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Cancro da mama: seis hábitos evitáveis que aumentam o risco

Mulher a preparar salada saudável numa cozinha iluminada com plantas e garrafa de água com limão.

Novos dados de uma avaliação internacional indicam que uma parte relevante dos casos de cancro da mama em todo o mundo está associada a fatores de estilo de vida que podem ser evitados. Entre eles, destacam-se seis hábitos muito concretos. Ao ajustá-los, é possível reduzir de forma clara o risco individual - e, caso a doença surja, atenuar a sua evolução.

Cancro da mama: a neoplasia mais diagnosticada nas mulheres - e muitas vezes influenciável

Em 2023, cerca de 2,3 milhões de mulheres receberam, a nível mundial, um diagnóstico de cancro da mama. Os médicos estimam que este número possa aumentar para aproximadamente 3,5 milhões de novos casos por ano até 2050. Também as mortes deverão crescer de forma expressiva.

Uma análise publicada na revista científica “The Lancet Oncology”, baseada em dados de 204 países, apresenta uma conclusão particularmente nítida: ao olhar para o indicador de “anos de vida saudável” perdidos devido ao cancro da mama, 28 % dessa perda é atribuível a apenas seis fatores modificáveis.

"De acordo com os cálculos dos investigadores, cerca de uma em cada quatro mulheres afetadas poderia, em teoria, ter prevenido a doença ou, pelo menos, reduzido significativamente o seu impacto - apenas com outros hábitos de vida."

Para isso, os cientistas recorreram a uma medida que quantifica “anos em boa saúde”. Este indicador integra tanto os anos de vida perdidos por morte precoce como os anos vividos com limitações associadas ao cancro da mama. Em 2023, o total mundial ascendeu a 24,3 milhões de anos - e 6,8 milhões desses anos estão diretamente ligados aos seis fatores de risco analisados.

Seis fatores que fazem subir o risco de cancro da mama

A avaliação separa, de forma geral, dois grandes blocos: fatores metabólicos (como excesso de peso ou valores elevados de açúcar no sangue) e padrões comportamentais clássicos (como fumar ou ser sedentária). Em conjunto, contribuem para um contexto hormonal e inflamatório no organismo que favorece o desenvolvimento de células tumorais.

Os seis principais fatores de risco, em resumo

  • Consumo excessivo de carne vermelha - o fator individual com maior peso
  • Tabagismo - incluindo o contributo do fumo passivo
  • Açúcar no sangue elevado - muitas vezes um passo anterior à diabetes
  • Excesso de peso - especialmente crítico após a menopausa
  • Consumo de álcool - mesmo quantidades pequenas contam
  • Inatividade física - muito tempo sentada, pouca atividade no dia a dia

Quando se traduz esta influência em “perda de saúde” global relacionada com cancro da mama, obtém-se a seguinte repartição por fator:

Fator de risco Percentagem no indicador global de carga do cancro da mama
Consumo excessivo de carne vermelha 11 %
Tabagismo 10 %
Açúcar no sangue elevado 9 %
Excesso de peso / índice de massa corporal elevado 7 %
Álcool 5 %
Inatividade física 4 %

Na prática, estes fatores raramente atuam de forma isolada. Uma mulher que se mexe pouco, passa muitas horas sentada, consome frequentemente carne, bebe álcool com regularidade e ganha peso acaba por acumular vários riscos em simultâneo. O estudo sublinha que estas combinações são extremamente comuns no quotidiano.

Porque é que a carne vermelha pesa tanto

A carne vermelha - sobretudo de vaca, porco e borrego - é há muito apontada como potencialmente envolvida em vários tipos de cancro. Nesta nova análise, surge agora como o fator modificável com maior contribuição individual para o cancro da mama.

Há várias hipóteses explicativas:

  • Ao fritar ou grelhar a temperaturas muito elevadas, podem formar-se substâncias carcinogénicas.
  • Produtos industrializados com carne processada contêm frequentemente nitritos e outros aditivos.
  • Em algumas regiões, a carne provém de criação intensiva, com possível utilização de hormonas ou antibióticos.

Nenhum investigador defende a eliminação total da carne. Ainda assim, chama a atenção o seguinte: em zonas com consumo elevado de carne e maior prevalência de obesidade - como a América do Norte e a Europa Ocidental - a parcela da carga do cancro da mama explicada por fatores de estilo de vida é superior (cerca de 32 %) à observada em partes da Ásia (aproximadamente 24 %).

Cada vez mais mulheres jovens afetadas

Um dado particularmente inquietante é o aumento contínuo de casos em mulheres com menos de 30 anos. Nesta faixa etária, a taxa ajustada por idade cresce, em média, 0,5 % por ano.

Os especialistas apontam várias razões possíveis:

  • Início mais precoce de padrões alimentares pouco saudáveis
  • Mais trabalho sedentário e mais horas em frente a ecrãs
  • Aumento da obesidade já durante a adolescência

Em mulheres mais jovens, o cancro da mama tende a ser mais agressivo e, muitas vezes, é detetado mais tarde - em parte porque muitas não consideram esta hipótese nessa idade. Por isso, a prevenção desde a juventude tem um peso particular.

