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Estudo no Reino Unido: muitos adultos não sabem purgar o aquecimento nem trocar uma lâmpada

Homem ajoelhado a trocar uma lâmpada num aquecedor, com ferramentas e manual no chão.

Muitos adultos não conseguem nem purgar um sistema de aquecimento nem trocar uma lâmpada - e admitem-no sem rodeios.

Um estudo recente realizado no Reino Unido revela até que ponto muita gente se sente desamparada dentro da própria casa. Tarefas que parecem simples - como voltar a ligar um disjuntor, reiniciar a caldeira/boiler ou desentupir um ralo - deixam muitos em stress, e a reação mais comum é pegar no telemóvel em vez de nas ferramentas.

Quando a própria casa passa a parecer um adversário

A pesquisa assentou em entrevistas a 2.000 adultos. Uma das conclusões principais é que cerca de um quarto das pessoas só tem uma ideia vaga de como funcionam o aquecimento, a água ou a eletricidade em casa. Quando algo falha, muitos nem sequer sabem por onde começar.

"Um terço dos inquiridos só pensa em tarefas domésticas e manutenção quando já há algo avariado."

Cerca de dez por cento reconhecem ainda que ignoram os problemas de propósito, na esperança de que “desapareçam por si”. Só que, com uma canalização a pingar ou um aquecimento caprichoso, isso raramente resulta.

Tentativa e erro em vez de ler as instruções

Em vez de procurar ajuda logo à partida, a maioria começa por improvisar. Aproximadamente 73% dizem que recorrem ao puro “experimentar” quando algo deixa de funcionar em casa. Muitas vezes, isso acaba mal: um quarto dos “faz-tudo” amadores admite que piorou a situação com a própria intervenção.

Quase metade refere que tentativas de reparação falhadas já provocaram discussões com o(a) companheiro(a). A cena é típica: uma pessoa “resolve num instante”, a outra preferia chamar alguém de imediato - e no fim fica mais caro, porque o profissional tem de reparar também os estragos causados.

“Antigamente toda a gente sabia fazer isto” - será mesmo?

Cerca de 62% dos participantes acreditam que as gerações anteriores eram mais desenrascadas com trabalhos manuais. Muitos descrevem a casa como se, por vezes, estivesse a trabalhar contra eles: códigos de erro enigmáticos na caldeira/boiler, quadros elétricos pouco claros, manuais com linguagem críptica.

Mesmo assim, poucos recorrem logo a um especialista. Só cerca de um quarto pagaria imediatamente a um profissional para resolver problemas simples. E 13% nem têm a certeza de a partir de que ponto uma tarefa deve, de facto, ficar nas mãos de um perito.

Entretanto, mantém-se um clássico: aproximadamente 15% continuam a telefonar à mãe ou ao pai quando a coisa aperta em casa - seja por causa do quadro elétrico, seja por uma pia a pingar.

As 15 tarefas domésticas em que muitos falham

Especialistas definiram 15 tarefas básicas que, em teoria, qualquer proprietário(a) ou inquilino(a) deveria dominar. Na prática, o cenário é bem diferente.

  • Reiniciar a caldeira/boiler ou corrigir a pressão
  • Trocar uma lâmpada
  • Fixar uma prateleira direita e bem segura
  • Ligar uma ficha corretamente
  • Substituir a lâmpada do frigorífico
  • Encontrar a válvula central de corte de água
  • Purgar um radiador
  • Localizar a torneira principal do abastecimento de água
  • Limpar um ralo entupido
  • Encontrar o contador de eletricidade ou de gás
  • Substituir uma unidade de detetor de fumo avariada
  • Voltar a ligar o disjuntor que disparou no quadro elétrico
  • Desligar totalmente a alimentação elétrica do apartamento/casa

Todas estas ações são vistas como conhecimentos de base - comparáveis a verificar a pressão dos pneus no carro. Ainda assim, muitos não as conseguem fazer sem ajuda externa ou sem longas pesquisas na Internet.

Ponto fraco: o aquecimento - ar no circuito e ninguém sabe o que fazer

Um exemplo comum é o radiador ficar frio no inverno. Muitas vezes, a causa é apenas ar acumulado no circuito. Com uma pequena chave de purga, dá para resolver em poucos minutos.

