O anúncio da renovação de Rui Borges até 2028 acabou por ser bem mais do que um momento formal no Sporting. A cerimónia transformou-se, quase sem aviso, num exercício de balanço de Frederico Varandas a uma temporada em que, segundo o presidente, o clube pagou o preço de ter ido longe em várias frentes.
Uma caminhada forte na Champions, a luta pelo título até perto do fim e a presença na final da Taça de Portugal deixaram, inevitavelmente, desgaste num plantel que vinha de um bicampeonato interno. Numa conferência de imprensa em que o treinador ficou num papel mais discreto, o líder leonino assumiu que, na sua “modesta opinião”, o Sporting não tinha esta época “plantel em quantidade, qualidade e profundidade” para competir, ao mesmo tempo, em arenas tão exigentes - e deixou no ar críticas à gestão (ou à falta dela) do próprio Rui Borges, precisamente no dia em que lhe renovou a confiança.
Quem Varandas defendeu até ao fim foi o departamento médico, que nas últimas semanas tem sido alvo de desconfiança por parte dos adeptos. Pela segunda época seguida, o Sporting atravessou uma vaga de problemas físicos num momento crucial, mas o presidente rejeitou que exista falha na preparação física, valorizando o staff - que, segundo disse, é cobiçado lá fora. De acordo com Varandas, o diretor clínico João Pedro Araújo foi recentemente convidado por um clube de topo da Premier League, tal como o fisioterapeuta principal e o coordenador da unidade de performance.
Além do “mercado”, Varandas trouxe também números. E é aí que vale a pena olhar com atenção. “Sabem qual é o número médio de lesões de um jogador que joga competições europeias? Duas por temporada, o que vai andar em 40 a 50 lesões por ano na equipa”, disse, antes de insistir que “não é verdade que o Sporting tenha mais lesões em média do que as equipas que disputam” estas fases da época. Será mesmo assim?
Leão abaixo da média
Se formos aos dados do Transfermarkt sobre lesões nesta temporada - que ainda não terminou, convém lembrar -, Frederico Varandas não está a mentir. Somando as 16 equipas que disputaram os ‘quartos’ da Liga dos Campeões e da Liga Europa, a média está nas 27 ocorrências até ao momento. E, olhando apenas para as oito que chegaram longe na Champions, o Sporting aparece mesmo entre as menos afetadas: 22, tal como o Atlético Madrid. Ou seja, está abaixo da média, como garantiu o presidente.
Do outro lado da tabela surgem Real Madrid e Arsenal, que já contabilizam 41 episódios de lesões. Na Liga Europa, o Bolonha é quem tem mais, com 36. Aston Villa e Nottingham Forest, com épocas particularmente pesadas na Premier League, somam 32 e 31 lesões. Só o Celta, com 10, regista menos jogadores no estaleiro do que o FC Porto, com 12. O SC Braga tem 13 lesões apontadas pelo Transfermarkt.
O problema, ao que tudo indica, está menos no total e mais no momento em que as ausências acontecem. Na jornada 31, no empate nas Aves, o Sporting tinha seis lesionados - quase todos relevantes para a rotação de Rui Borges - como Gonçalo Inácio, Fresneda, Hjulmand e Ioannidis. No jogo seguinte (novo empate, com o Tondela), o cenário repetiu-se, com os mesmos indisponíveis. Se olharmos para o Atlético Madrid, que tem o mesmo número de lesões do Sporting ao longo da época, nunca houve um período com mais de quatro em simultâneo. Nem o Real Madrid, que chegou a ter nove lesionados ao mesmo tempo em março, entrou nas últimas jornadas da La Liga com um boletim clínico tão carregado como o Sporting.
Voltando ao Transfermarkt, Varandas também acerta quando diz que há mais lesões traumáticas do que musculares no Sporting. O portal aponta 10 desse tipo no conjunto das 22 lesões.
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