O que é possível mudar - e o que isso pode trazer

Os investigadores estimaram o potencial de medidas já conhecidas. Se todos os países conseguissem reduzir a exposição aos seis fatores de risco para o nível dos 10 % da população mundial menos exposta, seria possível recuperar cerca de 1,9 milhões de anos de vida saudável por ano.

"Mesmo ajustes relativamente simples no dia a dia podem, a longo prazo, ter um efeito mensurável no risco de cancro da mama."

Quatro alavancas centrais no quotidiano

  • Reduzir as porções de carne
    Limitar a carne vermelha a uma ou, no máximo, duas porções por semana; escolher menos vezes produtos processados com carne; e privilegiar leguminosas, peixe ou aves.

  • Manter o peso estável
    Um índice de massa corporal (IMC) dentro do intervalo normal diminui não só o risco de cancro da mama, como também o de doenças cardiovasculares e diabetes. Mudanças pequenas e sustentáveis - como reduzir bebidas açucaradas e movimentar-se com regularidade - têm mais impacto do que dietas relâmpago.

  • Fazer atividade física com regularidade
    Pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana - por exemplo, caminhada rápida, ciclismo ou natação. Quem passa muito tempo sentada pode começar com escadas em vez de elevador, pequenas pausas para andar e treinos ocasionais em casa.

  • Deixar de fumar e travar no álcool
    Cada dia sem cigarros reduz o risco a longo prazo. Quanto ao álcool, a regra mantém-se: quanto menos, melhor - mesmo consumos regulares baixos contribuem para a carga total.

Diferenças entre regiões - e o que a Alemanha pode retirar destes dados

A África Subsariana regista cerca de 28 mortes por 100.000 mulheres, mais do dobro da média mundial. A ausência de rastreio e de terapêuticas eficazes é frequente. Na Europa Ocidental, apesar de um maior número de diagnósticos, a mortalidade situa-se em cerca de 11 mortes por 100.000 mulheres.

A comparação aponta para dois aspetos: a prevenção via estilo de vida pode fazer muito, mas não chega por si só. Países que investiram em deteção precoce e, em simultâneo, melhoraram padrões de tratamento conseguiram reduzir a mortalidade por cancro da mama desde 1990 em cerca de 30 %.

Para o espaço de língua alemã, isto significa que, embora o sistema de saúde esteja relativamente bem posicionado, os fatores de risco conhecidos continuam a expandir-se - sobretudo excesso de peso, consumo elevado de açúcar e sedentarismo. Quem contrariar esta tendência reduz não apenas o próprio risco de cancro da mama, como também, a longo prazo, alivia hospitais e sistemas de financiamento da saúde.

A deteção precoce continua a ser indispensável

O estilo de vida é apenas um lado da questão. O outro é: quão cedo o cancro da mama é identificado? Quanto mais cedo um tumor é detetado, melhores tendem a ser as probabilidades de cura ou de um curso mais favorável.

Em muitos países com menos recursos, a mamografia não está disponível de forma abrangente. É aí que se prevê que surja uma parte importante do aumento de casos até 2050. Os especialistas defendem uma abordagem dupla: sensibilização para hábitos saudáveis e, em paralelo, melhor acesso a rastreio e tratamento.

Também na Alemanha faz sentido manter a atenção: rastreios regulares, autoexame consciente da mama e avaliação rápida de alterações suspeitas complementam as medidas preventivas do dia a dia.

O que significa, na prática, “açúcar no sangue elevado”

Muitas mulheres nem sequer sabem se pertencem ao grupo de risco no tema “açúcar no sangue elevado”. Não se trata apenas de diabetes já instalada, mas também de fases prévias em que os valores estão acima do normal sem provocar, de imediato, sintomas marcantes.

Sinais de alerta habituais no dia a dia podem incluir:

  • cansaço intenso após refeições ricas em hidratos de carbono
  • sede frequente
  • variações de peso sem intenção

Os médicos de família podem esclarecer a situação com análises simples ao sangue. Se houver intervenção atempada - por exemplo, com alterações alimentares e mais movimento - baixa não só o risco de diabetes, como também o risco de vários tipos de cancro.

O efeito cumulativo de pequenos passos

Nenhuma mulher consegue eliminar todos os riscos por completo, e nem todos os casos de cancro da mama estão relacionados com o estilo de vida. Predisposição genética, acaso e fatores ainda desconhecidos continuam a ter um papel. Ainda assim, a nova análise evidencia como várias decisões pequenas, repetidas no quotidiano, se somam.

Ao ajustar um pouco a alimentação, integrar mais atividade física, travar o aumento de peso, deixar de fumar e reduzir o álcool, a balança de risco pessoal pode deslocar-se, passo a passo, para uma direção mais favorável. Mesmo que a mudança não seja perfeita, pode contribuir - em termos estatísticos - para que menos mulheres venham a desenvolver cancro da mama e para que as afetadas ganhem mais anos de vida saudável.

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