A 20 de março de 2026, a estação fria termina do ponto de vista astronómico. É nesse dia que acontece a chamada equinócio da primavera (a “igualdade” entre dia e noite): o instante em que o Sol fica exatamente sobre o Equador celeste - uma viragem que influencia o calendário, a duração da luz diária e até a forma como nos sentimos.
Quando começa a primavera astronómica 2026?
Em 2026, a primavera astronómica arranca na sexta-feira, 20 de março. O momento exato ocorre às 03.17 (hora da Europa Central).
A partir desse instante, a astronomia dá o inverno por terminado. Daí em diante, no Hemisfério Norte, o Sol sobe um pouco mais acima do horizonte a cada dia, o Sol do meio-dia ganha força e a duração do dia aumenta de forma notória.
"Entre o equinócio da primavera e o solstício de verão, a duração do dia na Europa Central cresce, em média, quase três minutos por dia."
Até ao solstício de verão, no domingo, 21 de junho de 2026, os dias alongam-se de forma clara. Em cidades como Hamburgo, Berlim ou Munique, a duração do dia ronda 16 horas e quase 50 minutos. Depois, o processo inverte-se lentamente: a partir do máximo de luz no verão, avançamos passo a passo para o outono e, mais tarde, para o solstício de inverno.
Enquanto no Norte recebemos mais horas de claridade e mais Sol, no Hemisfério Sul acontece o contrário: em março começa ali o outono astronómico e os dias tornam-se mais curtos.
Equinócio da primavera: datas dos próximos anos
O início astronómico da primavera não calha sempre à mesma hora - isso percebe-se bem ao olhar para os anos seguintes. As datas abaixo referem-se à Europa Central:
- 2026 – 20. março, 03.17
- 2027 – 20. março, 21.24
- 2028 – 20. março, 03.17
- 2029 – 20. março, 09.01
- 2030 – 20. março, 14.52
- 2031 – 20. março, 20.41
Fica evidente que o instante “derrapa” de ano para ano algumas horas para mais tarde, até que um ano bissexto faz o ciclo avançar novamente.
O que é, ao certo, um equinócio?
No dia a dia costuma dizer-se que, nesse dia, “o dia e a noite têm a mesma duração”. De forma rigorosa, isso não é totalmente exato. Em termos astronómicos, o equinócio é o momento em que o centro do Sol cruza o plano do Equador terrestre. Se fosse apenas uma questão geométrica, dia e noite teriam então exatamente doze horas cada.
Na realidade, dois fatores deslocam esse equilíbrio:
- A forma como se define o nascer e o pôr do Sol
- A refração da luz na atmosfera terrestre
Aqui, a astrofísica e a perceção comum usam critérios diferentes. Para especialistas, o Sol “nasce” quando o centro do disco solar ultrapassa a linha geométrica do horizonte.
A maioria das pessoas, porém, guia-se pelo rebordo superior do disco solar. Assim, o Sol torna-se visível um pouco mais cedo e desaparece um pouco mais tarde, acrescentando alguns minutos à duração da claridade.
A atmosfera alonga o dia de forma artificial
Em segundo lugar, entra em cena a atmosfera. Pouco antes do nascer e logo após o pôr do Sol, a luz solar é desviada; este fenómeno chama-se refração astronómica. Por isso, o Sol parece estar mais alto do que realmente está.
"Devido à refração da luz, o Sol parece cerca de meio grau mais alto - o que, nas nossas latitudes, significa cerca de quatro minutos extra de claridade de manhã e à tarde."
A intensidade desta refração varia com a temperatura, a humidade e a pressão atmosférica. Ar frio e limpo torna o efeito muitas vezes mais visível - por exemplo, como um disco solar com tons avermelhados que parece “colar-se” ao horizonte.
Porque é que existem estações do ano?
Muita gente assume que a variação da distância entre a Terra e o Sol, devido à órbita elíptica, é a responsável pelas estações. Parece fazer sentido, mas tem pouca influência.
