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Semaglutida e Liraglutida: medicamentos GLP‑1 podem reduzir o risco de dependência

Mulher sentada à mesa com seringa, imagem digital de cérebro iluminado à sua frente numa cozinha.

Medicamentos como a Semaglutida ou a Liraglutida foram, durante muito tempo, vistos sobretudo como uma ajuda para perder peso e para tratar a diabetes tipo 2. Dados recentes sugerem agora algo mais: estes princípios activos podem actuar no cérebro de forma mais profunda do que se pensava - e poderão reduzir de forma significativa o risco de dependência de álcool, nicotina e drogas.

Como actuam os medicamentos GLP‑1 no organismo

GLP‑1 significa “peptídeo semelhante ao glucagão‑1”, uma hormona que o corpo liberta após as refeições. A mensagem que chega ao cérebro é simples: “Já estás saciado, neste momento não precisas de mais.”

Os medicamentos GLP‑1 actualmente utilizados reproduzem essa acção hormonal. Regra geral, são administrados por injecção uma vez por semana e levam a que:

  • o conteúdo do estômago avance mais lentamente,
  • a glicemia se mantenha mais estável,
  • a sensação de saciedade surja mais depressa e com maior intensidade,
  • diminua a vontade de comer grandes porções ou de fazer lanches.

Com isto, muitas pessoas passam a comer menos sem terem de lidar constantemente com uma fome intensa. Foi precisamente este efeito que tornou estes fármacos conhecidos como “injecções para emagrecer”.

Porque estes medicamentos também influenciam o cérebro

Durante anos, o GLP‑1 foi encarado sobretudo como uma hormona do intestino e do metabolismo. Entretanto, a investigação mostra que também exerce efeitos directos no cérebro. Existem receptores de GLP‑1 em áreas ligadas à recompensa, à motivação e ao prazer - incluindo o chamado sistema de recompensa.

“As mesmas áreas do cérebro que regulam o apetite por comida também desempenham um papel central no álcool, na nicotina e noutras drogas.”

Quando os medicamentos GLP‑1 se ligam a esses receptores, parecem alterar a resposta a “estímulos de recompensa”. A comida deixa de ser sentida como algo tão “urgente” e o desejo reduz-se. A pergunta que os investigadores colocam agora é: este efeito estende-se também a outros estímulos - como pegar num cigarro, beber um copo de vinho ou consumir opiáceos?

Dados dos EUA com centenas de milhares de doentes

Para explorar esta hipótese, uma grande equipa de investigação analisou registos clínicos de mais de 600.000 ex-militares norte‑americanos com diabetes tipo 2. O acompanhamento prolongou-se por cerca de três anos. Uma parte recebeu medicamentos GLP‑1, enquanto a outra não.

No grupo tratado com GLP‑1, surgiram vários sinais que chamaram a atenção:

  • menos novos problemas com álcool,

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