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Desvalorização emocional: como reconhecer e lidar no dia a dia

Mulher triste com lágrimas no sofá abraçando almofada e homem a tentar consolá-la numa sala iluminada.

Muita gente sabe o quão difícil é falar sobre aquilo que sente. E tudo se torna ainda mais complicado quando a outra pessoa desvaloriza essas emoções, minimiza-as ou até as ridiculariza. É precisamente aí que começa a desvalorização emocional - um padrão que envenena relações, desgasta amizades e, com o tempo, pode mesmo afetar a saúde psicológica.

O que significa, afinal, desvalorização emocional

Desvalorização emocional é quando os sentimentos de alguém não são levados a sério, não são reconhecidos ou são diretamente negados. A mensagem implícita é: "Não podes sentir isso" ou "Estás a exagerar". Por vezes é dito de forma claramente agressiva; noutras, surge de forma muito subtil.

Quem vive constantemente com a sensação de que os seus sentimentos estão errados tende a adaptar-se, a calar-se ou a duvidar de si próprio.

Profissionais da psicoterapia sublinham a importância do oposto: a validação emocional. Ou seja, a experiência de nos sentirmos vistos e compreendidos nas nossas emoções - mesmo quando a outra pessoa interpreta a situação de maneira diferente. Esta validação dá mais estabilidade às relações e aumenta, para ambos, a sensação de segurança e proximidade.

Frases típicas que minimizam sentimentos

Uma neuropsicóloga reuniu nas redes sociais frases que, com muita frequência, desvalorizam emoções. Muitas delas são ditas quase sem pensar - e, não raras vezes, com a intenção de "acalmar" ou "salvar o ambiente".

Cinco exemplos que ajudam a reconhecer a desvalorização emocional

  • "Não reajas assim." A ideia por trás disto é: a tua reação está errada, é excessiva, não é adequada. Em vez de consolo, instala-se vergonha.
  • "Podemos simplesmente fechar este assunto?" A conversa é cortada a meio. A pessoa percebe: os meus sentimentos incomodam, só estou a atrasar toda a gente.
  • "Pensas demais, pára com isso." Pensamentos e preocupações são carimbados como desnecessários. Quem ouve isto repetidamente pode começar a duvidar da própria perceção.
  • "Devias era estar grato pelo que tens." A gratidão é usada como arma. A responsabilidade é devolvida: não tens direito a sentires-te mal.
  • "Tu nunca me ouves." À primeira vista parece apenas uma acusação, mas em muitas situações funciona como distração: em vez de se ficar com as emoções do outro, o foco passa, de repente, para si próprio.

Este tipo de frases faz com que quem se abre pareça pequeno e "sensível demais". O essencial da emoção não é reconhecido - é empurrado para fora do palco.

Frases emocionalmente desvalorizadoras tiram legitimidade aos sentimentos - e, com isso, retiram às pessoas uma parte da sua identidade.

Porque é que desvalorizamos os sentimentos dos outros

Há um ponto importante: nem sempre existe má intenção por trás desta ferida. Muitas pessoas recorrem a estas frases porque estão, elas próprias, sobrecarregadas - pela situação ou pelas próprias emoções.

Dificuldade em lidar com as próprias emoções

Terapeutas relatam que pessoas com mais dificuldades em gerir o que sentem tendem, com maior frequência, a diminuir as emoções alheias. Quem quase não se permite fragilidade em si, muitas vezes tolera ainda pior essa fragilidade no outro. Por fora pode soar frio ou duro, mas não raras vezes é uma forma de autoproteção.

Alguns motivos que especialistas encontram repetidamente:

  • Feridas emocionais não resolvidas: mágoas antigas ou sentimentos de vergonha fazem com que qualquer proximidade emocional pareça ameaçadora.
  • Medo de perder o controlo: quando se dá espaço aos sentimentos - sobretudo numa relação - torna-se inevitável olhar para partes de si. E isso é desconfortável.
  • Sensação de "não ser suficiente": quem se sente inadequado por dentro constrói muitas vezes uma fachada de força e acaba por empurrar os outros para baixo.

Uma psicoterapeuta descreve-o assim: algumas pessoas carregam uma vergonha interna constante. Para não a sentir, apresentam-se como controladas e superiores. Depois tentam exercer poder sobre os outros - incluindo através de minimizar os sentimentos alheios. A vergonha passa, então, como uma bola quente, para a outra pessoa.