O elemento decisivo é a inclinação do eixo terrestre. A Terra está inclinada cerca de 23,5 graus em relação ao plano da sua órbita em torno do Sol. Por causa disso, os hemisférios Norte e Sul alternam entre estar mais voltados para o Sol e mais afastados.
- Quando o Hemisfério Norte está inclinado em direção ao Sol, aqui é verão.
- Quando está inclinado para longe do Sol, temos inverno.
- Entre ambos ficam a primavera e o outono, quando a luz solar incide de forma relativamente semelhante nos dois hemisférios.
Nos trópicos, esta inclinação nota-se muito menos. Em muitos locais, o ano é sobretudo marcado pela alternância entre estação chuvosa e estação seca, enquanto na Europa Central se destacam quatro estações bem definidas.
Porque muda a data de ano para ano?
A Terra leva cerca de 365,24219 dias a dar uma volta completa ao Sol. O nosso calendário, porém, trabalha apenas com dias inteiros. Por isso, foi adotado o calendário gregoriano, que usa um sistema de intercalação para compensar essa diferença.
A lógica é simples:
- Um ano normal tem 365 dias.
- De quatro em quatro anos, acrescenta-se um dia bissexto (29 de fevereiro).
- Os anos terminados em 00 só são bissextos se forem divisíveis por 400 (como 2000, mas não 2100).
Desta forma, obtém-se em média um ano de 365,2425 dias. O desvio face ao ano solar real é pequeno e as estações não “fogem” do calendário. O reverso é que os instantes exatos dos equinócios e dos solstícios oscilam ligeiramente, seguindo o ritmo dos anos bissextos.
Equinócio ou solstício - qual é a diferença?
É comum confundir os dois termos, mas descrevem acontecimentos distintos.
| Evento | O que acontece? | Mês típico |
|---|---|---|
| Equinócio da primavera | O Sol está sobre o Equador; início da primavera astronómica | março |
| Equinócio de outono | O Sol volta a ficar sobre o Equador; início do outono astronómico | setembro |
| Solstício de verão | Dia mais longo; o Sol atinge a maior altura no céu | junho |
| Solstício de inverno | Dia mais curto; o Sol atinge a menor altura no céu | dezembro |
Nos solstícios, no Hemisfério Norte, o Sol chega ao seu ponto mais a norte ou mais a sul no céu. Nos equinócios, pelo contrário, cruza o plano do Equador. Estes quatro marcos organizam o ano e a sequência das estações.
O que o equinócio da primavera muda no dia a dia
A primavera astronómica nota-se depressa na rotina. Com mais luz logo de manhã, levantar torna-se mais fácil; ao fim do dia, o crepúsculo atrasa-se para horas mais tardias e muitas pessoas dizem sentir uma melhoria do humor.
O corpo é particularmente sensível ao aumento da luminosidade. A produção de melatonina (a hormona do sono) diminui e, ao mesmo tempo, é frequente subir o nível de serotonina. Isso pode trazer mais energia, mas também o conhecido “blues da primavera”, porque o organismo precisa de se reajustar.
- Mais luz diária reforça o ritmo natural sono–vigília.
- Caminhadas ao início da noite fornecem um estímulo luminoso forte.
- Quem tem tendência para cansaço na primavera pode contrariar com rotinas consistentes.
Como viver conscientemente o início da primavera astronómica
Para quem quer assinalar o equinócio de forma mais consciente, bastam pequenos hábitos: ver um nascer do Sol, comparar o comprimento das sombras ao longo das semanas ou aproveitar a primeira hora verdadeiramente amena do fim de tarde ao ar livre.
Mesmo observações simples mostram como a posição do Sol se altera. Ao meio-dia, a sombra do nosso corpo encurta na primavera porque o Sol sobe no céu. Num balcão virado a sul ou no parapeito de uma janela, a luz entra cada vez mais para dentro e, depois, recua - um resultado direto da inclinação do eixo da Terra.
Quem tem crianças pode transformar este período num pequeno experimento: todos os domingos, à mesma hora, fotografar a posição do Sol ou as sombras das árvores. Em poucas semanas, a progressão em direção ao verão torna-se muito evidente.
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