinâmica estável, saudável
Pedes desculpa constantemente para evitar discussão. Ambos conseguem admitir erros sem medo de gozo.
Sais das conversas mais confuso/a e mais pequeno/a. Mesmo após discussões, sentes respeito de base.
Os teus limites são ridicularizados ou ignorados. Os teus limites são ouvidos, mesmo quando incomodam.
O teu mundo encolhe e vais-te isolando. Amizades e hobbies podem manter-se ou crescer.

Relações saudáveis reforçam a tua sensação de seres uma pessoa inteira - não um acessório na vida de outra pessoa.

Riscos de esperar demasiado

Contactos tóxicos prolongados não afetam só o humor. Estudos associam-nos a perturbações do sono, dificuldades de concentração e sintomas físicos de stress, como palpitações e problemas de estômago. Quem vive sempre à espera de ataque ou desvalorização fica em “modo alerta” permanente.

Há ainda outro efeito: quanto mais tempo o padrão dura, mais interiorizas as mensagens depreciativas. O “tu és maluco/a” transforma-se, um dia, em “se calhar eu sou mesmo”. Nessa fase, a ausência da outra pessoa, por si só, muitas vezes já não chega - é preciso tempo, apoio e, por vezes, ajuda terapêutica para reconstruir a imagem que tens de ti.

Por isso, criar distância de pessoas que te fazem mal funciona como um primeiro passo - e um passo central: o ruído de fora baixa, e voltas a conseguir ouvir aquilo que o teu próprio sentir já te tenta dizer há muito tempo.

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