Autoproteção em vez de proximidade verdadeira

A desvalorização emocional também pode funcionar como escudo. Por exemplo, quando alguém tem culpa num conflito, pode ter tendência a afastar as emoções do outro. Porque, se levasse esses sentimentos a sério, teria de assumir responsabilidade - por palavras duras, por comportamentos errados, por falhas e omissões.

Quem diminui os sentimentos do outro sente-se menos culpado no imediato - mas, a longo prazo, põe a relação em risco.

Como perceber se também reage de forma desvalorizadora

Não é agradável admitir, mas é real: quase todos nós já reagimos, alguma vez, de forma emocionalmente desvalorizadora. A diferença está em dar por isso - e alterar o padrão.

Sinais de alerta no próprio comportamento podem ser:

  • muda rapidamente de assunto quando a conversa fica emocional;
  • sente-se atacado assim que alguém partilha sofrimento consigo;
  • diz frases como "não é assim tão grave" de forma automática, sem perguntar mais nada;
  • tenta logo apresentar uma solução em vez de, primeiro, ouvir.

Quem se reconhece aqui não se transforma automaticamente numa "má" pessoa - mas sim em alguém com margem para aprender. E essa aprendizagem pode melhorar muito as relações.

Como validar sentimentos com respeito

O modelo oposto da desvalorização chama-se validação emocional. Faz-se em três passos simples (mas exigentes):

  • Perceber: reparo que a pessoa à minha frente está a sentir algo intenso.
  • Reconhecer: aceito que, para ela, esse sentimento é real e faz sentido - mesmo que eu sinta diferente.
  • Dar espaço: deixo a emoção existir e ter tempo, em vez de a corrigir ou relativizar.

Algumas frases típicas que apontam nessa direção podem ser, por exemplo:

  • "Estou a ver que isso te está a pesar muito."
  • "Conta-me mais, quero perceber o que se está a passar contigo."
  • "Para ti, isto está mesmo a ser muito difícil, não é?"
  • "Obrigado por confiares isto a mim."

Estas frases não significam concordar com todas as reações. Apenas transmitem: os teus sentimentos têm lugar aqui. Só isso, muitas vezes, já ajuda a acalmar.

Que consequências pode ter a desvalorização emocional contínua

Quando, numa relação - seja no casal, na família ou no trabalho - alguém sente repetidamente que as suas emoções são diminuídas, paga um preço. Com o tempo, podem surgir:

  • retraimento e distância interior;
  • baixa autoestima;
  • insegurança em relações futuras;
  • aumento do medo de ser "demasiado" ou "difícil";
  • sintomas físicos de stress, como dificuldades de sono ou tensão.

Sobretudo em amizades e relações amorosas, este mecanismo leva, de forma silenciosa mas constante, ao afastamento. As conversas ficam superficiais, os conflitos não se resolvem e a desconfiança cresce.

Dicas práticas para o dia a dia

Quem quer mudar a forma como reage às emoções dos outros pode começar por passos pequenos. Estes exemplos ajudam:

Situação Frase espontânea e desvalorizadora Alternativa respeitosa
O parceiro parece irritado depois do trabalho "Agora relaxa lá." "Pareces mesmo exausto; queres contar-me o que aconteceu?"
Uma amiga ficou magoada por uma coisa pequena "Não sejas dramática." "Ok, isso atingiu-te a sério. O que é que, em concreto, foi tão difícil para ti?"
Um colega queixa-se repetidamente do stress "Toda a gente tem stress." "Parece que a tua carga está mesmo muito alta. O que é que te ajudaria?"

Ao manter estas alternativas presentes, vão-se construindo novos hábitos com o tempo. Não se trata de responder de forma perfeita, mas de ser mais disponível e genuinamente interessado.

Porque aprender a lidar com sentimentos é possível

Muitas pessoas acham que "simplesmente não são boas" a lidar com emoções. Raramente isso é verdade de forma tão definitiva. A competência emocional treina-se - tal como uma língua. Quem começa a observar as próprias reações e experimenta novas formas de dizer as coisas já está a criar base.

Pode ser útil fazer, com regularidade, a pergunta: "Como é que eu me sentiria se esta frase fosse dirigida a mim?" Esta verificação interna evita muitos comentários impulsivos. E abre espaço para mais compaixão - pelos outros e também por si.

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