Na prática, o procedimento é este:

  1. Desligar o aquecimento e deixar o radiador arrefecer um pouco.
  2. Colocar um recipiente e um pano por baixo da válvula de purga.
  3. Abrir a válvula devagar com a chave de purga.
  4. Aguardar até o ar sair e começar a correr água de forma regular.
  5. Fechar a válvula e voltar a ligar/abrir o radiador.

Mesmo assim, muitos nem sabem onde fica a válvula - ou não se atrevem a mexer, com receio de fazer asneira.

Eletricidade: o disjuntor disparou - e agora?

Com a eletricidade acontece algo semelhante. Alguns inquiridos admitem que conseguem encontrar o quadro elétrico, mas não têm confiança para lhe tocar. Só que, em muitos casos, trata-se apenas de voltar a levantar um interruptor/disjuntor que disparou.

"Quem sabe como desligar eletricidade e água numa emergência consegue reduzir de forma significativa danos e custos."

O problema torna-se perigoso quando ninguém em casa sabe como cortar a corrente no geral ou fechar a água da instalação. Num rebentamento de canalização ou num aparelho a queimar, cada minuto conta.

Porque é que falta este conhecimento básico no dia a dia?

Há vários motivos. A tecnologia doméstica ficou muito mais complexa: sistemas de aquecimento com ecrãs e códigos de erro, máquinas de lavar com mais programas do que antes tinham lavandarias inteiras. Além disso, muitas pessoas crescem em casas arrendadas, onde senhorios ou administrações acabam por assumir uma parte destas responsabilidades.

A transmissão de conhecimento também se perdeu em parte. Quem nunca viu alguém limpar um sifão ou ligar uma lâmpada cria, naturalmente, mais bloqueios. Streaming, entregas ao domicílio, aplicações para chamar técnicos - tudo passa a mensagem: “não te preocupes, há sempre alguém que trata disso”.

Como ganhar competências essenciais sem stress

Ninguém tem de virar canalizador amador. Ainda assim, um mínimo de noções poupa dinheiro, nervos e, em situações críticas, evita danos maiores. Por exemplo:

  • Fazer uma visita rápida pela casa para identificar quadro elétrico, contadores e válvulas/torneiras de corte.
  • Guardar no telemóvel fotos de pontos importantes (placas de identificação, localização de válvulas).
  • Manter os manuais dos aparelhos essenciais à mão, em vez de os deixar numa caixa na arrecadação.
  • Treinar reparações simples primeiro em zonas menos críticas, como montar uma prateleira na arrumação.

Muitos fornecedores de energia e organizações de defesa do consumidor disponibilizam hoje guias e vídeos passo a passo que mostram precisamente estas tarefas básicas - sem jargão técnico. Quem dedica uma noite tranquila a isso sente-se depois mais seguro quando surge uma emergência.

Quando é melhor chamar logo um profissional

Existem limites claros. Ninguém sem formação deve mexer em tubagens de gás, em instalações elétricas complexas ou em elementos estruturais. Um erro frequente é começar a “inventar” na eletrónica do aquecimento, em cabos com condutores expostos ou em quadros elétricos antigos. Isso pode ser fatal ou terminar num incêndio.

Como regra geral: se a tarefa exigir ferramentas específicas, implicar abrir condutas/tubagens, ou se houver incerteza sobre segurança, o melhor é optar por uma empresa especializada. O essencial é perceber o que se consegue fazer com confiança e a partir de que ponto o risco deixa de compensar.

Não deixar a manutenção para quando tudo já parou

O estudo indica também que muita gente não tem qualquer plano de manutenção para o aquecimento ou para a caldeira/boiler. Mais de 40% não têm um único contrato de manutenção - mesmo quando dependem totalmente do sistema. Se a instalação falha no pico do inverno, a situação torna-se rapidamente desconfortável.

Verificações regulares por técnicos não evitam todos os problemas, mas reduzem a probabilidade de avarias dispendiosas. E, com algum conhecimento básico, é possível pelo menos reconhecer sinais de alerta e reagir melhor.

No fim, a questão não é ser perfeito em bricolage. O importante é conhecer os principais interruptores, torneiras e ajustes da própria casa - e não entrar em pânico quando a luz vai abaixo ou quando o radiador fica frio.


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